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Blogue RBE

Seg | 13.03.23

A Rede de Bibliotecas de São Brás de Alportel

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No pequeno e jovem concelho do interior algarvio, situado entre a serra e o mar, berço de personalidades que marcaram o panorama cultural algarvio e nacional, podemos encontrar a Biblioteca Municipal Dr. Manuel Francisco do Estanco Louro, a primeira biblioteca municipal de São Brás de Alportel.

Localizada no centro histórico da vila de São Brás de Alportel, num espaço onde funcionou uma moagem de cereais, a Biblioteca Municipal foi inaugurada a 1 de junho de 2001, dia do concelho e, simultaneamente, Dia Mundial da Criança e Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça (importante fonte de rendimento e desenvolvimento do concelho desde os finais do século XIX e durante o século XX). Outrora um edifício de alimento para saciar a fome física, futuramente o novo edifício assumir-se-ia como fonte de alimento espiritual e intelectual.

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Num concelho em franco desenvolvimento e crescimento populacional, escolhido por muitos casais jovens para se estabelecerem, a Biblioteca Municipal definiu como prioridade orientar a sua ação de formação para a leitura entre crianças e jovens e, simultaneamente, ser um local de acesso às mais variadas manifestações culturais. Para a concretização desse objetivo, estabeleceu parcerias com diversas entidades, criando em 2003 a Rede de Bibliotecas Concelhia, composta pela Biblioteca Municipal, o Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas (com quatro bibliotecas escolares), o Centro de Documentação da Associação In Loco e a Santa Casa da Misericórdia (através da Biblioteca do Museu do Traje e a Bebeteca do Centro Infantil António Calçada). Ao longo dos anos, esta Rede tem crescido, integrando, informalmente, o Centro de Documentação do Centro de Interpretação e Educação Ambiental “Quinta do Peral”, a Biblioteca da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e a Biblioteca do Grupo Desportivo e Cultural de Machados.

Num meio pequeno, onde as distâncias físicas são diminutas e as limitações de recursos financeiros e humanos são muitas, o trabalho em rede revelou-se o melhor meio de ultrapassar as dificuldades existentes e o recurso mais eficaz para responder aos interesses e necessidades de informação da comunidade.

Criar pontes para eliminar obstáculos em benefício da comunidade é a bandeira que erguemos, diariamente, no cumprimento da nossa missão enquanto profissionais da informação, da formação e promotores culturais. Imbuídos deste espírito de rede, de trabalho colaborativo e serviço público, partilham-se documentos, atividades, equipamentos, inclusive, recursos humanos, de modo a garantir o regular funcionamento dos serviços, independentemente das entidades a que estão afetos.

Foi neste contexto que, em São Brás de Alportel, se iniciaram projetos de promoção e desenvolvimento das literacias da informação, da leitura, dos media e digital, em articulação não só com os parceiros locais, mas também nacionais, como a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e a Rede de Bibliotecas Escolares, esta última representada pela coordenadora interconcelhia, que desempenha um papel ativo na dinâmica da Rede Concelhia.

A nossa prioridade tem sido dotar a comunidade de competências que lhe permitam exercer uma cidadania ativa, alicerçada nos pilares da democracia, inclusão, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade.

Como exemplo, destacamos a criação do portal da Rede de Bibliotecas Concelhia, uma ferramenta onde não só se divulga o trabalho desenvolvido pela Rede, mas também se disponibiliza um conjunto de recursos digitais complementares ao serviço das bibliotecas físicas.

De referir também a organização de eventos partilhados de promoção do livro, da leitura, da escrita, das artes e da transmediação de histórias, como Feiras do Livro e o (En)LEIO de Histórias, em que cada um dos parceiros dinamiza uma atividade.

Esta é uma rede em que cada nó contribui para o crescimento de uma comunidade ativa e interventiva.

Olga Gago
Coordenadora da Biblioteca Municipal