Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue RBE

Qua | 06.03.24

A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem

Os assistentes virtuais

2024-03-06.png

No artigo de hoje vamos dar continuidade à série “A inteligência artificial (IA) nas bibliotecas escolarese apresentar exemplos de assistentes virtuais gratuitos que podem ser utilizados em contexto de sala de aula e de biblioteca escolar para apoiar o processo de aprendizagem e proporcionar uma experiência personalizada aos alunos.

Os assistentes virtuais, ou chatbots, – ferramentas que utilizam inteligência artificial para interagir com o utilizador e realizar tarefas de forma autónoma - emergem, cada vez mais, como valiosos aliados no ecossistema educativo, oferecendo apoio à aprendizagem dos alunos sob a orientação e supervisão atenta dos professores. Desde a explicação de conceitos complexos até ao auxílio em tarefas específicas, estes modelos podem desempenhar um papel importante, permitindo que os alunos personalizem e reforcem a sua experiência de aprendizagem. Parte superior do formulário

Estes assistentes virtuais podem desempenhar um papel importante no apoio à aprendizagem dos alunos, sob a supervisão dos professores[1], por exemplo em:

  1. Explicação de conceitos complexos: os alunos podem recorrer aos assistentes virtuais para obter explicações claras e detalhadas sobre conceitos complexos em matemática, ciências, línguas e outras disciplinas. Por exemplo, o assistente virtual pode explicar fórmulas matemáticas, princípios científicos ou regras gramaticais.

  2. Auxílio em tarefas e exercícios: os alunos podem solicitar ajuda ao assistente virtual para esclarecer dúvidas em exercícios específicos ou tarefas escolares. O modelo pode oferecer orientação passo a passo, sugerir abordagens para a resolução de problemas e fornecer exemplos práticos.

  3. Prática de línguas estrangeiras: o assistente virtual pode servir como um parceiro de prática para os alunos que querem melhorar as suas competências em línguas estrangeiras. Os alunos podem realizar conversas simuladas, pedir correções gramaticais e obter sugestões de vocabulário.

  4. Apoio na redação e compreensão de textos: os alunos podem recorrer ao assistente virtual para receberem sugestões de melhoria dos seus textos, dicas de escrita e esclarecimentos sobre a estrutura dos textos. Para além disso, o modelo pode criar resumos ou análises de textos complexos.

  5. Revisão de conteúdos: o assistente virtual pode ser utilizado para rever os conceitos aprendidos na sala de aula, esclarecendo dúvidas persistentes e fornecendo resumos de tópicos específicos.

Tal como foi referido no artigo anterior, já estão disponíveis no mercado várias plataformas de tutoria que tiram partido das tecnologias de IA. Contudo, as escolas podem começar a usar, com a devida precaução, as plataformas que disponibilizam assistentes virtuais  de forma gratuita, nomeadamente:

  1. ChatGPT (desenvolvido pela OpenAI): modelo de linguagem baseado em inteligência artificial que utiliza a aprendizagem de máquina para a compreensão e a criação de linguagem natural em respostas a perguntas e diálogos;

  2. Gemini (desenvolvido pela Google) ferramenta de escrita alimentada por IA projetada para auxiliar na criação de ideias e conteúdos de forma criativa e eficaz;

  3. Copilot (desenvolvido pela Microsotf): assistente digital baseado em IA que oferece suporte personalizado em diversas tarefas e atividades, visando aumentar a produtividade dos utilizadores.

Para usar estes assistentes virtuais, devemos usar comandos, os chamados prompts, que guiam os assistentes na realização da tarefa que lhes solicitamos, seja responder a uma pergunta, criar um texto ou apoiar na resolução de um problema.

Os prompts, para serem eficazes e responderem às necessidades dos alunos, devem ser[2]:

  1. Contextualizados: deve ser definido o cenário no qual o chatbot vai ser utilizado, especificando claramente o contexto (por exemplo, aula de Português de 7º ano sobre o texto de opinião), o papel a assumir (por exemplo, tutor de português que apoia um aluno de 12 anos com dificuldades ao nível da leitura e da escrita) e as competências a dominar (por exemplo, características de um texto de opinião);

  2. Específicos: é essencial que as instruções sejam claras e detalhadas, evitando ambiguidades e garantindo que as informações sejam precisas e diretas (por exemplo, explica-me de forma detalhada e com exemplos concretos quais são as características de um texto de opinião);

  3. Simples: deve utilizar uma linguagem simples e acessível, evitando o uso de termos técnicos desnecessários;

  4. Estruturados: é fundamental dizer qual o produto final que se pretende, nomeadamente, o formato, o público-alvo e outras informações específicas relevantes para cada caso (por exemplo, cria uma série de 5 perguntas sobre as características dos textos de opinião em que eu possa testar os meus conhecimentos e corrige-me os erros, explicando-me porque errei).

Para obter melhores resultados, deve fornecer  feedback ao longo da interação com o assistente virtual, para que ele possa ir adequando a sua resposta às necessidades de cada um (por exemplo, não percebi o que disseste; os exemplos são demasiado complexos, têm de ser mais simples).

Os assistentes virtuais podem ser ferramentas valiosas para a aprendizagem, no entanto, à medida que abraçamos os benefícios, é igualmente crucial que os alunos desenvolvam uma compreensão crítica dos riscos associados à IA. Questões como a privacidade, o viés algorítmico e a potencial dependência da tecnologia devem ser abordadas. Capacitar os alunos para avaliar de forma crítica as informações geradas pela IA, compreender o funcionamento dos algoritmos e reconhecer potenciais desafios éticos torna-se fundamental.

Neste contexto, a biblioteca escolar desempenha um papel fundamental ao preparar os alunos para uma utilização mais consciente e responsável da tecnologia, desenvolvendo as competências necessárias para enfrentar desafios éticos e sociais. A biblioteca deve apoiar a formação dos alunos na utilização segura da IA, destacando as limitações desta tecnologia. Os alunos devem compreender as suas restrições, reconhecendo a importância da verificação humana e compreendendo as suas limitações contextuais. Ao promover uma compreensão equilibrada dos benefícios, riscos e limitações da IA, estamos a preparar os alunos para um tempo em que a tecnologia é uma aliada e não uma força desconhecida.

📷 Imagem criada com IA: Copilot

Notas:

[1] No próximo artigo, debruçar-nos-emos sobre o papel que a IA pode ter no apoio aos professores e apresentaremos propostas concretas de utilização da IA.

[2] Já existem várias bibliotecas de prompts, que poderão ser utilizadas pelos professores, como por exemplo https://www.aiforeducation.io/prompt-library

___________ ________________________________________________________________________________________________________

Veja também - Série: A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares

 

Uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem

(Blogue RBE, Qua | 14.02.24)

 

 

Desafios e Oportunidades

 (Blogue RBE, Qui | 07.12.23)

 

 

Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

(Blogue RBE, Qua | 10.01.24)

_____________________________________________________________________________________________________________________