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Blogue RBE

Qui | 25.01.24

Bibliotecas escolares –  detalhes que transformam

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São várias as metáforas que, comummente, se podem associar à biblioteca escolar:

coração da escola; farol do saber; jardim do conhecimento; oficina da imaginação…

No entanto, para que estas metáforas se consubstanciem, é fundamental valorizar e cuidar do espaço físico da biblioteca. Assim, para além das questões associadas à sua localização e acesso; climatização e iluminação, urge repensá-la em termos de organização do espaço e da coleção, mobiliário e equipamento.

Sabemos que a biblioteca é um ecossistema formado por vários elementos, muito centrado nas expectativas e necessidades dos seus utilizadores e que se quer o mais equilibrado possível. Parece, por isso, óbvio que a primeira preocupação a ter se prenda com a sua localização. Esta deve ocupar um espaço central e bem localizado da escola (preferencialmente, no piso térreo e por onde todos os utilizadores passem).

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Não sendo possível garantir esta localização privilegiada, há que fazer todos os possíveis para que a biblioteca não passe despercebida:

📍 Vamos utilizar uma sinalética eficaz e atrativa em loca indicando a direção e a localização da biblioteca, por exemplo, com setas, cores vibrantes e mensagens apelativas que convidem os utilizadores a conhecer/frequentar o espaço?

📍 E se transformarmos a entrada da biblioteca (com elementos visualmente cativantes) para que os alunos se sintam motivados a entrar e a conhecer o espaço? Podemos até criar, por exemplo, uma mensagem de boas-vindas personalizada e positiva que os valorize!

📍 Também será interessante publicitar, na entrada e nos corredores da escola (vitrines/placares), as atividades, recursos e novidades da biblioteca. Mas atenção, é necessário criar, desde o início, um protocolo de atualização regular desses espaços…

📍 E que tal levarmos a biblioteca para “fora da biblioteca”:

  • preparando pequenos eventos ou atividades nos espaços mais concorridos da escola (leituras encenadas, flash mobes…), atraindo a atenção dos alunos para a biblioteca…

  • distribuindo panfletos, marcadores de livros ou brindes relacionados com a biblioteca…
  • ...

 

O espaço físico influencia e condiciona o comportamento de quem dele usufrui: um espaço acolhedor, organizado e confortável é muito mais estimulante e potenciador de uma fruição que facilitará a promoção de situações formais e informais de aprendizagem. Assim, para além dos aspetos mais funcionais da biblioteca, terá de existir um foco e um cuidado que permita transformar a biblioteca, em primeiro lugar, num espaço atrativo e proporcionador de bem-estar. Deve ainda ser um espaço flexível e multifuncional, facilmente adaptável a diferentes solicitações e valências.

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Para que a biblioteca seja confortável e se constitua como um local aconchegante e esteticamente agradável, não é imprescindível que o seu mobiliário seja da última moda ou tenha sido recentemente adquirido. Para isso, é sobretudo necessário que seja um local vivido, acarinhado e diariamente observado e intervencionado:

📍 A informação disponível nos diferentes expositores continua atualizada e pertinente ou beneficiaria de uma alteração? Aqueles trabalhos produzidos pelos alunos do 4.º B não poderão dar lugar a nova exposição? Ou a um espaço em branco a aguardar o próximo contributo?

📍 Alguém colocou inadvertidamente um cartaz num espaço envidraçado e por lá continua por distração?

📍 A disposição do mobiliário é a mais funcional ou seria de recolocar esta ou aquela estante, reorganizar certa zona informal, adaptar uma mesa para constituir um espaço criativo…?

📍 Não serão excessivas algumas estantes, algumas mesas, algumas cadeiras? A flexibilidade de que necessitamos não exigirá que repensemos o mobiliário efetivamente necessário?

📍 Os títulos de estante e/ou de prateleira ainda estão de acordo com as sucessivas reorganizações da coleção que vai sendo necessário fazer à medida que esta se desenvolve? Continuam esteticamente agradáveis ou já caíram ao chão tantas vezes que estão danificados e com um aspeto deteriorado?

📍 Mantemos um fundo documental desajustado aos tempos de hoje, apenas porque vai ficando? Ainda são úteis aquelas cassetes VHS que ocupam duas estantes ou aquela enciclopédia que ninguém abre há cinco anos…?

📍 Os livros disponíveis estão todos em condições aceitáveis ou, sem nos apercebermos, foram ficando envelhecidos de tão manuseados? Temos um sistema de deteção sistemática de necessidades de intervenção e restauro fácil e simples que permita minimizar os efeitos do uso?

📍 Os expositores de periódicos têm periódicos verdadeiramente periódicos? Ou os exemplares mais recentes que disponibilizamos são contemporâneos da última vez que se abriu a enciclopédia de que falávamos acima?

📍 E os caixotes cheios de material da última Semana da Leitura (que certamente será reutilizado no final do ano letivo) não teremos forma de os colocar noutro espaço? Ou de os tornar discretos com alguma bricolagem associada?

📍 E a luz? Como a tratamos? Temos uma biblioteca luminosa ou deixamos corridos os estores, escurecendo o espaço e tornando a entrada pouco apetecível? Temos ecrãs que recebem diretamente a luz do sol, impedindo uma visualização mais confortável?

Estes são alguns detalhes que, em conjunto, contribuem para uma experiência de biblioteca obsoleta e pouco motivadora. Obviamente, nenhuma das bibliotecas escolares concentra em si todos os senãos que  , mas estes são apenas alguns aspetos sobre os quais devemos refletir. Teremos algo a aperfeiçoar? 😉

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