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Imagem: Júlio Pomar




Ainda a propósito de Camilo e do seu Amor de Perdição, um artigo do Público discute as razões pelas quais este é o romance mais valorizado do autor.

Por que motivo, entre os tantos livros que o génio compulsivo de Camilo nos deixou, haveria este romance em particular de conquistar os favores da posteridade e alcançar um estatuto suficientemente icónico para se lhe renderem preitos geralmente reservados aos autores, e não às obras? O ensaísta e camilianista Abel Barros Baptista acredita que o próprio escritor, com o já referido prefácio de 1879, possa ter "contribuído para criar a ideia de que este livro é mais importante do que os outros". Baptista lembra que Camilo, nesse texto, caracteriza o sucesso editorial da obra como "um êxito fenomenal e extralusitano". À sua escala, o Amor de Perdição foi, de facto, aquilo a que hoje chamaríamos um best-seller: no primeiro quartel do século XX, já atingira vinte edições. Mas o próprio Camilo sempre lhe preferiu O Romance de Um Homem Rico, que publicara no ano anterior, e os camilianistas de várias épocas foram assumindo predilecções diversas.


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RBE


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