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Blogue RBE

Qui | 25.05.23

A presença em linha das bibliotecas - um processo sempre em construção

Parte 2 - Arquitetura da informação e design

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No seguimento do artigo Como criar uma identidade digital de sucesso (parte 1), damos agora início à publicação de três artigos que mostram exemplos das várias áreas de conteúdo que devem integrar o canal principal da biblioteca escolar.

Para ilustrar estes artigos, serão utilizados exemplos de sítios Web e blogues de bibliotecas escolares que são considerados adequados às temáticas sobre as quais os artigos se debruçam. Ressalva-se, contudo, que estes sítios Web e/ ou blogues estão em processo constante de melhoria, pelo que outros conteúdos e informação aí constantes poderão não estar atualizados.

A organização da informação é uma das áreas fundamentais do trabalho das bibliotecas, com o objetivo de responder de forma eficaz às necessidades dos utilizadores. Este trabalho é tão relevante no espaço físico, como no espaço digital da biblioteca, razão pela qual a definição da arquitetura da informação é uma das primeiras etapas do processo de criação do canal principal (sítio Web e/ ou blogue) da biblioteca escolar.

Definir a estrutura da informação começa com a identificação dos serviços e conteúdos a disponibilizar. Uma boa estratégia para esta etapa é a criação de um mapa mental para organizar e categorizar a informação, hierarquizando-a. Esta base vai apoiar a decisão relativa ao número de páginas e secções a criar, que não deve ser exaustivo. É muito importante, para este processo, conhecer bem os utilizadores da biblioteca escolar e, nas opções a seguir, ter em consideração as suas questões, hábitos e necessidades. A estrutura da informação será o guia da experiência de navegação do utilizador e uma boa experiência de navegação é um fator determinante para o sucesso e a eficácia do serviço online que a biblioteca disponibiliza. 

A designação a atribuir às páginas deve, igualmente, ser cuidada, com a opção por designações claras, objetivas e intuitivas, em detrimento de termos técnicos da área da gestão de bibliotecas.

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Fig. 1- Página inicial das bibliotecas do Agrupamento de Escolas de Mafra

A disponibilização do mapa do sítio e de uma janela de pesquisa constituem funcionalidades que facilitam a autonomia e a fluidez da navegação. Facultar uma área de perguntas frequentes (em lista ou com recurso a um chatbot) é uma boa opção para respostas imediatas a questões recorrentes do utilizador sobre os serviços e recursos da biblioteca.

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Fig. 2 e 3: Mapa do sítio e janela de pesquisa na página das bibliotecas do Agrupamento de Escolas Santa Marta de Penaguião

A página principal é a porta de entrada no espaço digital da biblioteca e corresponde ao serviço de atendimento, realizado em modo autónomo, por parte do utilizador. Deste modo, é importante que contenha as informações base do conteúdo disponibilizado e a forma de lhe aceder.  A informação de cada página adicional, tal como a arquitetura geral do canal, deve ser estruturada e hierarquizada. 

Design

Definida a estrutura do canal principal, importa pensar no seu design. O primeiro contacto do utilizador com o canal da biblioteca é visual, razão pela qual a sua apresentação, em termos visuais e textuais, deve ser objeto de um cuidado particular. Constituem boas práticas a este nível,  apostar na sobriedade, evitar a proliferação de cores e de elementos gráficos, bem como a sobrecarga de informação, opções que cansam, visualmente, o utilizador. 

A organização e apresentação dos elementos essenciais da página, é outro aspeto relevante. Falamos do cabeçalho, do rodapé  e do conteúdo. O cabeçalho deve ser simples e facilmente identificável. O rodapé é a última parte da página, mas é uma área importante de informação, onde  se recomenda incluir os contactos, um formulário de sugestões ou contacto, o acesso às redes sociais da biblioteca ou a outras presenças online, a ligação para a página da escola/agrupamento de escolas e para a rede concelhia de bibliotecas, o logótipo da Rede de Bibliotecas Escolares e a licença Creative Commons. Inserir um botão que permita voltar ao topo, pode ser uma boa opção, sobretudo no caso de páginas iniciais que agregam muita informação.

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Fig. 4- Página inicial da biblioteca da Escola Secundária Raul Proença (Agrupamento de Escolas Raul Proença), Caldas da Rainha.

Relativamente ao conteúdo, a utilidade da informação disponibilizada é um critério relevante para as tomadas de decisão no que  diz respeito à quantidade de informação a disponibilizar. Reduzir textos e imagens ao essencial, manter espaços vazios para não cansar o olhar e eliminar o que não constitui mais-valia, sem comprometer a qualidade, são estratégias que permitem destacar o que é mais relevante, reforçam a pertinência da informação disponibilizada e, por consequência, fidelizam os utilizadores

O canal deve ser visto como um todo e não como uma sequência de páginas autónomas. A coerência interna, a nível gráfico, é importante para auxiliar o utilizador a apropriar-se da arquitetura da informação e a não se sentir perdido na navegação. São exemplos desta coerência a manutenção, em todas as páginas, de alguns elementos, como por exemplo o menu que deve localizar-se no mesmo ponto e apresentar os seus elementos pela mesma ordem, em todas as páginas, bem como a utilização das mesmas fontes em todas as páginas, nas mesmas dimensões.

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Fig. 5- Página relativa a projetos das bibliotecas do Agrupamento de Escolas Santa Marta de Penaguião

O respeito por convenções também constitui uma mais-valia ao serviço do utilizador. Falamos de um conjunto de práticas correntes, em páginas da Internet, como por exemplo, o recurso a um favicon, ao mesmo tipo de botões e designações em todas as páginas do canal (Início, Voltar…) ou ao mesmo tipo de ícones (uma casa para a página principal, uma lupa para a pesquisa na página, os ícones usuais para as várias redes sociais...) são opções que contribuem para a coerência e para a sensação de conforto e segurança na navegação.           

Concluído este trabalho, é útil selecionar alguns utilizadores, um por tipologia, por exemplo, para testarem a página criada e fazerem sugestões. Considerando a rápida evolução da tecnologia, é uma boa prática, posteriormente, rever e melhorar a página, introduzir, por exemplo, novas funcionalidades que possam surgir ou alterar alguma opção que tenha perdido a pertinência.

📷Imagem de capa de Brita Seifert por Pixabay

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