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Blogue RBE

Qua | 06.04.22

À memória de Ross J. Todd

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Dr. Ross J. Todd, Professor Associado de Biblioteconomia e Ciência da Informação (LIS) na Escola de Comunicação e Informação (SC&I) Rutgers em New Brunswick, USA e um especialista de renome mundial na área da investigação em ambientes de informação digital e o papel transformador das bibliotecas escolares no século XXI, morreu no último dia de março de 2022, com a idade de 70 anos.

Ross Todd notabilizou-se pela sua investigação em alfabetização informacional e aprendizagem baseada em evidências e a sua pesquisa focou-se em três grandes linhas inter-relacionadas: entender como as crianças aprendem e constroem novos conhecimentos a partir da informação, a utilização da informação para a aprendizagem e a prática baseada em evidências para bibliotecas escolares.

Com uma generosidade e afabilidade inesgotáveis, foi mentor e fonte de inspiração para inúmeros estudantes de graduação e pós-graduação e para o desenvolvimento das bibliotecas escolares em todo o mundo.

Ross Todd será lembrado pelas suas apresentações inspiradoras em inúmeros fóruns e pela envolvência cativante das suas histórias, que prendiam a atenção dos seus ouvintes.

O seu currículo e obra é invejável e poderá ser consultado no sítio da Universidade onde trabalhava: https://bit.ly/3ucMFK3

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Relativamente ao impacto que o trabalho de Ross Todd teve em Portugal, este terá sido iniciado e alicerçado através da Maria José Vitorino e a BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação) e com as presenças da RBE nas conferências anuais da IASL e IFLA. Desta cada vez mais profunda ligação, podemos salientar, como momentos altos do apoio que deu ao desenvolvimento das bibliotecas do nosso país, a sua presença na 35ª Conferência anual IASL que decorreu em Lisboa em 2006, onde nos apresentou a comunicação: “From Learning to Read to Reading to Learn: School Libraries, Literacy and Guided Inquiry” e onde afirma:

As bibliotecas escolares são sobre o futuro. Eles tratam do desenvolvimento de jovens apaixonados pelo conhecimento; jovens que têm a capacidade de ler a palavra e o mundo, e que podem viver suas vidas como cidadãos reflexivos, informados, conhecedores e produtivos de um mundo cada vez mais interconectado.

Mais tarde, em 2008, apoiou a Rede de Bibliotecas Escolares, como “amigo crítico “, no sentido de aperfeiçoar e apoiar o lançamento do Modelo de avaliação das Bibliotecas Escolares.

A sua ligação e apoio às bibliotecas escolares portuguesas manteve-se sempre incondicional, aceitando generosa e graciosamente o convite para vir a Portugal, como palestrante, no Fólio, em Óbidos ou aos Encontros de Bibliotecas Escolares do concelho de Almada ou ainda em iniciativas promovidas pelas BAD e pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Cruzamo-nos com o caminho de Ross Todd em 2002, aquando da participação no projeto Europeu, GrandSlam, financiado pelo programa Sócrates/ Minerva, sobre o impacto das Bibliotecas Escolares na Europa e nos quais participaram oito países.

Num dos seminários, organizado na Lituânia, Ross Todd apresentou, de uma forma cativante, o estudo realizado no estado de Ohaio e em outros, onde se afirmava que 16 estados norte Americanos não podem estar enganados https://www.scholastic.com/ems/slp/102605/images/slw2_oct05.pdf. Neste documento reúnem-se testemunhos e descobertas de quase uma década de estudos empíricos que provam o impacto mensurável que as bibliotecas escolares e os professores bibliotecários têm sobre os resultados académicos dos estudantes.

Os nossos caminhos cruzaram-se inúmeras vezes e de todos estes contactos com Ross Todd, ficou sempre muito claro o respeito e admiração que ele tinha pela evolução das Bibliotecas Escolares em Portugal. Dava-nos como exemplo e tinha muito orgulho em nós e no nosso trabalho!    

Muito aprendemos com ele: o valor da Biblioteca Escolar ou a Biblioteca Escolar como espaço fundamental para todos os alunos, a resiliência, o acreditar que a mudança é possível, a crença na pessoa e no seu potencial e, claro, que as Bibliotecas Escolares Funcionam!

Há muito consideradas como a pedra angular da comunidade escolar, as bibliotecas escolares não são apenas o espaço dos livros. Em vez disso, porque geridas por profissionais qualificados e formados que sabem trabalhar em colaboração, elas são ambientes de aprendizagem sofisticados no século XXI, oferecendo uma gama completa de recursos que proporcionem oportunidades iguais de aprendizagem a todos os alunos, independentemente dos seus níveis socioeconómicos ou educativos.

Ross identifica as características que distinguem uma boa biblioteca escolar:

- Tem um bibliotecário escolar qualificado (um professor) com formação formal em biblioteconomia e que seja capaz de colaborar com os colegas.

- Disponibiliza uma coleção diversificada de alta qualidade para o seu público-alvo (impressa, multimédia, digital) que apoia o currículo formal e informal da escola, incluindo projetos individuais e de desenvolvimento pessoal.

- Tem uma política explícita e um plano de crescimento e desenvolvimento contínuo.

Guardamos ainda, como guia orientação do nosso trabalho, a definição de biblioteca Escolar que ele foi aperfeiçoando ao longo dos anos e que fixou nas Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolar, de 2015:

A biblioteca escolar é um espaço de aprendizagem físico e digital na escola onde a leitura, pesquisa, investigação, pensamento, imaginação e criatividade são fundamentais para o percurso dos alunos da informação ao conhecimento e para o seu crescimento pessoal, social e cultural.

Foi um privilégio e uma bênção conhecê-lo e aprendermos tanto com ele. Deixou-nos cedo demais. Tinha tanto ainda para nos ensinar...