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Blogue RBE

Ter | 20.06.23

Diário de Escritas com a biblioteca escolar

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O projeto Diário de Escritas [1], integrado no Plano Escola+ 21|23 [2], tem como objetivos a promoção de laços afetivos e a criação de uma relação funcional com a escrita, através do desenvolvimento de um projeto pessoal e/ou coletivo de escrita, em que os alunos se assumem como “autores”, fomentando uma atitude reflexiva sobre os seus escritos.

Através da dinamização de oficinas que lançam desafios de escrita nas escolas, pensadas em função dos alunos/ das turmas que necessitam de um reforço na relação afetiva e técnica com a escrita, esta medida visa a constituição de um ambiente criativo, o qual favorece o envolvimento dos alunos na escolha e na planificação das atividades, por forma a beneficiarem de um efetivo feedback. 

Os recursos a serem produzidos constituem-se como indutores de atividades diversificadas, em consonância com metodologias conducentes à correção linguística, à organização argumentativa, à estratégia comunicativa e à partilha dos textos produzidos.

O desenvolvimento de projetos de escrita está organizado em torno de quatro etapas essenciais (Eu, aprendiz; Eu, escritor; Eu, produtor; Eu, editor) que se repetem sucessivamente ao longo do ano letivo, de acordo com uma planificação elaborada em sede de conselho de turma.

Falemos então das diferentes etapas:

Eu, aprendiz

Seleção de uma tipologia de texto a trabalhar (comentário, exposição, relato, relatório, resumo, texto de opinião, entre outros, previstos no currículo das diferentes áreas curriculares), tendo em conta as disciplinas/ áreas curriculares envolvidas e de acordo com a planificação do projeto de escrita.

Sessão/ sessões na biblioteca, em articulação com os docentes de Português/ professores titulares de turma, para desenvolvimento de competências de escrita de textos da tipologia selecionada.

Eu, escritor

Momento de produção escrita de textos da tipologia abordada na biblioteca, em contexto letivo, da(s) disciplina(s)/ área(s) curricular(es) envolvida(s), podendo mobilizar-se os recursos da biblioteca.

Eu, revisor

Momento de revisão e aperfeiçoamento dos textos criados na etapa 2, com o apoio da biblioteca escolar, em articulação com professores de Português/ titulares de turma.
A revisão/ (re)escrita dos textos, é desenvolvida em trabalho a par/ de grupo, com vista à sua melhoria, através do confronto com outras opiniões / formas de fazer.

Eu, editor

Divulgação e partilha dos textos criados, em formato impresso ou digital, num trabalho de colaboração entre a biblioteca e o professor titular/ os conselhos de turma e articulação com parceiros da comunidade. Poderá ser feita uma apresentação pública, com a presença das famílias.

Ao longo do ano letivo 22/23 foram dinamizadas, no Alto Alentejo, várias edições da ação de formação Diário de Escritas: práticas transdisciplinares com a biblioteca, onde participaram cerca de 55 professores das mais diversas áreas curriculares, incluindo professores bibliotecários. De entre as várias propostas de trabalho apresentadas, evidenciam-se as seguintes:

Escrit@s Take-Away

No início do ano letivo, o Agrupamento de Escolas de Avis teve de mudar de instalações, devido às obras de requalificação do espaço, estando agora provisoriamente instalado nas antigas instalações da Escola Profissional, em Benavila. Perante esta mudança, os alunos ficaram mais dispersos e perdeu-se a relação de proximidade que existia anteriormente com a biblioteca escolar. Face a esta situação, o grupo de formandas da escola, entre as quais a professora bibliotecária, pensou nesta proposta “gastronómica”, onde a oferta principal são propostas de escrita, as quais são divulgadas pelas diferentes unidades de ensino que compõem o agrupamento. 

Um corpus textual diversificado (obras de Mafalda Milhões, Margarida Botelho e Afonso Cruz, entre outros) é o ponto de partida para a criação de um Menu de Escritas, onde os professores podem encontrar sugestões de trabalho no domínio da escrita, seguindo a metodologia proposta no projeto. 

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Diário de um Maço

O grupo de formandos da EPDRAC (Escola Profissional Desenvolvimento Regional de Alter do Chão) e do Agrupamento de Nisa trabalharam em conjunto e apresentaram uma proposta para ser dinamizada com alunos do Ensino Secundário. O projeto Diário de Escritas com a Biblioteca foi desenvolvido junto dos alunos no âmbito da Área de Integração, Português, Clube Ciência Viva e SPO.

O ponto de partida foi a obra de José Eduardo Agualusa, A Substância do Amor e outras Crónicas.

Salienta-se a articulação com diferentes áreas do currículo e o Plano Nacional do Cinema, assumindo a biblioteca escolar o papel de coordenadora, como lhe compete.

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Vou contar uma história 

Esta proposta foi apresentada por um grupo de formandas de Elvas e Campo Maior. 

O projeto foi desenvolvido com crianças do Educação Pré-escolar e alunos do 1.º Ciclo, de forma colaborativa (atividade interciclos).

Consiste em sessões de leitura dinamizadas por alunos do 3.º ano com crianças do Jardim de Infância. Estas sessões de leitura estimulam e motivam para a aprendizagem da leitura, ao mesmo tempo, desenvolvem o vocabulário, a atenção e a compreensão oral, dos mais pequenos. No que se refere aos alunos mais velhos: desenvolvem a leitura, a compreensão oral e a capacidade de comunicação.

Após o trabalho de motivação e desenvolvimento da leitura, em que os alunos desempenharam o papel de "Contadores de Histórias", estes são convidados a criar as suas próprias histórias passando, assim, a desempenhar o papel de "Escritores".

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Viajando com Fernando Pessoa

O poema de Fernando Pessoa “No comboio descendente” foi o ponto de partida para a proposta de um grupo de formandas de Estremoz. A disciplina de Português, no âmbito do estudo do texto poético, em articulação com a biblioteca escolar e outras áreas do currículo, deu origem a esta proposta de trabalho. Assinalamos a qualidade das ilustrações produzidas pelos alunos, no desenvolvimento do projeto.

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Fábulas do Séc.XXI

A reescrita de fábulas deu o mote a esta proposta de um grupo de formandas de Estremoz. Destacamos o envolvimento de várias disciplinas e a articulação com a Educação Especial e biblioteca escolar. Uma nota especial pelo trabalho artístico produzido sempre em sintonia com as propostas de escrita.

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O balanço foi muito positivo e destacamos a disponibilidade de todos os professores. Acreditamos que, ao serem promovidos momentos de imersão na escrita, se favorece a melhoria desta competência e o desenvolvimento do raciocínio lógico-argumentativo dos alunos, facilitando a adequação às necessidades e interesses dos alunos e a comunicação na comunidade escolar.

Ao melhorarem a expressão escrita e o domínio da língua portuguesa potencia-se ainda a participação dos alunos no mundo que os rodeia, o que tem um impacto significativo no seu sucesso académico e pessoal.

Bibliografia

  1. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Diário de escritas com a biblioteca. https://www.rbe.mec.pt/np4/DiarioEscritas.html
  2. Ministério da Educação (2021). 1.1.3. Diário de escritas. https://escolamais.dge.mec.pt/acoes-especificas/113-diario-de-escritas
    📷dotmatchbox at flickr,CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

 

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