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Photo by Nagy Arnold on Unsplash

O sucesso dos alunos e a qualidade das suas aprendizagens é o objetivo de qualquer sistema educativo. Várias são as orientações (OECD, 2013) e os estudos (Hattie, 2012) que apontam para a centralidade da avaliação formativa, quando se fala do sucesso da aprendizagem. Nesse sentido, e dando continuidade ao artigo Repensar a avaliação das aprendizagens: o contributo da biblioteca escolar, o texto que agora se apresenta centrar-se-á na avaliação formativa.

 

A avaliação formativa, ou avaliação para as aprendizagens, deve integrar todas as interações na sala de aula (Looney, 2011), de forma dinâmica, respondendo às necessidades específicas dos alunos com vista à melhoria contínua das suas aprendizagens e à regulação das práticas pedagógicas. O aluno deve, por isso, ser participante ativo em todo este processo, para que perceba o que se espera dele, que aprendizagens deve desenvolver e como vai ser avaliado, pois só assim poderá monitorizar o seu desempenho e autoavaliar-se, com base nos critérios definidos pelo professor.

 

Para isso, é fundamental que os alunos saibam, de forma clara:

a) o que têm de aprender no final de um dado período de tempo;
b) a situação em que se encontram quanto às aprendizagens que têm de desenvolver;
c) os esforços que têm de fazer para aprenderem o que está previsto e descrito nos documentos curriculares” (Fernandes, 2019, p. 3).

 

Desenhar uma abordagem centrada na avaliação formativa implica, de acordo com a OCDE (2013):

           - Definir objetivos de aprendizagem e acompanhar o progresso dos alunos, tendo em conta essas metas;
           - Fornecer feedback aos alunos, para que estes integrem as sugestões no seu processo de aprendizagem;
           - Ajudar os alunos a sentirem-se mais seguros, sem receio de arriscar e errar, pois só assim aprendem de forma efetiva;
           - Envolver os alunos no seu processo de aprendizagem, desenvolvendo competências como o aprender a aprender e permitindo-lhes refletir sobre a sua aprendizagem.

 

Os objetivos de aprendizagem são muito importantes neste processo, pois indicam, de forma clara, o que os alunos têm de aprender ao longo de uma unidade curricular. Estes objetivos devem ser específicos, mensuráveis, realistas e atingíveis e têm de ser partilhados, de forma clara, com os alunos (Ruby-Daves, 2015).
Os objetivos de aprendizagem permitem construir uma base sólida para a avaliação, concretizada em rubricas de avaliação – matriz com indicadores e respetivos critérios de qualidade de desempenho (Allen &Tanner, 2006). (1)
Para isso, deverão ser criados descritores de desempenho (comportamentos observáveis) e critérios de sucesso (níveis de qualidade de um desempenho ou produto), que devem ser apresentados e discutidos com os alunos, no início da unidade / tarefa / projeto e que são utilizados pelo professor para dar feedback e pelos alunos para se autoavaliarem.
Desta forma, os alunos conseguem monitorizar a sua aprendizagem e tornam-se cada vez mais autónomos.


A biblioteca escolar pode contribuir para esta melhoria das aprendizagens, num trabalho articulado com os docentes das várias áreas curriculares, apoiando práticas de avaliação formativa. Desta forma, promove-se junto dos alunos a autoavaliação e a reflexão sobre o seu desempenho e desenvolvem-se competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida, nomeadamente o pensamento crítico, competências sociais e o envolvimento na sua aprendizagem (OECD, 2013).
Nesse sentido, a biblioteca escolar pode apoiar a criação de percursos de aprendizagem inovadores que assentem numa prática de avaliação formativa autêntica, transparente, válida e fiável em que, para além das aprendizagens essenciais de determinada(s) disciplina(s), são avaliadas algumas das competências definidas no Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória, entre as quais as literacias da leitura, da informação e dos media.
Desta forma, assegurando a consistência das práticas de avaliação, deverão ser definidos objetivos de aprendizagem alinhados com o currículo, mas adequados a contextos e a alunos, numa abordagem pedagógica que, de forma integrada, verifica a compreensão do aluno, procurando necessidades de aprendizagem, dando feedback ao aluno e adaptando as estratégias do professor.

 

Através deste trabalho articulado e colaborativo, promove-se uma cultura de partilha de práticas de avaliação, com reflexo na melhoria das aprendizagens dos alunos e dos processos pedagógicos.

(1)
Existem várias ferramentas que podem ajudar a construir rubricas de avaliação, facilitando assim o trabalho do professor, e que podem ser encontradas na biblioteca escolar digital (https://cutt.ly/UkWNw19).

 

Referências

Allen, D, & Tanner K. (2006). Rubrics: Tools for Making Learning Goals and Evaluation Criteria Explicit for Both Teachers and Learners. CBE Life Sciences Education, 5(3), 197-203.

Fernandes, D. (2019). Avaliação formativa. Folha de apoio à formação - Projeto MAIA. Lisboa: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e Direção Geral de Educação do Ministério da Educação.

Hattie, J. (2012).Visible learning for teachers: Maximizing impact on learning. New York: Routledge.

Looney. J. (2011). Integrating formative and summative assessment: Progress toward a seamless system?. OECD Education Working Papers, nº 58. Paris: OECD Publishing.

OECD (2013). Review on Evaluation and Assessment Frameworks for Improving School Outcomes, disponível em: http://www.oecd.org/education/school/oecdreviewonevaluationandassessmentframeworksforimprovingschooloutcomes.htm

Rubie-Davies, C. (2015). Becoming a high expectation teacher: Raising the bar. New York: Routledge.



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