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Blogue RBE

Ter | 26.03.24

Conferência “ALL TOGETHER IN THE WEB: Os (DES)Encantos da Inteligência Artificial”

 

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No dia 15 de março de 2024 assinalou-se o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores. Para comemorar esta data, a Consumer International selecionou o tema “Inteligência Artificial justa e responsável para os consumidores”, com o objetivo de alertar e sensibilizar todos os cidadãos, mas, sobretudo, os mais jovens, para um consumo inteligente e seguro, enquanto utilizadores desta tecnologia.

É muito importante que as novas gerações de nativos digitais, ávidas do uso das tecnologias mais recentes em todas as dimensões da sua vida, reflitam bem sobre estas questões, para que possam ser consumidores digitais responsáveis, atentos aos desafios éticos e de privacidade que a Inteligência Artificial (IA) nos coloca.

A IA está a revolucionar a forma como trabalhamos nas diversas áreas, recolhemos a informação de que necessitamos e comunicamos entre nós. Contudo, esta revolução acarreta a exposição a vários riscos sérios, nomeadamente, violações de privacidade, utilização de dados pessoais sem permissão, disseminação de informações falsas e propaganda de preconceitos.

Neste sentido, a DECOJovem, no âmbito da iniciativa Sitestar.PT 11 (parceria DECO e .PT) promoveu e realizou a CONFERÊNCIA “ALL TOGETHER IN THE WEB: Os (DES)Encantos da Inteligência Artificial”, no passado dia 15 de março de 2024, das 10h30 às 12:00 horas, na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, tendo estado, também, aberta via online, por forma a abranger um maior número de escolas, a nível nacional.

Esta iniciativa teve como objetivo principal o desenvolvimento de competências digitais para uma cidadania mais ativa e mais inclusiva.

A Rede de Bibliotecas Escolares, parceira neste projeto, esteve presente na sessão e fez a divulgação nos canais virtuais de contacto, tendo incentivado a participação das bibliotecas escolares, por se tratar de um tema essencial, que nos interpela no nosso dia a dia e nos coloca perante responsabilidades acrescidas.

A conferência começou com uma breve comunicação por parte do jovem mediador que orientou a sessão e apresentou, ,entusiasticamente, todos os conferencistas convidados. No entanto, nesta fase inicial, quem se dirigiu ao público (presente e a distância) foi um ‘avatar’ do apresentador, num vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) a partir de uma fotografia, acrescentando-lhe a voz e os movimentos da boca.

Este foi o ponto de partida para as conversas que se seguiram, sob diferentes perspetivas, conduzidas por diversos comunicadores, que interagiram com o público presente na sala da escola que acolheu a iniciativa.

De uma forma dinâmica e direcionada para as questões trazidas para a discussão, cada conferencista foi introduzindo temas/ problemas no âmbito da IA, começando por colocar a ‘grande’ questão – o que é real (verdadeiro) nos dias de hoje, quando falamos do mundo virtual?

Foi explicado aos alunos que a IA usa dados e encontra padrões, e os algoritmos vão rapidamente perceber os nossos gostos e as nossas preferências, a partir das pesquisas que vamos efetuando, nas diversas plataformas a que recorremos diariamente, começando a escolher por nós (substituindo-nos), no sentido de prolongar o tempo de utilização ao máximo.

As comunicações foram-se seguindo, trazendo pontos de vista diversos, mas fundamentais para alertar os jovens consumidores. Soubemos que um dos objetivos da IA é tornar o universo virtual cada vez mais apelativo, mas cada vez menos verdadeiro. Segurança, Decisão, Interação e Pesquisa são questões a ter em conta por todos nós, cada vez com maior premência.

Um exemplo da falta de privacidade a que estamos sujeitos hoje é o conhecimento, a todo o instante, que as grandes operadoras de redes e serviços online, mas também os motores de busca, têm sobre nós, onde nos encontramos, o que fazemos e quais as nossas preferências…

Dizia um dos comunicadores: em algum momento, todos vamos ser enganados! Por essa razão, apelou a uma atenção redobrada e à necessidade de verificar os factos e a informação obtida, reafirmando que, daqui a 2 ou 3 anos, a maior parte dos conteúdos online corre o risco de ser mesmo falsa.

Na sequência da conferência, foi-nos dito que a interação humana é já um verdadeiro desafio a transpor, em oposição à sobrevalorizada  interação virtual.

Aos alunos foi colocada a pergunta se achariam que faria sentido ser a IA a responder às solicitações dos TPC e, se essa opção seria, de facto, um ato de aprendizagem (ou consolidação da mesma) ou se se trataria apenas de dar instruções a um ‘robot’, apenas com a vantagem de evitar trabalho e usar esse tempo e energia para outras atividades… A maioria concordou que esta seria uma má opção e uma utilização incorreta da IA, em contexto de aprendizagem.

A IA pode funcionar em situações de ensino e aprendizagem, mas como mentora e, assim, ter um papel impulsionador do conhecimento. Em situação de consulta, por exemplo, de plataformas como o ChatGPT, devem ser seguidas regras muito concretas na interação: especificidade, contexto e restrições. Deste modo, a obtenção de respostas será mais acertada e produtiva. O conselho é: rever sempre o output, trabalhar os conteúdos obtidos para os adaptar ao tipo de audiência e, sempre, confirmar os factos!

Questões como a justiça e a responsabilidade por parte da IA foram igualmente abordadas. Os jovens, público vulnerável, serão os que mais necessitam de esclarecimentos quanto aos perigos da utilização destas ferramentas. Muitos são os casos de abuso de divulgação de conteúdos pessoais, sem qualquer autorização do seu autor.

Na geração de imagens de forma ilícita, o direito à proteção de dados fica comprometido. A União Europeia (EU) tem estado atenta a estas questões e tem criado regulamentação para evitar partilha de dados ativos digitais (como a íris), bem como para alertar e proteger os cidadãos quanto a conteúdos que apelam ao ódio.

Os alunos foram aconselhados a fazer uma denúncia às autoridades sempre que se deparem com as chamadas deep fakes.

A Organização das Nações Unidas (ONU) começou recentemente (o primeiro debate aconteceu há cerca de 7 meses) a analisar e a discutir a capacidade da IA para potenciar a guerra, sendo uma ameaça real à manutenção da paz.

Um dos oradores fez uma analogia interessante entre sustentabilidade e coração e entre digitalização e cérebro.

No final, a mensagem essencial que nos parece importante reter é a de que todos devemos aprender a proteger-nos das (reais) ameaças virtuais, fazendo um uso responsável e cuidadoso das potencialidades da IA, através do esclarecimento e da regulamentação, com vista a uma plena aceitação e a um aproveitamento informado desta tecnologia, que veio para ficar.

Se pretender aceder à conferência, ela está disponível:

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