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As bibliotecas não são apenas estatísticas. São também espaços com pessoas e histórias.

Tivemos recentemente acesso ao perfil do professor bibliotecário. Sabemos - em média - a sua idade, o nível de educação/ ensino, o grupo de recrutamento e a situação profissional, entre outros dados. Esta é a informação que apela ao lado direito do nosso cérebro. São os números que sustentam o conhecimento que possuímos sobre a Rede de Bibliotecas Escolares. Mas é preciso apelar também ao lado esquerdo do cérebro, mostrando quem são as pessoas que fazem das suas bibliotecas locais de referência na escola.

Retomamos, assim, a divulgação das atividades distinguidas no âmbito da iniciativa Fazer em Rede - Atividade TOP, aceitando o desafio #25 da IFLA The 10-Minute International Librarian: conheça e conte uma história de uma biblioteca (Learn and Tell a Library Story).

Na Atividade TOP em destaque, vamos conhecer a experiência de Teresa Figueiredo, professora bibliotecária da Escola Básica de Valongo do Vouga em Águeda, que desenvolveu em outubro uma atividade adaptada a partir da tradicional visita à biblioteca: Ser detetive por um dia... Em busca de leituras maravilhosas.

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No dia 14/01/2021, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e a Direção Geral da Educação (DGE) dinamizaram um webinar destinado a toda a equipa RBE, a saber, elementos do Gabinete Coordenador, Coordenadores Interconcelhios para as Bibliotecas Escolares e Professores Bibliotecários, que permitiu esclarecer várias questões relacionadas com o Plano de Transição Digital nas Escolas e com o papel que as bibliotecas são chamadas a desempenhar.

Para quem não teve oportunidade de assistir, divulga-se o vídeo da sessão, que se revelou bastante útil para toda a equipa.

A Dra. Manuela Pargana da Silva, Coordenadora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, abriu os trabalhos, começando por louvar todo o trabalho que tem sido desenvolvido pelas bibliotecas, a sua atitude e a sua resiliência nestes tempos difíceis.
Lembrou que a transição digital na educação será suportada por um plano de ação que irá ser desenhado em todas as escolas e que se baseia em princípios norteadores europeus.
Chamou a atenção para o facto as bibliotecas escolares já estarem a encontrar respostas para as necessidades da atualidade e referiu que todos temos consciência de que “vivemos num mundo cada vez mais complexo, interconectado que enfrenta mudanças tecnológicas, culturais, económicas, informacionais e demográficas” como consta no Quadro Europeu para a Competência Digital. São mudanças que nos convocam!
Referiu ainda que tem sido desde sempre preocupação das bibliotecas que a tecnologia seja utilizada ao serviço das aprendizagens e nunca como um objetivo em si.
Apresentou os professores bibliotecários como pessoas proativas, pessoas experientes, pessoas com formação, pelo que se espera que, nas suas escolas, sejam protagonistas na área da capacitação dos docentes, colaborando com os colegas.
As bibliotecas desenvolvem sistematicamente práticas de colaboração e trabalho em rede e têm uma experiência que, sem dúvida, ajudará a percorrer este caminho de construção de novas metodologias, de novas abordagens, de promoção das literacias tão necessárias para os nossos tempos. Os professores bibliotecários trabalham com os restantes docentes no desenvolvimento do currículo e das literacias, recorrendo a várias ferramentas e possibilidades.
Além das práticas implementadas, os próprios recursos das bibliotecas encerram em si a hibridez dos tempos modernos, apresentando-se em múltiplos suportes.
Também os serviços prestados pelas bibliotecas têm lugar presencialmente, mas também em modalidades a distância.
Há, pois, um caminho facilitador de uma intervenção muito proativa por parte das bibliotecas na transição digital, que já tem vindo a ser percorrido há algum tempo. Graças a esta experiência, os professores bibliotecários poderão constituir-se como elementos importantes no que será o desenho, pelas escolas, dos seus planos de ação de desenvolvimento digital.
Evidenciou finalmente que toda a Rede está convocada para uma ação que deverá ser concertada, articulada, estruturada e que visa sobretudo inovar e melhorar a educação, preparar melhor os alunos para o seu mundo e garantir-lhes um futuro.
Seguiu-se o Dr. José Vítor Pedroso, Diretor-Geral da Educação que apresentou as linhas gerais do Plano de Transição Digital na Educação, que a RBE tinha já referido no seu artigo Plano de ação para a transição digital: implicações para as escolas, publicado no dia 07/01/2021, neste mesmo blogue.
Concluindo a sua intervenção, chamou a atenção para o relevante papel que as bibliotecas escolares são chamadas a desempenhar, no que respeita à curadoria de Recursos Educativos Digitais de qualidade, isto é, à sua produção/ seleção e disponibilização.
Terminou o seu discurso, afirmando que teremos todos muito trabalho, mas que se espera que este seja interessante e construtivo e nos conduza a muito sucesso neste processo de transição digital.
Interveio em seguida a Dra. Maria João Horta, Subdiretora-Geral da Educação, que apresentou o Programa de Capacitação Docente em Competências Digitais, bem como as etapas da elaboração do Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas. A sua intervenção foi apoiada numa apresentação que permitiu clarificar as várias questões abordadas e que pode ser consultada aqui.
Seguiu-se o tempo para perguntas e respostas através da sala de chat do YouTube.

Das várias intervenções, salienta-se a pertinência de os professores bibliotecários estarem integrados nas equipas a quem competirá a elaboração do PADDE. Para isso, será imprescindível que a sua ação seja proativa e colaborativa, mobilizando permanentemente as competências e a experiência que têm vindo a ser adquiridas ao longo dos últimos anos.

De um modo geral, foi com grande recetividade que toda a equipa recebeu os desafios lançados, manifestando a sua disponibilidade para fazer parte das soluções a encontrar em conjunto nos seus contextos.

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A educação é um direito humano fundamental e uma condição para o desenvolvimento económico e social, a saúde e o bem-estar. Sem ela, a vida e o mundo seriam infinitamente limitados e destituídos de um propósito. Segundo o Manual para a medição da equidade na educação (Unesco, 2019): “a melhoria do desempenho educacional está associada a maiores ganhos pessoais, à redução da pobreza e a maiores taxas de crescimento da renda nacional [PIB] (Becker, 1975, 2002)” e “ Um número maior de anos de educação está associado a uma melhor saúde, à redução da mortalidade materna e infantil, a menos mortes relacionadas com desastres, a menos conflitos e ao aumento da participação cívica, entre outros benefícios” (p. 10).

É a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável assumida em 2015 que, pela primeira vez, coloca a equidade no coração da agenda internacional de educação. Na área da educação o ODS 4 desafia os Estados-Membros da ONU a “garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

O relatório da Rede Euridyce, Equidade na educação escolar na Europa: estruturas, políticas e desempenho dos alunos (outubro de 2020) compara a equidade nos 42 sistemas educativos existentes nos 37 países europeus abrangidos e tem como referência as escolas públicas no ano letivo 2018/ 2019.
Divulgando boas práticas e permitindo que os países aprendam uns com os outros e melhorem as suas políticas internas, constitui-se como um instrumento para tornar os sistemas educativos mais inclusivos e justos.

Porque é que a equidade é importante em educação?
Porque assegura que a origem ou circunstâncias pessoais e sociais - nível de escolaridade e qualificação profissional dos pais, existência em casa de livros infantis e de apoio ao estudo, situações de migração - não sejam um obstáculo a que cada um desenvolva os seus talentos e atinja o seu pleno potencial (justiça social) e que a educação fundamental se dirija a todos (inclusão).
Nos seus documentos oficiais, para referir a equidade os países usam uma diversidade de termos - justiça, igualdade de oportunidades, igualdade/ desigualdade, desvantagem, não discriminação, grupos vulneráveis, grupos de risco e abandono escolar precoce – cujo conteúdo nem sempre coincide.
Apesar da falta de consenso sobre o uso e definição do conceito, a maioria dos sistemas europeus de educação apoia ou promove a equidade, implementando pelo menos uma iniciativa política importante.
Portugal faz parte dos países que tem a equidade educativa na sua agenda, apresentando diferentes medidas, por exemplo:

- Educação e cuidados para a primeira infância (do nascimento até aos 6 anos)
O relatório sublinha que se tem verificado nos últimos anos dos países europeus, entre os quais Portugal, a tendência para implementar estes programas e que a maioria dos países aplicou medidas para melhorar a qualidade e acesso a estes serviços, uma vez que há o reconhecimento de que promovem o desenvolvimento da criança e têm efeitos no seu desempenho escolar, sobretudo nas crianças em situação desfavorecida. No entanto, são estas que menos participam nestes programas, seja pelo seu custo, por barreiras culturais e linguísticas ou falta de informação.
- Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar
Lançado em 2016, considera que são “as comunidades educativas quem melhor conhece os seus contextos, as dificuldades e potencialidades, sendo, por isso, quem está melhor preparado para encontrar soluções locais e conceber planos de ação estratégica, pensados ao nível de cada escola, com o objetivo de melhorar as práticas educativas e as aprendizagens dos alunos” (Resolução do Conselho de Ministros n.º 23/ 2016). Visa reduzir para metade as taxas de retenção e abandono escolar.

No cenário português e para igual período, poderiam ter sido consideradas outras medidas, implementadas em Portugal mas que não são referidas no relatório Eurydice, designadamente: diversificação de percursos formativos através de cursos com dupla certificação (escolar e profissional); Apoio Tutorial Específico para alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico com mais de duas retenções; apoio económico nas despesas escolares das famílias de contextos desfavorecidos (Ação Social Escolar); gratuitidade dos manuais escolares. 

O relatório Eurydice examina outros fatores que influenciam positivamente a justiça e inclusão dos sistemas educativos europeus: autonomia das escolas e criação de um clima de escola que valorize o esforço, disciplina, entreajuda e resiliência dos alunos; programas de literacia e numeracia (para os quais a ação da biblioteca escolar contribui); liberdade das famílias na escolha da escola dos seus educandos; orientação vocacional que orienta os jovens e famílias, atuando preventivamente sobre o insucesso e abandono escolar; professores especializados em baixo desempenho dos alunos.

Fatores que prejudicam a equidade são: a falta de financiamento do Estado que, no cenário de pandemia e quebra do rendimento nacional, assume particular preocupação; a retenção dos alunos (apesar de ser uma medida generalizada nos países europeus, apresenta tendência descendente); a concentração de alunos com desempenhos ou condições socioeconómicas semelhantes numa mesma turma ou escola (estratificação e discriminação); a escolha demasiado precoce do percurso educativo.

Não obstante os países europeus apresentarem importantes políticas conducentes à equidade dos alunos, isto não significa necessariamente que esta seja para eles e, por si só, uma prioridade, já que as políticas de equidade educacional são apenas uma dimensão do desempenho dos alunos e da vida na escola. Por isso, “intervenções políticas que podem ter sido concebidas principalmente por outras razões [exemplos: risco de exclusão, abandono escolar e retenção] podem ter impacto em questões de equidade e, por conseguinte, estar a ser abrangidas pelo âmbito deste relatório” (p. 53). A dificuldade em avaliar a equidade em educação resulta, não apenas do facto de as medidas adotadas não se dirigirem especificamente a este fator, mas também de nem sempre produzirem efeitos imediatos, muito embora haja indicadores que sugerem um efeito positivo e duradouro a longo prazo.

Durante a pandemia Covid-19, a perda de atividades letivas e a transição para o ensino à distância agravou a situação dos estudantes desfavorecidos, tornando urgente relançar a promoção da equidade, eficiência e qualidade do sistema público de educação, para que ele continue a contribuir para a realização pessoal e a mobilidade social.

 

Referências

Comissão Europeia/EACEA/Eurydice, 2020. Equity in school education in Europe: Structures, policies and student performance. Eurydice report. Luxembourg: Publications Office of the European Union. Disponível em https://eacea.ec.europa.eu/national-policies/eurydice/sites/eurydice/files/equity_2020_0.pdf .

 

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Foi lançada a 12.º edição do concurso Conta-nos uma história! Os interessados em participar devem candidatar-se até ao dia 31 de janeiro de 2021 e a entrega dos trabalhos decorrerá até ao dia 6 de abril de 2021.

As histórias a admitir a concurso, em língua portuguesa e em língua inglesa (3.º e 4.º anos), podem ser originais ou consistir em recontos com base em fábulas, parábolas, contos, mitos ou lendas e outros textos já existentes, podendo ser humorísticas, educativas, tradicionais, etc. Nesta 12.ª edição, podem, ainda, ser abordados os domínios contemplados na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, nomeadamente o da Educação Ambiental e o do Risco, através da exploração de temas como proteção da floresta, dos mares e oceanos, dos animais, entre outros. Em todos os casos, deverão integrar diálogos, incluir um narrador e diferentes personagens.

O concurso é dinamizado pelo Ministério da Educação (ME), através da Direção-Geral da Educação (DGE), do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e do Plano Nacional de Leitura2027 (PNL), em parceria com a Microsoft, a Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI) e com a Rádio ZigZag. Tem como principal objetivo fomentar a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), nomeadamente tecnologias de gravação digital de áudio e vídeo, através da criação de projetos desenvolvidos pelas escolas de Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico.

Para aceder aos formulários de candidatura e submissão dos trabalhos, ou para obter mais esclarecimentos, consulte a página de apoio ao concurso no portal da RBE. (https://www.rbe.mec.pt/np4/2664.html)

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A 9 de dezembro de 2020, a IFLA publicou o documento “Libraries in Digital Skills Policies: policy areas, mechanisms, practices”, documento que pode ajudar a articular algumas ideias relativamente ao papel das bibliotecas no atual contexto português do Plano de Ação para a Transição Digital.

Nele, relembra-se o IFLA Statement on Digital Literacy, documento de 2018 em que são apresentadas algumas experiências de bibliotecas na área da literacia digital e em que estas são convidadas a oferecer oportunidades de aprendizagem nessa área e a mostrar o seu potencial de capacitação junto de decisores relevantes - governos, instituições educativas, setores económicos – para que estes as apoiem na sua missão de utilizar a sua experiência para ajudar a desenvolver a literacia digital nos seus utilizadores.

São igualmente referidos vários relatórios e orientações internacionais que apresentam exemplos de diferentes papéis que as bibliotecas têm desempenhado em abordagens e ambientes de capacitação digital.

Tendo em conta essas práticas e perceções, o documento analisa a presença das bibliotecas em muitas políticas de nível nacional que procuram promover competências digitais para a população.

Enquanto alguns documentos das políticas nacionais analisadas definem metas de alto nível e outros delineiam planos mais detalhados, alguns contêm também referências a medidas específicas destinadas a impulsionar ainda mais o desenvolvimento da literacia digital a partir das bibliotecas.

As medidas possíveis incluem:

• Envolver as bibliotecas na planificação, tomada de decisão e /ou avaliação de ações no âmbito das políticas de promoção de competências digitais;
• Promover a colaboração e implementação conjunta de iniciativas de promoção da literacia digital, envolvendo várias partes interessadas;
• Oferecer oportunidades de aprendizagem e aperfeiçoamento de competências digitais para bibliotecários e outros profissionais que trabalham nas bibliotecas;
• Desenvolver e apoiar o setor de bibliotecas para garantir que estas têm os recursos necessários para darem o seu contributo.

Um breve olhar sobre as várias políticas de nível nacional que visam envolver as bibliotecas na construção da literacia digital permite várias reflexões:

• Políticas com medidas para apoiar o desenvolvimento de competências digitais contando com as bibliotecas, podem ser encontradas numa grande variedade de tipos de documentos de políticas, desde planos e políticas de TIC e banda larga, referenciais estratégicos de competências digitais ou agendas de inclusão digital, estratégias e visões de educação e desenvolvimento e muito mais.

• Todos os tipos de bibliotecas - desde públicas e comunitárias a escolares e académicas - podem oferecer suporte a várias formas de capacitação digital, desde competências digitais básicas e avançadas a competências digitais para tarefas e áreas específicas (por exemplo, e-saúde ou e-governo).

• As bibliotecas podem apoiar a literacia digital de diferentes formas, não apenas oferecendo suporte e oportunidades de aprendizagem de competências digitais, mas também servindo como um espaço para a aprendizagem informal, fornecendo materiais e recursos educativos e de autoformação, colaborando com instituições de ensino formal e outras partes interessadas e ajudando a desenvolver ferramentas ou plataformas que oferecem suporte às aprendizagens de competências digitais.

• Diferentes medidas políticas podem apoiar o trabalho das bibliotecas no campo da literacia digital. Por exemplo, as políticas podem envolver as bibliotecas na planificação, monitorização ou avaliação de intervenções; fomentar a colaboração entre bibliotecas e outras partes interessadas e construir e apoiar o setor das bibliotecas - desde a formação do pessoal até à conectividade, equipamentos ou outros recursos.

Considerando a importância que as bibliotecas escolares assumem atualmente, sobretudo na área do digital, terão um papel importante a desempenhar, colaborando com as suas escolas na elaboração e implementação dos respetivos planos de ação para a transição digital, pelo que a Rede de Bibliotecas Escolares disponibilizará brevemente orientações e exemplos práticos.

 

Referências

IFLA (2020). Libraries in Digital Skills Policies: policy areas, mechanisms, practices. Disponível em https://www.ifla.org/files/assets/hq/topics/info-society/documents/libraries_in_digital_skills_policies.pdf.

IFLA (2018), IFLA Statement on Digital Literacy. Disponível em https://www.ifla.org/publications/node/11586.


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