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Blogue RBE

Sex | 06.12.24

A verdade está a ser renegociada

Relatório de tendências da IFLA 2024

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Este é o quarto de um conjunto de artigos que procurará divulgar e refletir sobre O Relatório de Tendências da IFLA 2024. [1]

Este relatório procura fornecer as ferramentas, as estruturas, a inspiração e a energia necessárias para que as bibliotecas e os profissionais da informação enfrentem o futuro com otimismo. Apresenta sete tendências. Hoje dedicamo-nos à tendência 3.

Restabelecer a confiança nos governos e nos meios de comunicação social é fundamental para o desenvolvimento das nossas sociedades.

A confiança nos governos e nas instituições públicas em todo o mundo está a diminuir. Atualmente, o público confia em cientistas, pares e peritos técnicos de empresas para fornecerem informações sobre assuntos importantes, como novos desenvolvimentos científicos, informações médicas e inovação, em detrimento do governo e dos meios de comunicação social. Com mais pessoas a questionarem os principais meios de comunicação social e as informações do governo, a transparência e a abertura são fundamentais para restabelecer a confiança.

Oportunidades

  • Sistemas de informação abertos e transparentes
  • Modelos abertos que informam a governação da IA 
  • Colaboração entre empresas, ONG e governos para criação de sistemas de informação equitativos
  • Melhoria dos direitos e proteção da privacidade

Desafios

  • Diminuição da confiança no governo
  • Diminuição da confiança nos media
  • Diminuição das notícias locais

Desenvolvimento

  • A confiança nos governos e instituições, incluindo a comunicação social, está a diminuir globalmente.
    Num momento em que muitos países enfrentam eleições, destaca-se o enorme fosso entre a minoria da população mundial que vive sob governo democrático e a vasta maioria que vive sob algum tipo de regime autocrático.
    As pessoas têm menos confiança nos governos, procurando soluções colaborativas para problemas complexos e pedindo mais transparência e ação em questões como alterações climáticas e desigualdade.

  • A perda da produção de notícias locais está a afetar as comunidades já desfavorecidas de outras formas.
    Os serviços noticiosos locais estão a desaparecer de muitas comunidades, criando "desertos de notícias", onde não há cobertura jornalística fiável. Apesar de ainda haver procura por notícias locais que reflitam as experiências e prioridades das pessoas, muitos dependem agora das redes sociais ou de grandes meios de comunicação para se informarem. Este fenómeno é agravado pela migração para plataformas digitais e pelo aumento dos custos de impressão.
    A perda de notícias locais, substituídas muitas vezes por conteúdos genéricos, afeta negativamente a ligação das pessoas às suas comunidades e reduz a fiscalização de outras instituições. Grandes corporações que dominam o mercado noticioso priorizam interesses comerciais, enfraquecendo o papel do jornalismo verdadeiramente local.

  • Os movimentos abertos enfrentam desafios
    A internet inicial prometia acesso livre à informação e partilha de conhecimento sem as limitações de instituições tradicionais. No entanto, com o tempo, a economia digital, dominada por plataformas comerciais, passou a priorizar a coleta e monetização de dados dos utilizadores, desafiando os ideais de acesso aberto.
    A preservação de informação digital enfrenta barreiras devido a interesses comerciais que limitam o acesso e o uso de conteúdos. A equidade é uma preocupação, já que o acesso gratuito depende frequentemente de recursos financeiros. Embora haja esforços crescentes para disponibilizar publicamente os resultados de pesquisas financiadas, taxas elevadas impostas por editoras dificultam a participação de académicos, especialmente do Sul Global. Este desafio reflete-se na missão das bibliotecas de tornar a informação acessível a todos.

  • A privacidade está a ser trocada pela acessibilidade
    A privacidade e o acesso à tecnologia são cada vez mais vistos como privilégios, especialmente em um mundo onde a partilha de dados pessoais é muitas vezes indispensável para aceder a serviços digitais e presenciais. Para muitos, especialmente os desfavorecidos socioeconomicamente, é impossível "optar por não participar", pois dependem de sistemas que exigem a cedência de dados. Embora exista uma pequena tendência de rejeição da internet, a dependência global de conexões digitais torna essa rejeição impraticável para a maioria, além de necessitar de apoio de quem continua conectado.
    O aumento da recolha de dados e a ubiquidade de tecnologias como dispositivos com geolocalização, parte do Internet das Coisas (IoT), levantam preocupações significativas de privacidade. Embora os sistemas exijam consentimento para partilhar localização, a escala e complexidade dos dados tornam difícil para os utilizadores compreenderem plenamente os riscos e implicações dessa partilha.
    Especialistas alertam que, no futuro, a privacidade poderá tornar-se quase impossível de manter devido a avanços em vigilância, bots sofisticados em espaços cívicos, disseminação de desinformação e deepfakes, sistemas avançados de reconhecimento facial e divisões sociais e digitais crescentes. Para mitigar esses riscos, é essencial desenvolver competências que equilibrem acessibilidade, direitos e privacidade.

Factos a considerar

  • O jornalismo pago é principalmente acessível a quem tem meios para gastar dinheiro em notícias.
  • Os pontos de acesso aberto e gratuito a este tipo de conteúdos (como as bibliotecas) podem incentivar o envolvimento crítico com as notícias e a informação e podem constituir uma fonte valiosa de literacia noticiosa e mediática fora dos contextos educativos, como a escola e a universidade.

Perguntas

  • Que papel podem as bibliotecas locais desempenhar nos desertos de notícias?
  • Como é que as bibliotecas podem ajudar a criar confiança nas instituições públicas?

Referência
IFLA (2024). Trend Report 2024. https://www.ifla.org/wp-content/uploads/ifla-trend-report-2024.pdf  
📷Trend Report 2024

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Relatórios de tendências da IFLA no Blogue RBE

 

 

Relatório de tendências da IFLA 2024

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As práticas de conhecimento estão a mudar

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IA e outras tecnologias transformam a sociedade e a criação, utilização e partilha da informação

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Relatório de tendências da IFLA 2023

 

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Relatório de tendências da IFLA 2022

 

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Relatório de tendências da IFLA 2021

 

 

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qui | 05.12.24

Vila Franca de Xira: Bibliomanias, a leitura em qualquer espaço

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A autarquia de Vila Franca de Xira lançou há 26 anos um projeto inspirador que pretendia promover a relação das crianças com o universo da leitura e o acesso aos livros nas escolas do 1.º ciclo e Pré-escolar: as Bibliomanias.

Esta iniciativa, financeiramente e tecnicamente da responsabilidade exclusiva da autarquia, através da sua Divisão de Bibliotecas e Arquivo/SABE, vem provar que, independentemente das limitações de espaço, a leitura pode e deve estar presente em qualquer escola, proporcionando a todos os alunos um acesso facilitador aos livros.

O que são as Bibliomanias?

As Bibliomanias, implementadas no ano letivo de 1997-98 em paralelo com a formalização das candidaturas das escolas à Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), são “cantinhos de leitura” pensados para escolas do concelho que não dispõem de espaço para albergar bibliotecas completas. O projeto foi direcionado para escolas básicas do 1.º ciclo descentralizadas e jardins de infância isolados, com um número reduzido de alunos (até 50) e que pudessem disponibilizar um pequeno espaço para implantar uma pequena instalação de biblioteca. Esta solução prática consiste, assim, num módulo adaptável com estantes para os livros, dois sofás acolhedores e uma caixa de álbuns.

Este espaço, que se pretende apelativo e funcional, é complementado com um fundo documental diversificado, composto sobretudo por livros de literatura infantil, juvenil e temáticos, criando assim o “Cantinho de Leitura”.
O objetivo primordial deste projeto foi dotar todas as escolas e jardins de infância de um espaço dedicado à leitura e à informação, promovendo o prazer de ler em locais onde, de outra forma, os alunos não teriam acesso a estes recursos.

Uma resposta às necessidades das Escolas e da Comunidade

Este projeto inovador respondeu, assim, às necessidades específicas das escolas do concelho de Vila Franca de Xira que enfrentavam a realidade de não possuírem uma biblioteca na escola, devido a limitações de espaço e/ou de alunos. Uma grande articulação entre a Biblioteca Municipal e as Escolas foi crucial para fomentar a viabilização do projeto. Esta parceria foi sustentada por uma tradição de apoio pré-existente da Biblioteca Municipal a outras iniciativas educativas, nomeadamente projetos anteriores às Bibliomanias e à RBE. A colaboração implicava diretamente alguns professores do concelho, cujo envolvimento fortaleceu a ligação com as escolas e contribuiu para a concretização deste projeto.

O impacto e a sustentabilidade das Bibliomanias

A estrutura do projeto permite que as Bibliomanias sejam facilmente instaladas em locais estratégicos dentro das escolas, promovendo uma experiência de leitura informal e acessível. Atualmente, o projeto permanece ativo em 13 escolas e jardins de infância, embora algumas das escolas originalmente beneficiadas tenham sido encerradas.

Nestes casos, o mobiliário e o fundo documental foram redistribuídos para outras escolas dentro do mesmo agrupamento. O acompanhamento contínuo por parte do professor bibliotecário com o apoio da Biblioteca Municipal tem assegurado a sustentabilidade e a relevância do projeto ao longo do tempo.

O papel complementar do Bibliomóvel

Além das Bibliomanias, destaca-se a atuação do Bibliomóvel, uma biblioteca móvel municipal em funcionamento desde 2000. Este serviço chega às escolas do 1.º ciclo e jardins de infância com uma oferta diferenciada e atualizada de livros e outros documentos, sendo muito apreciado e utilizado pelos alunos e comunidade educativa.

Um legado na promoção da leitura e da literacia

Este percurso evidencia a grande aposta na promoção e dinamização da leitura e das literacias de informação por parte dos vários intervenientes. A criação e manutenção das Bibliomanias por parte da autarquia, aliado ao trabalho do professor bibliotecário, e reforçado pelo serviço prestado pelo Bibliomóvel, reconhecem a importância central deste tipo de projetos para a formação integral do indivíduo. Estas iniciativas proporcionam às crianças e alunos um acesso igualitário ao livro e incentivam a formação de cidadãos informados, criativos e críticos.

Vila Franca de Xira continua a afirmar-se como um exemplo de que, com criatividade e determinação, é possível transformar qualquer recanto num espaço de encontros, histórias e imaginação.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qua | 04.12.24

Concurso “Escrever é Viver 2025”

2024-12-04.pngO concurso “Escrever é Viver”, vai já na sua 5.ª edição. É promovido pelo Instituto Multimédia, integrando a Rede de Bibliotecas Escolares, o júri deste concurso.

“Diversidade e Inclusão” é o tema escolhido para a edição do presente ano letivo. 

A diversidade e a inclusão servem para humanizar o mundo e mostram ser pilares essenciais para construir uma sociedade mais justa e equilibrada, onde as diferenças, sejam elas culturais, sociais ou individuais, são valorizadas e respeitadas. Promover a inclusão significa garantir igualdade de oportunidades para todos, reconhecendo que a pluralidade enriquece as nossas vidas e fortalece as comunidades.

“Se, como disse Camões, demos novos mundo ao mundo, hoje acolhemos muitos mundos no nosso mundo…”.

Este concurso desafia os alunos a refletirem sobre estas temáticas, celebrando a diversidade e o poder da inclusão para transformar o mundo.

Um concurso direcionado ao 3.º ciclo do ensino básico das regiões Norte e Centro do país e que tem como objetivos principais, os seguintes:

  • Mobilizar para a produção de textos poéticos ou em prosa;
  • Estimular o gosto pela escrita;
  • Ativar o olhar analítico e o espírito crítico dos jovens;
  • Motivar os jovens para a expressão dos seus sentimentos;
  • Valorizar a criatividade.

Os alunos podem participar individualmente ou a pares (dois elementos apenas), com acompanhamento por parte de cada biblioteca escolar participante.

Os trabalhos deverão ser remetidos até ao dia 31 de janeiro de 2025 para o e-mail concursos@imultimédia.pt .

Estas e outras informações encontram-se no respetivo regulamento do concurso. De notar que a participação requer o preenchimento obrigatório de uma ficha de inscrição que pode ser acedida aqui.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Ter | 03.12.24

“Retalho” alegórico…

por Isabel Franco, professora bibliotecária do AE Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis

2024-12-03.jpgNeste trilho das Bibliotecas Escolares, que agora substancio, uma voz muito doce e tímida sobressaiu, num dos meus primeiros encontros com os mais jovens, e disse: “A Biblioteca é um espaço mágico porque ela permite-nos ir à descoberta.”

À descoberta!

É assim mesmo como eu me sinto, neste meu pequeno “retalho” da vida de uma professora bibliotecária recém-chegada.

É que a Biblioteca Escolar não é nada mais do que o coração da escola, o coração do Agrupamento e, portanto, um espaço onde se combinam sítios, saberes, pessoas, ligações. Enfim, um espaço físico e virtual que se ergue como um universo infindável de experiências e de desafios.

Um universo que não deixa de ser “assustador”, porque monumental, quase inatingível, e que faz com que o(a) professor(a) bibliotecária se sinta uma mera, simples e frágil formiguinha. Dizem, então, ao professor(a) bibliotecário(a), que, entre muitos outros afazeres, é preciso liderar com afeto e pelo exemplo. É preciso investir continuamente na sua formação e na daqueles que o rodeiam, de modo proativo e inovador! É preciso ter uma ação pedagógica que entrelace o lazer, a cultura, a sensibilidade estética com os saberes multidisciplinares e transdisciplinares! É preciso fazer uma boa gestão dos recursos, dos espaços, dos orçamentos! É preciso avaliar.

É preciso…!

E é assim que começa a história da nossa “formiguinha”.

Ela inicia o seu trilho.

Mais eis que, mal começa a andar e a tentar desempenhar as suas tarefas, ela sente a tal magia que paira no espaço da Biblioteca Escolar… A magia que combina os livros, as palavras, os sons com as crianças e jovens em crescimento e em busca de si próprios e dos outros. Essa magia “agiganta” a formiguinha, que continua a ser pequena, a ponto de que ela consegue vislumbrar, ver o horizonte que a convida e a incita a caminhar. Qual?
O da aprendizagem com, através e pelos livros, que com as suas múltiplas e diferentes histórias abrem o portal de uma nova dimensão da Vida.

Um horizonte que convida o professor(a) bibliotecário(a) a dar as suas mãos a todos os que o(a) rodeiam e com eles percorrer um caminho de descoberta dele(a), dos que o rodeiam e, sobretudo, daquela criança, que também existe dentro de cada um de nós e que anseia por se conhecer, por conhecer os outros, o Mundo e o Universo. Aquela criança, que todos nós queremos que venha a ter uma ação eficaz na construção de um futuro melhor. Um futuro no qual o respeito pela diferença, a empatia, a paz, a solidariedade e a sustentabilidade cultivem a magia da felicidade.

Isabel Franco,
professora bibliotecária
Agrupamento de Escolas Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis

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  1. Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
  2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
  3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.

 

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Seg | 02.12.24

Promover a aprendizagem social e emocional em todo o mundo

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A Pesquisa sobre competências Sociais e Emocionais (SSES) 2023 [1] é uma pesquisa internacional sobre competências sociais e emocionais de estudantes de 10 e 15 anos, promovida pela OCDE, concebida para melhorar a nossa compreensão das competências sociais e emocionais dos alunos de 10 e 15 anos, incluindo a forma como estas competências se relacionam com os principais resultados de vida.

O Volume I, Competências Sociais e Emocionais para Vidas Melhores, apresentado em abril, mostrou que habilidades como a persistência, empatia, curiosidade, criatividade e assertividade são importantes para bons resultados e que essas habilidades diferem de acordo com a idade e a origem do aluno.

Em 23 de outubro, foi apresentado o Volume II, que aponta diferenças significativas entre e dentro dos países participantes no modo como as habilidades sociais e emocionais são promovidas na escola, em casa e pela sociedade, bem como na forma como isso se relaciona com as diferenças no domínio de competências.

As descobertas apresentadas apoiam recomendações-chave para melhorar políticas e práticas promotoras da aprendizagem socioemocional em três áreas:

Educação social e emocional na escola

  • Melhorar o feedback do professor, particularmente sobre os pontos fortes dos alunos: Os alunos que receberam mais feedback do professor demonstraram maiores competências socioemocionais. No entanto, o feedback do professor tem de ser melhorado, especialmente no desenvolvimento dos pontos fortes dos alunos. Isso é particularmente importante para jovens de 15 anos e para as meninas.

  • Aumentar as oportunidades de aprendizagem socioemocional promovidas pelos professores: Poucos professores fornecem oportunidades para os alunos aprenderem a regular as emoções e a envolver-se com os outros; a maioria concentra-se no desenvolvimento de competências relacionadas com o desempenho de tarefas

  • Alavancar tecnologias digitais: A maioria dos professores percebeu o ensino online como um desafio para a aprendizagem socioemocional.

  • Aumentar a preparação dos professores: Tarefas relacionadas com o ensino socioemocional estavam entre as tarefas para as quais os professores, particularmente no 3.º ciclo do ensino básico, se sentiam menos habilitados e consideravam que lhes faltava formação.
    Apenas 52% dos professores recorreram extensivamente a recursos oficiais, enquanto 32% usaram recursos informais.

  • Criar estruturas e mentalidades que promovam a aprendizagem socioemocional: A integração formal do ensino de competências socioemocionais no ensino de todas as disciplinas é muito comum em todos os locais. No entanto, entre um e oito em cada dez alunos frequentaram escolas onde nem todos os professores e diretores concordaram que essas competências poderiam ser ensinadas. Uma mentalidade partilhada do amplo impacto das competências sociais e emocionais foi ainda menos comum.

  • Apoiar atividades extracurriculares: O envolvimento em atividades extracurriculares foi positivamente relacionado com todas as competências sociais e emocionais em alunos de 10 e 15 anos. No entanto, apenas um terço (ou menos) dos jovens de 15 anos se envolve regularmente em diferentes atividades extracurriculares. Na maioria dos locais, ainda menos alunos e meninas desfavorecidos o fazem.

Ambientes escolares que fomentam o crescimento socioemocional

  • Transformar as escolas em centros comunitários: os alunos que sentiram mais a pertença à escola e mais emoções positivas do que negativas na escola relataram maiores competências sociais e emocionais, principalmente no que diz respeito à sua capacidade de regulação social e emocional.

  • Abordar fontes específicas de emoções negativas: os alunos relatam diferentes misturas de emoções em cada geografia, especialmente confiança, motivação, ansiedade e raiva. Na Ucrânia e na Espanha, os alunos relatam alta confiança, mas baixa motivação. Em Itália, os alunos estão mais ansiosos do que motivados.

  • Melhorar as experiências de grupos desfavorecidos: Jovens de 15 anos e meninas de baixo desempenho relatam menor sentido de pertença, menos emoções positivas e mais negativas do que seus pares em quase todos os locais. Os de baixo desempenho também lutam contra a raiva e as meninas contra a confiança. Jovens de 15 anos desfavorecidos relatam menos sentido de pertença na maioria dos locais, mas não menos felicidade, motivação ou ansiedade.

  • Promover relacionamentos para desenvolver competências: Alunos que relatam melhores relacionamentos com professores e colegas evidenciam maiores competências sociais e emocionais. Os relacionamentos com professores estão mais associados ao desempenho de tarefas, curiosidade, otimismo e tolerância, enquanto os relacionamentos com colegas se correlacionam com habilidades sociais mais fortes e mais confiança.

  • Melhorar as estratégias dos professores para lidarem com o stress, a fim de apoiar o seu bem-estar e a sua capacidade de modelar uma regulação emocional positiva: Melhorar as estratégias dos professores para lidarem com o stress, a fim de apoiar o seu bem-estar e a sua capacidade de modelarem uma regulação emocional positiva: Em Kudus (Indonésia) e no Peru, quase 70% dos professores relatam uma elevada utilização de estratégias eficazes para lidar com o stress, em comparação com apenas cerca de 30% nos outros locais.

  • Abordar o bullying: Muitos alunos são vítimas e perpetradores de bullying. Em média, cerca de 67% dos perpetradores disseram ter sofrido bullying, enquanto aproximadamente 40% das vítimas também relatam praticar bullying com outros estudantes. O maior nível de sobreposição entre perpetração de bullying e vitimização foi visto na Bulgária e em Deli (Índia).

  • Complementar a prevenção do bullying com aprendizagem socioemocional: tanto vítimas como perpetradores tendem a ter menor responsabilidade, controle emocional e confiança do que alunos não envolvidos em bullying. Vítimas, incluindo aquelas que também se envolvem em bullying, têm menor otimismo e menor resistência ao stress. Vítimas que não se envolvem em bullying distinguem-se dos perpetradores demonstrando maior empatia.

Abordar a igualdade de género

  • Combater estereótipos de género: Muitos meninos, especialmente na Bulgária, no Dubai (Emirados Árabes Unidos), em Helsinquia (Finlândia), em Kudus (Indonésia) e na Ucrânia, acreditam que liderança e acesso a recursos económicos são mais importantes para os homens do que para as mulheres.

  • Promover a igualdade de género em casa: Alunos em lares com responsabilidades partilhadas relataram menos estereótipos de género e maior tolerância, confiança, regulação emocional e habilidades para o desempenho de tarefas. No entanto, as tarefas domésticas são mais frequentemente responsabilidade de membros femininos da família, particularmente na Bulgária, Deli (Índia), Dubai (EAU), Gunma (Japão) e Kudus (Indonésia).

  • Incentivar a procura de carreiras diversificadas: Entre os estudantes com níveis igualmente elevados de curiosidade e de competências matemáticas, os rapazes têm duas vezes mais probabilidades do que as raparigas de optarem por carreiras científicas e tecnológicas em vez de carreiras na área da saúde. Os resultados sugerem que a luta contra os estereótipos de género pode ser um caminho a seguir em determinados locais: as raparigas que discordam que os rapazes são melhores em tecnologia têm mais probabilidades de seguir carreiras em ciências e tecnologia no Peru, Espanha e Ucrânia.

  • Reforçar as parcerias entre a escola e a família: Dados de Bogotá (Colômbia), Peru e Ucrânia mostram que a maioria dos pais considera que competências como a persistência e a regulação emocional são tão importantes para o desenvolvimento dos seus filhos como a literacia e a numeracia. Os pais têm mais probabilidades de se considerarem responsáveis pela aprendizagem social e emocional dos seus filhos do que de considerarem a responsabilidade dos alunos ou dos professores.


[1] OECD (2024). Nurturing Social and Emotional Learning Across the Globe: Findings from the OECD Survey on Social and Emotional Skills 2023. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/32b647d0-en 

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

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