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A propósito do lançamento da Pordata, a base de dados que sistematiza toda a informação estatística dos últimos 50 anos sobre Portugal, o líder do projecto, António Barreto, foi entrevistado no Expresso de 27 de Fevereiro. Do estado da nação que vai traçando, citamos o excerto relativo à educação:

P - Houve grandes mudanças, por exemplo na educação, que se massificou. Mas não terá falhado redondamente?
R - Massificar-se já é um êxito, portanto eu não digo que falhou redondamente. Digo que a educação falhou muito nos conteúdos, na preparação, no rigor. Alguns dirão que tudo o que cresce muito depressa e muito maciçamente tem este resultado... Este crescimento foi inigualável na Europa.

P - Vários governos têm dito que se investirmos na educação teremos um país de sucesso. Mas apesar de todo o dinheiro não se vê esse resultado...
R - Essa frase de que o investimento na educação é a principal condição de desenvolvimento é treta. Não está demonstrado em sítio nenhum. Há países que fizeram investimentos e tiveram progressos colossais na educação e não tiveram desenvolvimento económico nem desenvolvimento social. Dou exemplos: os países de Leste até 1990, Cuba. Se não houver investimento privado e público, investimento estrangeiro e renovação das empresas e das indústrias, se não houver crescimento industrial e melhor aproveitamento dos recursos naturais, desenvolvimento social e institucional, a educação pode ser um enorme dispêndio de dinheiro com frutos muito relativos. Em Portugal, a altíssima taxa de desemprego e de emprego desqualificado nos licenciados é um sinal. Há hoje centenas de licenciados a trabalhar em call-centers, o que não desonra ninguém, mas o que vemos é um investimento que não produziu resultados.




Costa, Filipe Santos; Costa, Ricardo - "Se tivesse 20 anos acho que emigrava". Expresso: primeiro caderno. Lisboa, 27 Fevereiro 2010, p. 21

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