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Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/c%C3%A9rebro-mente-psicologia-id%C3%A9ia-2062057/

Este tema tem vindo a ganhar centralidade nos discursos e prioridades identificadas por organizações internacionais de referência (Unesco, OCDE, Conselho da Europa, Nações Unidas, UNICEF, IFLA...) e em políticas educativas, como acontece em Portugal com o Plano Nacional das Artes.

Também o gabinete responsável pela execução do Programa Rede Bibliotecas Escolares (RBE) em Portugal instituiu a questão da cultura e das artes como uma das prioridades para a ação das bibliotecas escolares em 2020/21 e, como forma de a tornar visível, disponibiliza na sua biblioteca escolar digital uma recolha de museus presentes no mundo virtual que pode ajudar as bibliotecas a desenharem atividades e a impulsionarem experiências educativas inovadoras nas escolas.

A educação para uma cultura participativa, crítica e mediática, aliada a uma aprendizagem aberta e em rede, emerge como um dos grandes desafios educativos do século XXI. Tais desafios exigem pensamento e articulação de políticas orientados para a coesão social, vivência democrática, inovação e igualdade de acesso à educação, onde o papel do processo cultural não pode ser subestimado.

Mas, o que torna a arte tão importante para a educação a ponto de lhe dedicarmos uma atenção especial e uma parte substancial de recursos e da nossa força anímica? Por que razão a arte deve ser incorporada, de forma mais transversal, no processo de ensino aprendizagem?

Se pensarmos do ponto de vista do valor da própria arte, embora não exista uma resposta amplamente consensual (arte, é uma palavra aberta que incorpora uma multiplicidade de sentidos e modos de compreensão), há uma aceitação, mais ou menos generalizada, de que que o seu valor reside nos efeitos que produz na nossa cognição (as sensações que a arte provoca conduzem-nos a novas maneiras de ver, ouvir, sentir, imaginar e pensar).

Também vários estudos (Cf. El arte por el arte? ; Measuring Innovation in Education 2019) e relatórios de organizações internacionais (p.ex. Re | Pensar as políticas culturais- Criatividade para o desenvolvimento 2018) sublinham que a arte e a educação através da arte têm um papel importante na construção de um futuro sustentável, já que a promoção da criatividade, inovação e pensamento crítico, fomentam a existência de uma cultura emancipadora, de igualdade e responsabilidade social.

Ora, o enfoque no desenvolvimento deste tipo de competências e aprendizagens, a inscrever de forma transversal na didática de qualquer disciplina, apela a novas lógicas não só de diluição de barreiras entre áreas do saber, como, também, no desenvolvimento de múltiplas formas de literacia, por meio das quais o conhecimento é construído.

Mas como intervir no processo de ensino-aprendizagem? Que modos de intervenção?

Multiplicar os espaços de aprendizagem dos alunos pode ser uma boa via de acesso. Trazer museus, arquivos e bibliotecas para a sala de aula, atribuindo-lhes espaço e tempo curricular adequados, pode ser um primeiro passo.

Vários agentes culturais têm vindo a aprimorar o acesso a coleções e a disponibilizar programas educativos com elevado potencial didático. Programas que estimulam a produção de sentido, a sensibilidade estética e o livre exercício da curiosidade, recorrendo a estratégias pedagógicas que tradicionalmente se encontram fora dos modos de pensar e de fazer da escola, mas que se mostram eficazes em potenciar aprendizagens significativas.

O Museu de Arte Moderna (Museum of Modern Art), mais conhecido como MoMA, é disso um exemplo. Trata-se de um museu sem fronteiras, capaz de criar um diálogo com o visitante, dando-lhe uma visão dinâmica e multidisciplinar, na exploração da arte, das ideias e dos problemas de nosso tempo.

O desafio que se apresenta neste sítio inscreve-se nesse limiar do poder fazer diferente no que às artes na educação diz respeito. É como se uma porta se abrisse para um determinado período de tempo, no qual é possível identificar temas preponderantes, cujas visões originais ajudam a expandir os limites da arte como meio de expressão e, simultaneamente, permitem conhecer, refletir e contemplar obras dos mais influentes artistas da contemporaneidade.

O contacto com a coleção, associada a um conjunto de recursos complementares (para uso em sala de aula ou para aprendizagem autoguiada) oferece oportunidades de enriquecimento pessoal e pedagógico.
Repare-se, por exemplo:
- no uso construtivo de métodos sensíveis de questionamento, presente no desenho de atividades como ocorre em Modern Landscapes
- no desenho de atividades, cujos objetivos de aprendizagem induzem:

● à descoberta de quadros famosos (ex. Three Musicians, de Pablo Picasso ; I and the Village, de Marc Chagall …);
● à discussão de conceitos (ex. Bicycle Wheel, de Marcel Duchamp; The Birth of the World, de Joan Miró…) e de preconceitos (American People Series #20: Die, de Faith Ringgold);
● à exploração e análise de imagens (Migrant Mother, de Dorothea Lange);
● ao entendimento de correntes artísticas ( ex. aprender a pintar no estilo cubista dos artistas Pablo Picasso e Georges Braque ; Painting Modern Life)
● à exploração de temáticas (p.ex.Migration and Movement; Globalization and the Standardization of Identity)
● ao envolvimento do aluno na descoberta (ex. design) e no conhecimento de técnicas de pintura (ex. Elementos que se juntam para formar tinta....)

Nestas microforças pressente-se um núcleo de resistência capaz de se erguer contra as lógicas de exposição e repetição que têm alicerçado as práticas pedagógicas nas escolas. Caberá, no entanto, ao professor o complexo encargo e os saberes para criativa e criticamente: selecionar as atividades que melhor se adequem aos objetivos e contextos de aprendizagem (colocando cada vez mais o aluno como protagonista); recriar o ensino (por meio de projetos transdisciplinares); proporcionar acesso a recursos educativos de qualidade e criar, dessa forma, espaços significativos de aprendizagem.

Destaques:
Tools & Tips
Printed Guides for Educators
Glossary of Art Terms



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