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No ano de 2020 registou-se um aumento significativo dos riscos e dos incidentes relacionados com segurança na internet.

Esta conclusão não espanta, tendo em conta a expansão do uso dos ambientes virtuais como meio de comunicação, como resultado das restrições à interação presencial.

Porém, ela é apenas a primeira de uma série de outras conclusões e informações importantes que encontramos no Relatório ‘Cibersegurança em Portugal: riscos e conflitos 2021’ acabado de publicar em maio passado.

Trata-se do relatório anual do Centro Nacional de Cibersegurança (https://www.cncs.gov.pt/), entidade coordenadora do Consórcio responsável pelo projeto Internet Segura (https://www.internetsegura.pt/) que nasceu para dar concretização ao objetivo de assegurar a segurança e a privacidade no uso da internet e alargar a todos os cidadãos as ferramentas e a formação necessárias à sua proteção quando interagem em ambiente virtual.

A Rede de Bibliotecas Escolares integra, há já algum tempo, o Conselho de Acompanhamento deste projeto e, por inerência, o seu grupo de parceiros.

 

Deste relatório destacam-se 3 conclusões principais:

1 - O volume de incidentes de cibersegurança cresceu de forma significativa em 2020 (em contraciclo com a criminalidade em geral).

Na análise desta tendência, que é geral para o ano de 2020, constata-se uma coincidência temporal específica entre esse crescimento e os períodos de confinamento social fruto da pandemia de Covid-19.

Além do incremento no número de atividades ilícitas online, regista-se também uma diferença nos modos de atuação, que se tornaram particularmente oportunistas.

Ao mesmo tempo, este contexto fez aumentar a perceção de risco de se sofrer um incidente de cibersegurança, fruto da atenção redobrada que se tem prestado a este assunto.

 

2 - As principais ciberameaças em 2020 foram o phishing/ smishing, e o sistema infetado por malware, nas suas mais variadas expressões, nomeadamente na de ransomware.

Neste ponto da leitura, torna-se útil a consulta do glossário no final do relatório, que nos parece útil partilhar. Assim, o ‘phishing’ designa um mecanismo de elaboração de mensagens que usa técnicas de engenharia social em que os atacantes aliciam os recetores de emails para que estes abram anexos maliciosos, cliquem em URL inseguros, revelem as suas credenciais, etc., numa palavra, ‘mordam o isco’. O smishing mais não é que a combinação da sigla sms com phishing, designado o mesmo tipo de estratégia executada por mensagem de texto.

Por sua vez, ‘malware’ é a designação de software malicioso, correspondendo a um programa que é introduzido num sistema com a intenção de comprometer a confidencialidade, a integridade ou a disponibilidade dos dados da vítima, sendo o ‘ransomware’ um tipo de malware pelo qual um atacante se apodera dos ficheiros e/ou dispositivos de uma vítima, exigindo, para a sua recuperação, um resgate em criptomoedas.

Para além destas ameaças, pontuam igualmente outras formas de fraude e burla, a sextortion, bem como a desinformação digital.

 

3 - Os principais agentes de ameaças a afetar o ciberespaço de interesse nacional, são os Cibercriminosos e os Agentes Estatais.

Mais uma vez, o relatório ajuda a precisar conceitos, referindo que os cibercriminosos correspondem a indivíduos ou grupos que atuam de forma maliciosa em função de proveitos financeiros; enquanto os Agentes Estatais se caracterizam pelo uso, direta ou indiretamente, do aparelho de Estado com intuitos estratégicos e políticos.

 

As tendências para o futuro próximo, registadas no Relatório, não são muito animadoras. Prevê-se que as ciberameaças e os seus agentes, identificados em 2020, persistam em 2021, proliferando num contexto favorável, ainda pautado pela incerteza. Não parece haver dúvidas de que “Os Cibercriminosos e os Agentes Estatais tenderão a manter níveis elevados de atividade em 2021 no ciberespaço de interesse nacional” (p.12).

Uma última nota para referir que os setores e áreas governativas com mais incidentes registados em 2020 são a Banca, as Infraestruturas Digitais (ID), os Prestadores de Serviços de Internet (PSI) e a Educação e Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (ECTES).

Estando a área educativa entre os quatro setores mais visados por ciberameaças, torna-se por demais pertinente a presença da RBE no Conselho de Acompanhamento deste projeto. 

A única forma de inverter a previsão de persistência desta tendência é através de um trabalho, cada vez mais consistente, de reforço das literacias digital, dos medias e da informação, em particular junto dos mais novos. Empreitada exigente, para qual as bibliotecas escolares estão, como sabemos, na linha da frente.

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No dia 17 de junho de 2021, pelas 10h, terá lugar a sessão de apresentação: Quadro Estratégico RBE 2021-27 — Bibliotecas escolares: Presentes para o futuro. A Rede de Bbiliotecas Escolares convida a acompanhar esta iniciativa através do portal RBE, Facebook RBE e Youtube RBE.

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Re-word-id

08.06.21

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Falar da (sua) biblioteca escolar nem sempre é fácil. Sobretudo se ela é vivida todos os dias com intensidade e dedicação. Como condensar em meia dúzia de frases o muito que ela exige a quem dela se ocupa, e o muito mais que ela devolve, em pequenos e grandes episódios que alimentam a alma?

Pois foi esse o desafio que lançámos, há algumas semanas, pela mão da Margarida Fonseca Santos, no âmbito do seu projeto ‘Histórias em 77 palavras’. Chamou-se-lhe ‘Desafio RBE’; e ela própria, como costuma fazer com todos desafios, publicou o primeiro texto, em jeito de quebra gelo.

Nele, a Margarida desenha o percurso de uma menina que, de solitária e receosa, passa à descoberta do mundo e dos outros, com a cumplicidade da professora bibliotecária. E nesse processo “deixa de ser uma sombra”. Que ideia tão fértil, se pensarmos no que ela significa: ganhar corpo… ganhar voz… ser objeto de luz… tanta coisa que ‘deixar de ser sombra’ nos sugere!

Vários professores e professoras responderam a este desafio e deram voz às suas experiências. Falaram do seu ofício “como um privilégio”, da biblioteca como um local “de onde sai de alma leve”, onde se “descobrem tesouros”, onde “se desassossegam almas”... Contaram histórias, do menino que se comove com uma leitura sugerida, do grupo que debate um Felizmente há luar… Surgiram ideias muito bonitas, como a de “acreditar numa escola sem horário, dando a todos os alunos o que lhes é devido: entrega, a surpresa, a emoção e a paixão”.

Mas algumas professoras, em vez de ficar com o desafio só para si, soltaram-no nas suas escolas. E enviaram textos que dão voz aos meninos e às meninas.

As suas palavras, quando pensam em biblioteca escolar, apontam em muitas direções:

Apontam para uma ideia de diversidade, do muito que é possível encontrar na biblioteca e da abertura de horizontes que daí resulta:

“[…] a folhear os livros, descubro sempre pequenas maravilhas! Uns são novos, brilhantes, outros velhos, amarelecidos. Uns são pequeninos e divertidos, outros enormes, gigantes”.

“[…] livros das receitas das avós, das histórias do nosso passado, da ciência e da matemática […] divertir-me naqueles de desenhos e pinturas, ou geografia para viajar por todos os lugares do mundo!”

Apontam, também, a possibilidade de levar livros para casa, que é vista, curiosamente, com especial encanto:

“[…] escolher e levar um livro da biblioteca para o ler em casa é um momento mágico!”

Encanto também no silêncio! Que bom que os nossos alunos já não vejam a quietude das bibliotecas como um constrangimento, mas antes com um certo fascínio:

“[…] Nela existe silêncio para se lerem as histórias com concentração. O silêncio é tanto, que começamos a ler a história e parece que viajamos dentro dela.”

Evidentemente, estar em conjunto é fundamental:

“[…] Gosto de ir à biblioteca, principalmente quando vou com os meus colegas e partilhamos anedotas ou adivinhas.”

Mas também houve palavras para manifestar preocupação por quem tem menos acesso aos livros:

“[…] Muitas destas crianças, os pais não lhe conseguem comprar livros e a biblioteca Escolar é uma boa opção.”

“[…] Com a minha varinha, vou ajudar a que todos os meninos tenham acesso a livros e à biblioteca escolar.”

Porém, a maior parte dos nossos meninos, ao pensar em biblioteca escolar, solta-se-lhe a imaginação:

“[…] Numa noite de tempestade estava eu na biblioteca da minha escola a acampar. A biblioteca estava iluminada com as luzes e foi nesse preciso momento que falhou a luz.”

“[…] Ia eu no comboio para Hogwarts e na chegada fui para a biblioteca escolar.”

“[…] Um dia sonhei que estava na Biblioteca a ler um livro Uma aventura na terra e no mar, até que entro no livro, acordo e o sonho torna-se realidade.” 

“[…] Ele pegou num [livro] e quando o abriu saíram criaturas mágicas, como elfos, anões, dragões e elefantes, que são como elefantes, mas muito maiores.” 

“[…] Estava eu na escola a ler um livro na biblioteca quando vi o Covid, sim o Covid, a ler um livro sobre o corpo humano!”

É sem dúvida às professoras bibliotecárias que se ficam a dever estas palavras dos meninos e das meninas, sobre a biblioteca e sobre si mesmo/as. Para elas, esta ginja em cima do bolo:

“[…] Adoro a biblioteca, é um dos meus cantos favoritos da escola.”

Uma nota final: estes desafios não encerram! Estão sempre em aberto, disponíveis para receber mais histórias em 77 palavras.

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No passado sábado, dia 5 de junho, todos os caminhos foram dar a Oeiras para a grande festa final do Concurso Nacional de Leitura, uma inicitiva do Plano Nacional de Leitura 2027, de que a RBE é parceira desde a primeira edição.
Infelizmente, não foi possível fazer como habitualmente a grande finalíssima, com a presença de todos os vencedores das fases intermunicipais, pelo que foi necessário encontrar um formato a distância, em que, apesar das limitações, a festa continuasse a poder ser para todos.
Assim, em vez da prova presencial de escolha múltipla, todos os concorrentes tiveram oportunidade de enviar um pequeno filme em que promoviam o seu livro predileto. Ao longo da manhã, de forma intercalada com as provas de palco, foi-se sabendo quem foram os vencedores desta prova de vídeo – trabalhos que mostram bem o valor de todos os participantes neste concurso.
Além destes vídeos, as provas de palco deixaram os elementos do júri com uma tarefa bem difícil pela frente, uma vez que os candidatos apresentaram exercícios de leitura e de argumentação de grande qualidade.
Houve ainda oportunidade para ouvir Celina da Piedade e Serafim que, aliando música e palavras, trouxeram também eles grandes leituras.
Finalmente, enquanto o júri deliberava, os concorrentes e os acompanhantes (no exterior do auditório por razões sanitárias) deliciaram-se com um pequeno concerto da banda HMB.


Se não teve oportunidade de o fazer em direto, poderá ainda espreitar o registo da sessão.
Foram momentos muito bonitos! Parabéns a todos, aos que vieram e aos que tiveram que ficar em casa, mas também fizeram parte da festa - todos os participantes e todos os que partilharam o seu esforço para que tudo fosse possível! 
Terminada a 14.ª edição, viva a 15.ª edição do CNL!

 

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O concurso de leitura expressiva “Leituras na Planície” é organizado pelos Professores Bibliotecários dos Agrupamentos de Redondo, Moura, Portel, Manuel Ferreira Patrício (Évora) e André de Gouveia (Évora) e coadjuvado pela Rede de Bibliotecas Escolares através dos respetivos Coordenadores Interconcelhios.

O Concurso tem como objetivos principais a promoção do gosto pela leitura, o contacto com os livros, bem como o desenvolvimento da expressividade/ leitura expressiva em voz alta.

A iniciativa decorreu em 3 fases: em sala de aula com os professores titulares de turma ou professores de Português, na Biblioteca Escolar, uma pré-seleção a cargo do grupo de trabalho, visando apurar 3 alunos por cada ano de escolaridade 

A fase final decorrerá de forma síncrona, através de uma plataforma online, e será transmitida, em direto no dia 9 de junho, através de link disponibilizado a todos os agrupamentos participantes.

O júri desta fase será constituído por um representante de cada uma das seguintes instituições: Rede de Bibliotecas Escolares, Plano Nacional de Leitura, Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares da Região do Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida e Câmara Municipal de Redondo.

Participaram nesta iniciativa 23 Agrupamentos de Escolas e estarão na final 113 alunos (3 alunos por ano de escolaridade de todos os níveis de ensino).

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