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Mona Mourshed, da consultora McKinsey, principal oradora no encontro promovido, a passada semana, pela FLE – Fórum para a Liberdade de Educação, num dos auditórios da Gulbenkian, é especialista nas relações entre educação e desenvolvimento económico. Cruzando dados de ambos os domínios e estudando de forma sistemática o sector do ensino, M. Mourshed procura identificar as razões que tornam alguns sistemas educativos exemplares, quer em termos dos resultados alcançados pelos alunos nos rankings internacionais, quer dos impactos positivos na economia. Na conferência, a oradora referiu-se essencialmente aos países nórdicos, Finlândia em particular e aos países do Extremo Oriente que, em poucas décadas, atingiram altos graus de desenvolvimento económico – Japão, Singapura, Coreia...- e se encontram também nos níveis mais altos de literacia medidos pelo PISA. A análise dos respectivos sistemas educativos levaram M. Mourshed a centrar-se na qualidade dos professores e nas variáveis de que esta depende: o sistema de formação (inicial e ao longo da vida) e o tipo de recrutamento; os incentivos salariais, uma parte dos quais é função dos resultados escolares obtidos; o bom ambiente nas escolas; uma imagem social prestigiada dos professores. Dos estudos que coordenou, M. Mourshed retirou também estas 4 “lições”:


1 - A qualidade de um sistema educativo não supera a qualidade dos seus professores - ideia que se apoia em estudos empíricos que demonstram, por exemplo, que as diferenças dos professores podem levar a 53% de diferença no desempenho de alunos muito semelhantes do ponto de vista cognitivo.
2 - O único modo de atingir bons resultados é pela melhoria do ensino, isto é, pela melhoria de competências dos professores.
3 - O desempenho elevado de um sistema educativo exige que cada criança alcance sucesso, embora esse sucesso não seja igual para todas e algumas necessitem de maior ajuda.
4 - Toda a escola necessita de uma boa liderança, pelo que devem existir programas específicos para formar directores de excelência.

 
Questionada sobre se achava possível melhorar a qualidade dos professores a curto prazo, M. Mourshed respondeu afirmativamente, apontando como meios: programas de formação contínua; acompanhamento e orientação dos professores mais novos por um professor mais graduado, (tal como acontece na carreira médica hospitalar), abrindo a sala de aula à assistência mútua, a aulas de demonstração, preparando-as em conjunto e discutindo a resolução de conflitos e de problemas com todos os docentes envolvidos e, eventualmente, outros técnicos especializados. Para além desta abertura da sala de aula ao trabalho em equipa, a conferencista salientou a importância de se replicarem, por toda a escola e por todo o sistema educativo, as melhores práticas. Efectivamente, disse M. Mourshed, mais importante do que leccionar a melhor aula de matemática é encontrar a forma de multiplicar essa melhor aula por todo o sistema!



Ler mais:
M. Mourshed (2007),  Como hicieron los sistemas educativos com mejor
desempeño del mundo para alcanzar sus objetivos >>
PISA >>
McKinsey >>


1 comentário

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De angelina maria pereira a 20.04.2010 às 20:57

Uma análise que nos confronta com urgente necessidade de mudarmos discursos e, sobretudo, práticas se não quisermos persistir em equívocos educativos...

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