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Photo by Karen Maes on Unsplash

A biblioteca escolar desenvolve a aprendizagem das artes e cultura através de uma abordagem integrada e flexível que valoriza o contexto e aspetos interdisciplinares da arte e cultura e local, alicerçada na participação e desenvolvimento da comunidade.

 

Abordagem/ Modelo 1. Visão integrada

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A biblioteca escolar reconhece que é fundamental desenvolver o potencial criativo de todas as crianças e jovens através da educação artística e cultural, direito universal consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigos 22.º, 26.º, 27.º), Convenção dos Direitos da Criança (artigo 29.º) e Constituição da República Portuguesa (artigos 42.º, 73.º, 74.º, 78.º).

Trabalha a arte e a cultura de forma integrada no currículo, a partir de atividades e projetos de qualidade, centrados na criança ou jovem, que promovem valores universais e ajudam a alcançar direitos individuais.

É no contexto de iniciativas que induzem à leitura, resolução de problemas, exploração de ideias, questionamento, reflexão crítica, discussão, argumentação, voluntariado, comunicação - e que abordam temas de arte, ciências, matemática, humanidades, media - que arte e cultura acrescentam inteligência, sensibilidade e significado à vida destes cidadãos.

O professor bibliotecário deve encontrar nestas atividades um momento para as crianças e jovens contactarem e apreciarem trabalhos da vida cultural e artística da comunidade (livros, filmes, exposições, concertos, representações teatrais) ou participarem livremente, exprimindo através da escrita, audiovisual, teatro, produção sonora, digital, uma visão própria que reflita criatividade e superação. Esta oportunidade de expressão artística motiva o encontro e diálogo, vivo e simultâneo, no espaço e no tempo, com a comunidade, cuja ligação é alargada e aprofundada. Neste trajeto é importante valorizar-se o processo e o produto deste trabalho.

Esta abordagem incentiva a educação:

- Através das artes e cultura, que estimula a compreensão e alarga a vivência do que as crianças e jovens aprendem e do modo como aprendem, articulando áreas científicas e saberes e promovendo a cidadania ativa - cada um é produtor e ator e não simples consumidor e espetador, aprendendo o valor do fazer e do trabalho (Dewey). Artes e cultura tornam as aprendizagens mais flexíveis, desenvolvendo competências de acordo com o previsto no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.

- Para as artes e cultura, promovendo o seu livre acesso, preservação e recriação.

Enquanto estrutura que interliga todas as áreas curriculares, a biblioteca não trabalha a arte pela arte, de forma autónoma, mas como domínio que ajuda a descobrir, elevar e transformar positivamente a vida de cada um e da comunidade.

 

Abordagem/ Modelo 2. Valorização da cultura de cada um, do património de proximidade e dos parceiros

De acordo com o Roteiro para a Educação Artística 1 da Comissão Nacional da UNESCO e do Governo de Portugal,  “Qualquer abordagem à Educação Artística deve ter como ponto de partida a(s) cultura(s) a que o educando pertence. Criar confiança com base num profundo apreço pela cultura de cada um é o melhor ponto de partida possível para explorar e subsequentemente respeitar e apreciar a cultura dos outros. Para isso é fundamental reconhecer a perpétua evolução da cultura e o seu valor nos contextos histórico e contemporâneo” (p. 10).

Neste contexto, a biblioteca escolar promove a aprendizagem artística e cultural, primeiramente, em ligação ao património local, de proximidade, porque este:

- Proporciona uma relação, formal e informal, precoce, holística (física, intelectual, emocional e afetiva) com a arte e o património natural e cultural;

- Democratiza o acesso, tornando-o, efetivamente, um bem comum partilhado e ao alcance de todos;

- Enraizando-se numa educação contínua e consistente, potencia a conservação do património local – “Em muitos países estão continuamente a perder-se aspetos tangíveis e intangíveis das culturas porque não são valorizados no sistema educativo ou não estão a ser transmitidos às futuras gerações” (p. 9) – e a exploração e descoberta de novos e diversos elementos e a sua recriação, contrariando a tendência uniformizadora e massificadora da globalização;

- Favorece o sentido de pertença, entreajuda e responsabilização que gera disponibilidade e cuidado na sua preservação e disseminação. Elementos arquitetónicos e simbólicos, histórias de vida, peças de museu, ferramentas artesanais, espetáculos e percursos locais que fazem parte do território que cada um habita conquistam visibilidade e reconhecimento social;

- Beneficia o desenvolvimento sustentável das comunidades que, de acordo com a Agenda 2030, não segue um modelo único, pois deve ser integrado no contexto local e adaptado às necessidades reais das pessoas que nele habitam.

Usar a arte e cultura locais como recurso de aprendizagem e inspiração para repensar o passado e desenhar novas ideias para o futuro, implica forte conhecimento e ligação aos parceiros locais - autarquia, empresas, bibliotecas e arquivos, centros de arte e cultura, academia e escolas, associações - incluindo as famílias, cada vez mais chamadas a participar na educação. Os parceiros podem apoiar atividades ou projetos de colaboração, contribuir com recursos humanos e formação em matérias específicas das artes ou cultura e proporcionar experiências e práticas. Esta é uma perspetiva em que arte e cultura são trabalhadas e (re)criadas com a comunidade.

Há questões emergentes sobre representatividade de todos na arte e cultura que impõem um olhar crítico sobre este legado. Sem apagar o passado, levam-nos a acrescentar memórias à história e património que só reforçam o valor e riqueza desta herança que é marca profunda da nossa humanidade e inteligência.

 

Referência

1. Comissão Nacional da UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística – Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf



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