Celebrar a filosofia para melhor pensar e questionar o mundo atual
por Júlia Martins*

Hoje é Dia Mundial da Filosofia
Em 2002 a UNESCO instituiu o Dia Mundial da Filosofia, como resultado de uma necessidade da humanidade, cada vez mais urgente, a de refletir sobre os acontecimentos atuais, fomentando o pensamento crítico, criativo e contribuindo assim para a promoção da tolerância e da paz. Desde então, todos os anos, na terceira quinta-feira de novembro, celebra-se o Dia Mundial da Filosofia, uma iniciativa da UNESCO que reconhece a relevância da filosofia para o desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo.
A filosofia nasce do espanto. Inquieta-nos. Ensina-nos a questionar. A olhar atentamente e a escutar. A analisar e a compreender o mundo de forma profunda — competências essenciais no século XXI, marcado pela rápida transformação tecnológica e pelo crescimento exponencial da informação. Cada vez mais, a filosofia desempenha um papel essencial na nossa construção como pessoas, mas essencialmente enquanto cidadãos ativos e participativos. Neste sentido, a filosofia exercita-nos a averiguar, a examinar criticamente argumentos, a distinguir entre factos e opiniões, a identificar pressupostos implícitos e a questionar conclusões aparentemente óbvias, assim como as fontes da informação disponibilizada. Assim, a filosofia contribui significativamente para que cada um de nós se questione, de modo a compreender melhor o mundo atual, onde a informação circula com rapidez e nem sempre é fiável.
No contexto escolar, o desenvolvimento do pensamento crítico prepara os alunos para serem cidadãos informados, capazes de tomar decisões conscientes, de questionar narrativas e de interagir de forma ética com a sociedade. Em tempos de desinformação, polarização e avanços tecnológicos rápidos, a filosofia é uma necessidade social. Urge ensiná-la. Divulgá-la. Praticá-la. O exercício constante do pensamento crítico deve ser o lema: pensar antes de agir, avaliar a validade das informações, interrogar algoritmos e inteligências artificiais, ponderar os limites éticos e compreender a complexidade das sociedades contemporâneas.
Naturalmente, tudo isto não se aprende apenas nas aulas de Filosofia. É aqui que as bibliotecas escolares podem, e devem, desempenhar um papel crucial. Elas são espaços essenciais para a promoção do pensamento crítico, oferecendo acesso à informação diversificada, à leitura (incluindo leitura reflexiva), à pesquisa autónoma e ao desenvolvimento de diferentes literacias.
Na concretização deste propósito, elas podem:
1. Organizar debates e clubes de filosofia, fomentando o questionamento e a argumentação
2. Disponibilizar recursos sobre ética, ciência, tecnologia e Inteligência Artificial, permitindo que os alunos confrontem diferentes pontos de vista
3. Ser laboratórios de literacia digital e mediática, onde se aprende a usar ferramentas como a IA de forma responsável.
A biblioteca escolar é um espaço de aprendizagem crítica, alinhando-se com os objetivos do Dia Mundial da Filosofia.
Celebrar a Filosofia é, assim, uma oportunidade para comemorar o pensamento crítico em todas as idades. Nas escolas, nas salas de aula e nas bibliotecas, esta celebração deverá transformar-se em ação: ler, discutir, questionar e criar ferramentas de pensamento crítico, livre e autónomo. Num mundo em que a Inteligência Artificial se torna cada vez mais presente, estas competências não são apenas desejáveis, são essenciais para que todos possam usar esta ferramenta da forma mais adequada e eficiente.
Para celebrar a Filosofia leia livros de filosofia. Aqui ficam algumas sugestões:

Alice, curiosa e ansiosa, é uma rapariga do seu tempo: inquietam-na as alterações climáticas e o futuro da Humanidade. Procura referências para agir, um lema que a oriente.
Atravessando séculos e civilizações à procura de respostas, Alice embarca numa fascinante viagem pelo País das Ideias: dialoga com Sócrates e entra na caverna de Platão, escuta Buda, conhece Montaigne, Descartes, Voltaire e Nietzsche, e deita-se no divã de Freud. A cada novo encontro, toma consciência que as ideias, longe de serem conceitos estéreis e separados de nós, são o que nos permite compreender o mundo e mudá-lo.
Da Roma antiga à Viena do início do século XX, de Platão a Confúcio, Alice no País das Ideias não é apenas uma aventura intemporal pela história do pensamento: num mundo cada vez mais polarizado, é um convite à reflexão, uma ode à dúvida e à liberdade de pensar - e à liberdade de mudar de ideias.” [sinopse disponibilizada pela editora]
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Publicado pela primeira vez em Itália em 1958 e assinado sob o pseudónimo joyceano Dedalus, Filósofos em Liberdade marcou a surpreendente estreia de Umberto Eco num género que o próprio definiu como «ensaio ligeiro». O livro, que pode ser lido como uma hilariante introdução em verso à história da filosofia e também como um jogo para iniciados, teve origem nas caricaturas que Eco desenhava durante as conferências de filosofia que frequentou na sua juventude. A estas caricaturas acrescentou posteriormente os «pequenos poemas» que as acompanham nesta edição. Embora sempre os tenha considerado meros divertimentos, também insistia no seu absoluto rigor científico.
«Brincar sim, mas seriamente» é o lema do autor no prólogo escrito muitos anos depois para a publicação de um volume já assinado com o seu nome, a que se juntou uma série de textos sobre Marcel Proust, James Joyce e Thomas Mann (por quem sentia uma autêntica devoção), e ainda vários apêndices escritos ao longo de décadas que abordam outras questões, igualmente sérias, com a mesma e quase necessária leveza. “[sinopse disponibilizada pela editora]
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“Afinal, o que é a filosofia? É o que aqui se pergunta a alguns protagonistas da sua história — Platão, Aristóteles, Agostinho, Kant, Wittgenstein e Heidegger —, sem, contudo, se pretender fazer história da filosofia. A filosofia é uma actividade que procura descobrir a verdade sobre «as coisas», «o mundo», os «outros», enfim, sobre «si próprio». Não se tem, por isso, uma filosofia. Faz-se filosofia.
A filosofia é uma possibilidade. E aqui começa já um problema antigo. Não é a possibilidade menos do que a realidade? Não é o possível só uma ilusão? Mas não será o sonho, a ilusão, como dizia Valéry, o que nos distingue dos animais? Toda a pergunta está em tensão para uma resposta. Uma não existe sem a outra. Fazer a pergunta «o que é a filosofia?» é já, de algum modo, percorrer o caminho de uma resposta possível.” “[sinopse disponibilizada pela editora]
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“Bem-vindos ao planeta Terra!
O mundo pode parecer muito confuso, sobretudo se acabámos de aqui chegar. Para melhor compreendê-lo, vamos explorar o nosso planeta e ver como vivemos. Estes apontamentos são um guia para essa viagem...
Escrito por Oliver Jeffers nos dois primeiros meses de vida do seu filho, e procurando explicar-lhe as várias coisas que achava que ele precisava de saber, este é um livro vivo e afectivo sobre o modo como o planeta e os seres humanos devem ser amados e respeitados.”
[sinopse disponibilizada pela editora]
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“Número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é burguês, os moradores são gente rica e tradicional. Tudo parece um quadro em que não há movimento: cristalizado, bem organizado, eterno. Mas há duas pessoas que parecem não encaixar.
Para começar, temos Renée, que parece a porteira clássica: baixota, rezingona e sempre pronta a fechar a porta na cara de alguém. Na verdade, estamos na presença de uma observadora perspicaz, ora terna, ora ácida, e uma autodidata que esconde bem o seu verdadeiro eu: uma grande apaixonada por livros e arte.
E depois temos Paloma, a filha mais nova da família Josse, que destoa dos pais e da irmã. De tal modo, que se impõe um desafio terrível: ou descobre algum sentido para a vida, ou comete suicídio no dia em que fizer treze anos. Mas, enquanto a data não chega, mantém dois conjuntos de anotações pessoais e filosóficas, os Pensamentos profundos e o Jornal do movimento do mundo: são os relatos das suas experiências íntimas e da vida no prédio.
As duas filósofas, Renée e Paloma, estão inteiramente entregues ao olhar sobre aquelas pessoas tão diferentes delas, àquele mundo onde parecem não pertencer. Mas, um dia, chega um novo morador ao bairro. Kakuro Ozu, um alegre senhor japonês, poderá bem ser o terceiro elemento de um trio perfeito, redentor, que salvará Renée e Paloma da mediocridade e dos espinhos da vida.” [sinopse disponibilizada pela editora]
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“Mais de 200 conceitos chave da filosofia ocidental explicados com imagens compreensíveis, frescas e inovadoras, que de um modo acessível iluminam processos mentais de grande complexidade e abstração. De Tales a Derrida, passando por Schopenhauer, por fim a filosofia ao alcance de todos”
[sinopse disponibilizada pela editora]
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“De acordo com Byung-Chul Han, uma das mais inovadoras vozes filosóficas surgidas na Alemanha, o Ocidente está a tornar-se uma sociedade do cansaço.
Segundo este autor germano-coreano, qualquer época tem as suas doenças caracte- rísticas. Houve uma época bacteriana, que terminou com a descoberta dos antibióticos.
A época viral foi ultrapassada através das técnicas imunológicas, apesar dos periódicos receios de uma pandemia gripal.
O início do século XXI, do ponto de vista patológico, seria sobretudo neuronal. A de- pressão, as perturbações de atenção devidas à hiperatividade e a síndroma do desgaste profissional definem o panorama atual.” [sinopse disponibilizada pela editora]
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“Edição comemorativa dos vinte anos da tradução integral da Ética a Nicómaco. Um livro fundamental para a cultura do Ocidente. Ética a Nicómaco trata da felicidade como projeto essencial do ser humano. Das virtudes, da sensatez, do que se pode e do que se deve fazer. Trata da possibilidade de se existir de acordo com as escolhas que fazemos. De se ser autónomo, de viver com gosto. Trata da procura do prazer pelo prazer – e do prazer pela honra. Da justiça. Das formas de vida que levam à felicidade. Da procura do amor. É um livro fundamental para a cultura do Ocidente.” [sinopse disponibilizada pela editora]
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* Júlia Martins
Acredita no poder da leitura. Dar a ler é um desafio que gosta de abraçar. É leitora e frequenta, de forma assídua, Clubes de Leitura. Saiba mais
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