Este é o quarto de um conjunto de artigos que procurará divulgar e refletir sobre O Relatório de Tendências da IFLA 2024. [1]
Este relatório procura fornecer as ferramentas, as estruturas, a inspiração e a energia necessárias para que as bibliotecas e os profissionais da informação enfrentem o futuro com otimismo. Apresenta sete tendências. Hoje dedicamo-nos à tendência 3.
Restabelecer a confiança nos governos e nos meios de comunicação social é fundamental para o desenvolvimento das nossas sociedades.
A confiança nos governos e nas instituições públicas em todo o mundo está a diminuir. Atualmente, o público confia em cientistas, pares e peritos técnicos de empresas para fornecerem informações sobre assuntos importantes, como novos desenvolvimentos científicos, informações médicas e inovação, em detrimento do governo e dos meios de comunicação social. Com mais pessoas a questionarem os principais meios de comunicação social e as informações do governo, a transparência e a abertura são fundamentais para restabelecer a confiança.
Oportunidades
Sistemas de informação abertos e transparentes
Modelos abertos que informam a governação da IA
Colaboração entre empresas, ONG e governos para criação de sistemas de informação equitativos
Melhoria dos direitos e proteção da privacidade
Desafios
Diminuição da confiança no governo
Diminuição da confiança nos media
Diminuição das notícias locais
Desenvolvimento
A confiança nos governos e instituições, incluindo a comunicação social, está a diminuir globalmente. Num momento em que muitos países enfrentam eleições, destaca-se o enorme fosso entre a minoria da população mundial que vive sob governo democrático e a vasta maioria que vive sob algum tipo de regime autocrático. As pessoas têm menos confiança nos governos, procurando soluções colaborativas para problemas complexos e pedindo mais transparência e ação em questões como alterações climáticas e desigualdade.
A perda da produção de notícias locais está a afetar as comunidades já desfavorecidas de outras formas. Os serviços noticiosos locais estão a desaparecer de muitas comunidades, criando "desertos de notícias", onde não há cobertura jornalística fiável. Apesar de ainda haver procura por notícias locais que reflitam as experiências e prioridades das pessoas, muitos dependem agora das redes sociais ou de grandes meios de comunicação para se informarem. Este fenómeno é agravado pela migração para plataformas digitais e pelo aumento dos custos de impressão. A perda de notícias locais, substituídas muitas vezes por conteúdos genéricos, afeta negativamente a ligação das pessoas às suas comunidades e reduz a fiscalização de outras instituições. Grandes corporações que dominam o mercado noticioso priorizam interesses comerciais, enfraquecendo o papel do jornalismo verdadeiramente local.
Os movimentos abertos enfrentam desafios A internet inicial prometia acesso livre à informação e partilha de conhecimento sem as limitações de instituições tradicionais. No entanto, com o tempo, a economia digital, dominada por plataformas comerciais, passou a priorizar a coleta e monetização de dados dos utilizadores, desafiando os ideais de acesso aberto. A preservação de informação digital enfrenta barreiras devido a interesses comerciais que limitam o acesso e o uso de conteúdos. A equidade é uma preocupação, já que o acesso gratuito depende frequentemente de recursos financeiros. Embora haja esforços crescentes para disponibilizar publicamente os resultados de pesquisas financiadas, taxas elevadas impostas por editoras dificultam a participação de académicos, especialmente do Sul Global. Este desafio reflete-se na missão das bibliotecas de tornar a informação acessível a todos.
A privacidade está a ser trocada pela acessibilidade A privacidade e o acesso à tecnologia são cada vez mais vistos como privilégios, especialmente em um mundo onde a partilha de dados pessoais é muitas vezes indispensável para aceder a serviços digitais e presenciais. Para muitos, especialmente os desfavorecidos socioeconomicamente, é impossível "optar por não participar", pois dependem de sistemas que exigem a cedência de dados. Embora exista uma pequena tendência de rejeição da internet, a dependência global de conexões digitais torna essa rejeição impraticável para a maioria, além de necessitar de apoio de quem continua conectado. O aumento da recolha de dados e a ubiquidade de tecnologias como dispositivos com geolocalização, parte do Internet das Coisas (IoT), levantam preocupações significativas de privacidade. Embora os sistemas exijam consentimento para partilhar localização, a escala e complexidade dos dados tornam difícil para os utilizadores compreenderem plenamente os riscos e implicações dessa partilha. Especialistas alertam que, no futuro, a privacidade poderá tornar-se quase impossível de manter devido a avanços em vigilância, bots sofisticados em espaços cívicos, disseminação de desinformação e deepfakes, sistemas avançados de reconhecimento facial e divisões sociais e digitais crescentes. Para mitigar esses riscos, é essencial desenvolver competências que equilibrem acessibilidade, direitos e privacidade.
Factos a considerar
O jornalismo pago é principalmente acessível a quem tem meios para gastar dinheiro em notícias.
Os pontos de acesso aberto e gratuito a este tipo de conteúdos (como as bibliotecas) podem incentivar o envolvimento crítico com as notícias e a informação e podem constituir uma fonte valiosa de literacia noticiosa e mediática fora dos contextos educativos, como a escola e a universidade.
Perguntas
Que papel podem as bibliotecas locais desempenhar nos desertos de notícias?
Como é que as bibliotecas podem ajudar a criar confiança nas instituições públicas?
A autarquia de Vila Franca de Xira lançou há 26 anos um projeto inspirador que pretendia promover a relação das crianças com o universo da leitura e o acesso aos livros nas escolas do 1.º ciclo e Pré-escolar: as Bibliomanias.
Esta iniciativa, financeiramente e tecnicamente da responsabilidade exclusiva da autarquia, através da sua Divisão de Bibliotecas e Arquivo/SABE, vem provar que, independentemente das limitações de espaço, a leitura pode e deve estar presente em qualquer escola, proporcionando a todos os alunos um acesso facilitador aos livros.
O que são as Bibliomanias?
As Bibliomanias, implementadas no ano letivo de 1997-98 em paralelo com a formalização das candidaturas das escolas à Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), são “cantinhos de leitura” pensados para escolas do concelho que não dispõem de espaço para albergar bibliotecas completas. O projeto foi direcionado para escolas básicas do 1.º ciclo descentralizadas e jardins de infância isolados, com um número reduzido de alunos (até 50) e que pudessem disponibilizar um pequeno espaço para implantar uma pequena instalação de biblioteca. Esta solução prática consiste, assim, num módulo adaptável com estantes para os livros, dois sofás acolhedores e uma caixa de álbuns.
Este espaço, que se pretende apelativo e funcional, é complementado com um fundo documental diversificado, composto sobretudo por livros de literatura infantil, juvenil e temáticos, criando assim o “Cantinho de Leitura”. O objetivo primordial deste projeto foi dotar todas as escolas e jardins de infância de um espaço dedicado à leitura e à informação, promovendo o prazer de ler em locais onde, de outra forma, os alunos não teriam acesso a estes recursos.
Uma resposta às necessidades das Escolas e da Comunidade
Este projeto inovador respondeu, assim, às necessidades específicas das escolas do concelho de Vila Franca de Xira que enfrentavam a realidade de não possuírem uma biblioteca na escola, devido a limitações de espaço e/ou de alunos. Uma grande articulação entre a Biblioteca Municipal e as Escolas foi crucial para fomentar a viabilização do projeto. Esta parceria foi sustentada por uma tradição de apoio pré-existente da Biblioteca Municipal a outras iniciativas educativas, nomeadamente projetos anteriores às Bibliomanias e à RBE. A colaboração implicava diretamente alguns professores do concelho, cujo envolvimento fortaleceu a ligação com as escolas e contribuiu para a concretização deste projeto.
O impacto e a sustentabilidade das Bibliomanias
A estrutura do projeto permite que as Bibliomanias sejam facilmente instaladas em locais estratégicos dentro das escolas, promovendo uma experiência de leitura informal e acessível. Atualmente, o projeto permanece ativo em 13 escolas e jardins de infância, embora algumas das escolas originalmente beneficiadas tenham sido encerradas.
Nestes casos, o mobiliário e o fundo documental foram redistribuídos para outras escolas dentro do mesmo agrupamento. O acompanhamento contínuo por parte do professor bibliotecário com o apoio da Biblioteca Municipal tem assegurado a sustentabilidade e a relevância do projeto ao longo do tempo.
O papel complementar do Bibliomóvel
Além das Bibliomanias, destaca-se a atuação do Bibliomóvel, uma biblioteca móvel municipal em funcionamento desde 2000. Este serviço chega às escolas do 1.º ciclo e jardins de infância com uma oferta diferenciada e atualizada de livros e outros documentos, sendo muito apreciado e utilizado pelos alunos e comunidade educativa.
Um legado na promoção da leitura e da literacia
Este percurso evidencia a grande aposta na promoção e dinamização da leitura e das literacias de informação por parte dos vários intervenientes. A criação e manutenção das Bibliomanias por parte da autarquia, aliado ao trabalho do professor bibliotecário, e reforçado pelo serviço prestado pelo Bibliomóvel, reconhecem a importância central deste tipo de projetos para a formação integral do indivíduo. Estas iniciativas proporcionam às crianças e alunos um acesso igualitário ao livro e incentivam a formação de cidadãos informados, criativos e críticos.
Vila Franca de Xira continua a afirmar-se como um exemplo de que, com criatividade e determinação, é possível transformar qualquer recanto num espaço de encontros, histórias e imaginação.
O concurso “Escrever é Viver”, vai já na sua 5.ª edição. É promovido pelo Instituto Multimédia, integrando a Rede de Bibliotecas Escolares, o júri deste concurso.
“Diversidade e Inclusão” é o tema escolhido para a edição do presente ano letivo.
A diversidade e a inclusão servem para humanizar o mundo e mostram ser pilares essenciais para construir uma sociedade mais justa e equilibrada, onde as diferenças, sejam elas culturais, sociais ou individuais, são valorizadas e respeitadas. Promover a inclusão significa garantir igualdade de oportunidades para todos, reconhecendo que a pluralidade enriquece as nossas vidas e fortalece as comunidades.
“Se, como disse Camões, demos novos mundo ao mundo, hoje acolhemos muitos mundos no nosso mundo…”.
Este concurso desafia os alunos a refletirem sobre estas temáticas, celebrando a diversidade e o poder da inclusão para transformar o mundo.
Um concurso direcionado ao 3.º ciclo do ensino básico das regiões Norte e Centro do país e que tem como objetivos principais, os seguintes:
Mobilizar para a produção de textos poéticos ou em prosa;
Estimular o gosto pela escrita;
Ativar o olhar analítico e o espírito crítico dos jovens;
Motivar os jovens para a expressão dos seus sentimentos;
Valorizar a criatividade.
Os alunos podem participar individualmente ou a pares (dois elementos apenas), com acompanhamento por parte de cada biblioteca escolar participante.
Os trabalhos deverão ser remetidos até ao dia 31 de janeiro de 2025 para o e-mail concursos@imultimédia.pt .
Estas e outras informações encontram-se no respetivo regulamento do concurso. De notar que a participação requer o preenchimento obrigatório de uma ficha de inscrição que pode ser acedida aqui.
por Isabel Franco, professora bibliotecária do AE Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis
Neste trilho das Bibliotecas Escolares, que agora substancio, uma voz muito doce e tímida sobressaiu, num dos meus primeiros encontros com os mais jovens, e disse: “A Biblioteca é um espaço mágico porque ela permite-nos ir à descoberta.”
À descoberta!
É assim mesmo como eu me sinto, neste meu pequeno “retalho” da vida de uma professora bibliotecária recém-chegada.
É que a Biblioteca Escolar não é nada mais do que o coração da escola, o coração do Agrupamento e, portanto, um espaço onde se combinam sítios, saberes, pessoas, ligações. Enfim, um espaço físico e virtual que se ergue como um universo infindável de experiências e de desafios.
Um universo que não deixa de ser “assustador”, porque monumental, quase inatingível, e que faz com que o(a) professor(a) bibliotecária se sinta uma mera, simples e frágil formiguinha. Dizem, então, ao professor(a) bibliotecário(a), que, entre muitos outros afazeres, é preciso liderar com afeto e pelo exemplo. É preciso investir continuamente na sua formação e na daqueles que o rodeiam, de modo proativo e inovador! É preciso ter uma ação pedagógica que entrelace o lazer, a cultura, a sensibilidade estética com os saberes multidisciplinares e transdisciplinares! É preciso fazer uma boa gestão dos recursos, dos espaços, dos orçamentos! É preciso avaliar.
É preciso…!
E é assim que começa a história da nossa “formiguinha”.
Ela inicia o seu trilho.
Mais eis que, mal começa a andar e a tentar desempenhar as suas tarefas, ela sente a tal magia que paira no espaço da Biblioteca Escolar… A magia que combina os livros, as palavras, os sons com as crianças e jovens em crescimento e em busca de si próprios e dos outros. Essa magia “agiganta” a formiguinha, que continua a ser pequena, a ponto de que ela consegue vislumbrar, ver o horizonte que a convida e a incita a caminhar. Qual? O da aprendizagem com, através e pelos livros, que com as suas múltiplas e diferentes histórias abrem o portal de uma nova dimensão da Vida.
Um horizonte que convida o professor(a) bibliotecário(a) a dar as suas mãos a todos os que o(a) rodeiam e com eles percorrer um caminho de descoberta dele(a), dos que o rodeiam e, sobretudo, daquela criança, que também existe dentro de cada um de nós e que anseia por se conhecer, por conhecer os outros, o Mundo e o Universo. Aquela criança, que todos nós queremos que venha a ter uma ação eficaz na construção de um futuro melhor. Um futuro no qual o respeito pela diferença, a empatia, a paz, a solidariedade e a sustentabilidade cultivem a magia da felicidade.
Isabel Franco, professora bibliotecária Agrupamento de Escolas Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis
Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.
A Pesquisa sobre competências Sociais e Emocionais (SSES) 2023 [1] é uma pesquisa internacional sobre competências sociais e emocionais de estudantes de 10 e 15 anos, promovida pela OCDE, concebida para melhorar a nossa compreensão das competências sociais e emocionais dos alunos de 10 e 15 anos, incluindo a forma como estas competências se relacionam com os principais resultados de vida.
O Volume I, Competências Sociais e Emocionais para Vidas Melhores, apresentado em abril, mostrou que habilidades como a persistência, empatia, curiosidade, criatividade e assertividade são importantes para bons resultados e que essas habilidades diferem de acordo com a idade e a origem do aluno.
Em 23 de outubro, foi apresentado o Volume II, que aponta diferenças significativas entre e dentro dos países participantes no modo como as habilidades sociais e emocionais são promovidas na escola, em casa e pela sociedade, bem como na forma como isso se relaciona com as diferenças no domínio de competências.
As descobertas apresentadas apoiam recomendações-chave para melhorar políticas e práticas promotoras da aprendizagem socioemocional em três áreas:
Educação social e emocional na escola
Melhorar o feedback do professor, particularmente sobre os pontos fortes dos alunos: Os alunos que receberam mais feedback do professor demonstraram maiores competências socioemocionais. No entanto, o feedback do professor tem de ser melhorado, especialmente no desenvolvimento dos pontos fortes dos alunos. Isso é particularmente importante para jovens de 15 anos e para as meninas.
Aumentar as oportunidades de aprendizagem socioemocional promovidas pelos professores: Poucos professores fornecem oportunidades para os alunos aprenderem a regular as emoções e a envolver-se com os outros; a maioria concentra-se no desenvolvimento de competências relacionadas com o desempenho de tarefas
Alavancar tecnologias digitais: A maioria dos professores percebeu o ensino online como um desafio para a aprendizagem socioemocional.
Aumentar a preparação dos professores: Tarefas relacionadas com o ensino socioemocional estavam entre as tarefas para as quais os professores, particularmente no 3.º ciclo do ensino básico, se sentiam menos habilitados e consideravam que lhes faltava formação. Apenas 52% dos professores recorreram extensivamente a recursos oficiais, enquanto 32% usaram recursos informais.
Criar estruturas e mentalidades que promovam a aprendizagem socioemocional: A integração formal do ensino de competências socioemocionais no ensino de todas as disciplinas é muito comum em todos os locais. No entanto, entre um e oito em cada dez alunos frequentaram escolas onde nem todos os professores e diretores concordaram que essas competências poderiam ser ensinadas. Uma mentalidade partilhada do amplo impacto das competências sociais e emocionais foi ainda menos comum.
Apoiar atividades extracurriculares: O envolvimento em atividades extracurriculares foi positivamente relacionado com todas as competências sociais e emocionais em alunos de 10 e 15 anos. No entanto, apenas um terço (ou menos) dos jovens de 15 anos se envolve regularmente em diferentes atividades extracurriculares. Na maioria dos locais, ainda menos alunos e meninas desfavorecidos o fazem.
Ambientes escolares que fomentam o crescimento socioemocional
Transformar as escolas em centros comunitários: os alunos que sentiram mais a pertença à escola e mais emoções positivas do que negativas na escola relataram maiores competências sociais e emocionais, principalmente no que diz respeito à sua capacidade de regulação social e emocional.
Abordar fontes específicas de emoções negativas: os alunos relatam diferentes misturas de emoções em cada geografia, especialmente confiança, motivação, ansiedade e raiva. Na Ucrânia e na Espanha, os alunos relatam alta confiança, mas baixa motivação. Em Itália, os alunos estão mais ansiosos do que motivados.
Melhorar as experiências de grupos desfavorecidos: Jovens de 15 anos e meninas de baixo desempenho relatam menor sentido de pertença, menos emoções positivas e mais negativas do que seus pares em quase todos os locais. Os de baixo desempenho também lutam contra a raiva e as meninas contra a confiança. Jovens de 15 anos desfavorecidos relatam menos sentido de pertença na maioria dos locais, mas não menos felicidade, motivação ou ansiedade.
Promover relacionamentos para desenvolver competências: Alunos que relatam melhores relacionamentos com professores e colegas evidenciam maiores competências sociais e emocionais. Os relacionamentos com professores estão mais associados ao desempenho de tarefas, curiosidade, otimismo e tolerância, enquanto os relacionamentos com colegas se correlacionam com habilidades sociais mais fortes e mais confiança.
Melhorar as estratégias dos professores para lidarem com o stress, a fim de apoiar o seu bem-estar e a sua capacidade de modelar uma regulação emocional positiva: Melhorar as estratégias dos professores para lidarem com o stress, a fim de apoiar o seu bem-estar e a sua capacidade de modelarem uma regulação emocional positiva: Em Kudus (Indonésia) e no Peru, quase 70% dos professores relatam uma elevada utilização de estratégias eficazes para lidar com o stress, em comparação com apenas cerca de 30% nos outros locais.
Abordar o bullying: Muitos alunos são vítimas e perpetradores de bullying. Em média, cerca de 67% dos perpetradores disseram ter sofrido bullying, enquanto aproximadamente 40% das vítimas também relatam praticar bullying com outros estudantes. O maior nível de sobreposição entre perpetração de bullying e vitimização foi visto na Bulgária e em Deli (Índia).
Complementar a prevenção do bullying com aprendizagem socioemocional: tanto vítimas como perpetradores tendem a ter menor responsabilidade, controle emocional e confiança do que alunos não envolvidos em bullying. Vítimas, incluindo aquelas que também se envolvem em bullying, têm menor otimismo e menor resistência ao stress. Vítimas que não se envolvem em bullying distinguem-se dos perpetradores demonstrando maior empatia.
Abordar a igualdade de género
Combater estereótipos de género: Muitos meninos, especialmente na Bulgária, no Dubai (Emirados Árabes Unidos), em Helsinquia (Finlândia), em Kudus (Indonésia) e na Ucrânia, acreditam que liderança e acesso a recursos económicos são mais importantes para os homens do que para as mulheres.
Promover a igualdade de género em casa: Alunos em lares com responsabilidades partilhadas relataram menos estereótipos de género e maior tolerância, confiança, regulação emocional e habilidades para o desempenho de tarefas. No entanto, as tarefas domésticas são mais frequentemente responsabilidade de membros femininos da família, particularmente na Bulgária, Deli (Índia), Dubai (EAU), Gunma (Japão) e Kudus (Indonésia).
Incentivar a procura de carreiras diversificadas: Entre os estudantes com níveis igualmente elevados de curiosidade e de competências matemáticas, os rapazes têm duas vezes mais probabilidades do que as raparigas de optarem por carreiras científicas e tecnológicas em vez de carreiras na área da saúde. Os resultados sugerem que a luta contra os estereótipos de género pode ser um caminho a seguir em determinados locais: as raparigas que discordam que os rapazes são melhores em tecnologia têm mais probabilidades de seguir carreiras em ciências e tecnologia no Peru, Espanha e Ucrânia.
Reforçar as parcerias entre a escola e a família: Dados de Bogotá (Colômbia), Peru e Ucrânia mostram que a maioria dos pais considera que competências como a persistência e a regulação emocional são tão importantes para o desenvolvimento dos seus filhos como a literacia e a numeracia. Os pais têm mais probabilidades de se considerarem responsáveis pela aprendizagem social e emocional dos seus filhos do que de considerarem a responsabilidade dos alunos ou dos professores.
[1] OECD (2024). Nurturing Social and Emotional Learning Across the Globe: Findings from the OECD Survey on Social and Emotional Skills 2023. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/32b647d0-en