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Blogue RBE

Ter | 23.01.24

Cientificamente provável: esclarecer e empoderar os/as jovens

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O ‘Ano Internacional da Juventude: Participação, Desenvolvimento e Paz’, estabelecido em 1985, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, marca um momento decisivo na preocupação para com os direitos e as necessidades específicas dos jovens.

Desde então, para efeitos estatísticos nos diversos estudos que têm sido realizados – nos âmbitos da educação, emprego, saúde, etc., - a ONU entende como ‘jovens’ todos as pessoas entre os 15 e os 24 anos de idade (ONU, s.d.). No entanto, na ‘Convenção sobre os Direitos da Criança’, a mesma ONU define como “criança” todo/a aquele/a que tenha até 18 anos de idade – justificando-se esta extensão dilatada pelo intuito de estender a égide e proteção das Nações Unidas a um grupo etário o mais amplo possível.

Assim, os jovens entre os 15 e os 18 anos são abrangidos por ambos os estatutos. Efetivamente, esta faixa etária corresponde a uma fase de transição, na qual, em muitos países, não obstante não se possuir ainda a maioridade, são já reconhecidos um conjunto de direitos e deveres de cidadania.

Essa faixa etária corresponde ainda à frequência escolar do ensino secundário ou equivalente (com denominações diversas consoante as nações). Fase durante a qual se reconhecem, aos jovens, competências e capacidades decisionais para tomar um conjunto de opções relacionadas com a sua vida profissional, em articulação e sequência da sua vida escolar: concretamente, optar, por um ensino secundário de tipo científico-humanístico ou profissional; e, depois dele, seguir para estudos superiores ou diretamente para o mercado de trabalho, com ou sem passagem por alguma componente de formação.

Tais competências e capacidades decisionais deveriam, portanto, corresponder a escolhas autónomas e livres. Tal acaba, muitas vezes, por não acontecer, tendo em conta os diversos constrangimentos, socioeconómicos, regionais/ locais, familiares e outros, que se interpõem como obstáculos à autonomia dos jovens para decidirem sobre o seu futuro.

O programa Cientificamente Provável pretende constituir-se como um contributo para a diluição de obstáculos e o avigoramento das possibilidades de escolha dos e das jovens a respeito do seu futuro.

Estabelecido na charneira entre o Ministério da Educação e o da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, este programa visa oferecer o enquadramento para que as escolas – através das bibliotecas escolares - e as entidades de ensino superior acordem num conjunto estruturado de atividades que tenham como foco aumentar o esclarecimento dos/as jovens relativamente aos contextos que os/as esperam depois da escolaridade obrigatória, apoiando a sua agência relativamente à definição do seu futuro profissional.

Significativamente, as ‘recomendações’ do Relatório Mundial sobre Juventude (ONU, 2020) sugerem a inclusão de conhecimentos e competências na área do empreendedorismo nos curricula escolares.

A questão é que não se pode esperar dos/as jovens uma autonomia que não estejam em condições de exercer. E no que respeito às decisões sobre o caminho pós-secundário, os obstáculos são, essencialmente, de duas ordens:

  • Contexto socioeconómico e familiar

A frequência de ensino superior implica despesa; e adia, por alguns anos, a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho e auferir o correspondente salário. Nas famílias economicamente mais frágeis, este é um fator de peso, avolumado quando, por motivos geográficos, a distância à instituição de ensino superior implique grandes deslocações, ou mesmo residência temporária, fora da morada familiar.

Apesar de as estatísticas reiteradamente confirmarem que os níveis de rendimento auferidos por trabalhadores com o ensino superior se situam bastante acima dos que não possuem além do secundário, a diversidade de situações concretas e a persistência de informação incorreta a este respeito faz com que, em muitas famílias, se considere que o investimento em estudos superiores não compensa.

  • Pré-conceitos e receios associados ao ensino superior

O desconhecimento relativamente às instituições de ensino superior faz muitas vezes recear um ambiente hostil, elitista, ou um grau de exigência para o qual se considera não estar preparado/a. A expressão ‘a faculdade não é para mim’ ou ‘não é para o meu filho/ a minha filha’ denota, na sua vaguidade, a ansiedade de muitos/as jovens e das suas famílias relativamente à prossecução de estudos superiores.

Por outro lado, o desconhecimento quanto às saídas profissionais de cada área e curso, não permite aos/as jovens antever as suas possibilidades de construção de carreira; o que vem a acrescentar-se à volatilidade e instabilidade atual dos contextos laborais, relativamente aos quais se vulgarizou dizer que ‘a maior parte dos empregos do futuro ainda não foram inventados’ - o que naturalmente, só o futuro confirmará.

 Informar, desmistificar e empoderar são, por todas estas razões, as palavras-chave que devem estar na mente dos/as professores/as bibliotecários/as que desenharem as iniciativas no âmbito do programa Cientificamente Provável: disponibilizar aos/as jovens informação e conhecimento sobre as áreas profissionais ao seu dispor; desmistificar o acesso e a frequência de níveis superiores de ensino, seja em que domínio for; e apoiarem os/as jovens no assumir das suas decisões.

Pela sua criatividade e agência, o papel dos/as jovens na construção de sociedades mais prósperas e desenvolvidas tem sido crescentemente reconhecido. Não é apenas por eles/as que a nossa preocupação comporta sensatez:

A participação e empoderamento da juventude são os principais impulsionadores do desenvolvimento sustentável e da paz em todo o mundo” (ONU, 2020).

Expressivamente, eles/elas têm sido chamados os/as “portadores de tochas” da Agenda 2030 (ONU, s.d.). Tais são as expectativas que devemos depositar na forma como assumem, com crescente seriedade, o papel de transformadores do seu, e nosso, mundo.

Referências

  1. Organização das Nações Unidas. Centro Regional de Informação para a Europa Ocidental. (s.d.). Juventude. https://unric.org/pt/juventude/ Acedido a 18 de janeiro de 2024.

  2. Organização das Nações Unidas. (2020). World Youth Report: Youth Social Entrepreneurship and the 2030 Agenda. https://www.un.org/development/desa/youth/world-youth-report/wyr2020.html Acedido a 18 de janeiro de 2024.

  3. 📷 [1]

 

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