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Blogue RBE

Seg | 15.04.24

Declaração Internacional sobre a Liberdade de Expressão e as Liberdades de Publicar e Ler

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Nos últimos tempos, temos assistido internacionalmente à censura de livros, designadamente à sua remoção de bibliotecas escolas, sobretudo nos Estados Unidos, como se pode verificar na Página de combate à censura da American Library Organization.

No relatório Parents’ Perception of School Libraries and Librarians Survey (Dec 2023) do Every Library Institute pode ler-se:

As principais conclusões indicam uma forte crença entre os pais na importância dos bibliotecários escolares, com uma grande maioria a afirmar que todas as escolas deveriam ter um. Apesar disso, existem preocupações consideráveis sobre o acesso irrestrito aos livros. A maioria dos pais acha que o acesso a certos livros deveria ser restrito por idade ou exigir permissão dos pais. A maioria também acredita no envolvimento proativo dos pais, como ser notificado quando o filho consulta um livro ou ter a opção de impedir que os filhos utilizem totalmente a biblioteca escolar. Uma maioria ainda maior é a favor de sistemas de classificação de livros nas bibliotecas escolares.

Vemos também obras, cujos autores já não podem decidir sobre as mesmas, serem alteradas significativamente. Recordamos, por exemplo Roald Dahl, cujos livros estão a ser reescritos para remover linguagem considerada ofensiva, ou até a tão celebrada entre nós Enid Blyton, cujos famosos cinco sofrem igual processo.

Reconhecendo estes esforços crescentes para censurar os livros e aqueles que os escrevem, publicam ou disponibilizam aos leitores, cinco organizações que representam autores, editores, livreiros e bibliotecas de todo o mundo emitiram uma declaração conjunta. O documento sublinha a natureza essencial e interligada da liberdade de expressão e das liberdades de ler e publicar, e insta os governos e os cidadãos a garantirem que estas liberdades sejam respeitadas na lei e na prática.

Esta declaração (disponível em inglês, francês, russo, chinês, espanhol e árabe), que qualquer pessoa ou organização pode assinar aqui, foi lançada pelas seguintes organizações internacionais:

  • International Authors Forum
  • PEN International
  • International Publishers Association
  • European and International Booksellers Federation
  • International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA)

“As bibliotecas defendem globalmente a liberdade de leitura, não apenas como um objectivo em si, mas também como um motor essencial de um mundo de pessoas informadas e capacitadas. Também fazemos isso todos os dias, para todos os membros de nossas comunidades. Mas esta liberdade só pode acontecer se houver também liberdade de expressão e liberdade para os editores apoiarem a criação e disseminação de novas ideias. Estou, portanto, feliz em me juntar aos nossos amigos da IPA, EIBF, IAF e PEN International na apresentação desta declaração.'
Vicki McDonald, Presidente da IFLA

Declaração Internacional sobre a Liberdade de Expressão e as Liberdades de Publicar e Ler

Com o objetivo central de proporcionar a todos o acesso a uma grande variedade de obras escritas, reunimo-nos para apoiar as liberdades de expressão, publicação e leitura. É nossa convicção que a sociedade precisa de cidadãos esclarecidos que, com base em conhecimentos e informações exactos, façam escolhas e participem no progresso democrático. Os autores, os editores, os livreiros e as bibliotecas têm um papel a desempenhar neste domínio, que deve ser reconhecido, valorizado e possibilitado.

A verdadeira liberdade de leitura significa poder escolher entre a mais vasta gama de livros que partilham a mais vasta gama de ideias. A comunicação sem restrições é essencial para uma sociedade livre e uma cultura criativa, mas implica a responsabilidade de resistir ao discurso de ódio, às falsidades deliberadas e à distorção dos factos. Os autores, os editores, os livreiros e as bibliotecas dão um contributo essencial para garantir esta liberdade.

Sujeitos aos limites estabelecidos pela legislação e normas internacionais em matéria de direitos humanos, os autores devem ter garantida a sua liberdade de expressão. Através do seu trabalho, compreendemos as nossas sociedades, criamos empatia, ultrapassamos os nossos preconceitos e refletimos sobre ideias provocadoras.

Do mesmo modo, os livreiros e bibliotecários devem ter a liberdade de apresentar a todos uma gama completa de obras, em todo o espetro ideológico. Essa liberdade não deve ser limitada por governos ou autoridades locais, indivíduos ou grupos que procuram impor os seus próprios padrões ou gostos à comunidade em geral, mesmo quando isso é feito em nome da "comunidade" ou da sua maioria.

Para que os livreiros e bibliotecários possam apresentar a mais vasta gama de obras escritas, tem de haver liberdade de publicação. Os editores devem ser livres de publicar as obras que consideram importantes, incluindo as que são pouco ortodoxas, impopulares ou que podem mesmo ser consideradas ofensivas por alguns grupos específicos.

É da responsabilidade e missão dos editores, livreiros e bibliotecários, através do seu julgamento profissional, dar pleno significado à liberdade de ler, proporcionando a todos o acesso às obras dos autores.  Os editores, bibliotecários e livreiros não subscrevem necessariamente todas as obras que disponibilizam. Embora os editores e livreiros tomem as suas próprias decisões editoriais e façam as suas próprias seleções, o acesso aos escritos não deve ser limitado com base na história pessoal ou nas filiações políticas do autor.

O risco de autocensura devido a pressões sociais, políticas ou económicas continua a ser elevado, afetando todas as partes da cadeia, do escritor ao leitor. A sociedade deve criar um ambiente que permita aos autores, editores, livreiros e bibliotecários cumprirem livremente as suas missões.

Por conseguinte, apelamos aos governos e a todas as outras partes interessadas que ajudem a proteger, defender e promover as três liberdades acima referidas - de expressão, de publicação e de leitura - na lei e na prática.

Referências

  1. International Publishers Association (2024, 14 de março). International organisations for authors, publishers, booksellers and libraries call for key freedoms to be respected. https://internationalpublishers.org/international-organisations-for-authors-publishers-booksellers-and-libraries-call-for-key-freedoms-to-be-respected/
  2. American Library Organization (s.d.). Banned & Challenged Books. https://www.ala.org/advocacy/bbooks
  3. Every Library Institute (2023, dezembro). Parents' Perception of School Libraries and Librarians 2023. https://www.everylibraryinstitute.org/parent_perception_school_libraries_2023

 

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Sex | 12.04.24

Rede de Bibliotecas de Amares: juntos fazemos mais e melhor!

por Anabela Costa, Coordenadora da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, Amares

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Em 2003 o Município de Amares e o Agrupamento de Escolas de Amares apresentam uma candidatura à Rede de Bibliotecas Escolares onde foi aprovada a instalação cinco bibliotecas em escolas do 1.º ciclo/pré-escolar, nas freguesias de Amares, Barreiros, Caires, Figueiredo e Rendufe. Posteriormente, com a reformulação do parque escolar de Amares, em 2011, onde todos os alunos do pré-escolar e 1º ciclo foram agrupados em seis centros educativos (Bouro, Amares, Ferreiros, Rendufe, Lago e Caldelas), foram criadas novas bibliotecas e outras adaptadas. O Município de Amares foi responsável pelos projetos de adaptação dos espaços, pela aquisição de mobiliário, de equipamento informático e dos fundos documentais. Nesta altura já as bibliotecas da Escola EB2/3 e da Escola Secundária de Amares integravam a RBE. Este trabalho de instalação das bibliotecas escolares obrigou à articulação dos trabalhos com a direção do Agrupamento de Escolas, com os coordenadores das escolas do 1º ciclo/Pré-escolar, com os professores que já se encontravam nas bibliotecas escolares e os técnicos da Câmara Municipal de Amares (Chefe de Divisão da Educação, Arquiteto e Bibliotecária Municipal).

Encontrava-se o edifício da Biblioteca Municipal na fase final de construção, quando foi criado formalmente o SABE – Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, em 2012. O Município de Amares compromete-se a disponibilizar apoio técnico, software, licenças, reforço das coleções e parcerias em projetos e atividades de promoção do livro, da leitura e da escrita, junto da comunidade escolar.

Foto Anabela.jpgA Rede de Bibliotecas de Amares (RBAmares) foi formalizada em 2017, processo este que resulta já de um longo percurso de trabalho em rede. Passam a fazer parte da RBAmares 10 bibliotecas:

  • Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda;
  • Biblioteca do Centro Escolar D. Gualdim Pais;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Bouro;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Caldelas;
  • Biblioteca do Centro Escolar de Ferreiros;
  • Biblioteca do Centro Escolar Vale do Cávado;
  • Biblioteca do Centro Escolar Vale do Homem;
  • Biblioteca da Escola EB2/3 de Amares;
  • Biblioteca da Escola Secundária de Amares;
  • Biblioteca do Instituto Superior de Saúde – ISAVE.

O maior projeto da RBAmares foi criar o catálogo coletivo online, que foi possível com a aquisição, pelo Município de Amares, do software de gestão documental, do licenciamento para todas as bibliotecas do Agrupamento de Escolas de Amares e de formação técnica, permitindo a rentabilização de recursos humanos, técnicos e financeiros.

Periodicamente são realizadas reuniões de trabalho para definição do plano anual de atividades da RBAmares, assuntos relacionados com o catálogo coletivo, planeamento de formação, organização de atividades e parcerias em projetos de promoção da leitura.

Esta rede, com cerca de 20 anos de trabalho colaborativo, tem organizado ao longo dos anos várias iniciativas, das quais se destacam:

  • O projeto O Caminho das Letras (2004-2005);
  • A Feira do Livro de Amares e Mostra Pedagógica (2003-2024);
  • O projeto ParAmares a Leitura (2018-2021);
  • O projeto Amares a Leitura (2023);
  • A colaboração com o Centro de Estudos Mirandinos na organização do Prémio Escolar Francisco de Sá de Miranda;
  • O apoio do Município de Amares no desenvolvimento das coleções;
  • O empréstimo interbibliotecas;
  • A participação do Serviço Educativo da BMA no MIBE, com a realização de sessões de contos;
  • A colaboração na organização da Semana da Leitura;
  • A organização das várias fases do Concurso Interconcelhio de Leitura do Cávado em articulação com a RIBCA;
  • A colaboração na organização das Jornadas Interconcelhias de Bibliotecas;
  • A implementação do catálogo coletivo;
  • Encontros com escritores e de oficinas de ilustração.

As atividades desenvolvidas pela rede concelhia de bibliotecas escolares oferecem ferramentas aos alunos na área da leitura, da escrita e da literacia digital, facilitando no seu dia-a-dia a compreensão dos conteúdos curriculares das várias disciplinas, promovendo o sucesso educativo e a motivação para as aprendizagens. A avaliação geral é muito positiva, quer do ponto de vista dos resultados apurados, quer do feedback positivo dos alunos e professores envolvidos. A evolução nas aprendizagens e a evolução individual de cada criança ou jovem contribui para um maior sucesso na vida pessoal e no futuro profissional, e como consequência, maior felicidade e maior probabilidade de desenvolvimento de um território.

Amares, 8 de março de 2024
Anabela Costa
Coordenadora da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, Amares

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Qui | 11.04.24

Poesia para celebrar a Liberdade e a Paz

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No Dia Mundial da Poesia, a Rede de Bibliotecas de Silves (RBS) brindou a comunidade com um projeto inspirador: "Liberdade e Paz".

A iniciativa convidou os alunos do concelho a mergulharem no universo poético, selecionando e declamando poemas que exaltassem os valores da liberdade e da paz. Para completar a experiência artística, os participantes também foram incentivados a criar ilustrações que traduzissem a sua visão sobre os temas abordados.

O resultado? Um mosaico vibrante de vozes e imagens, eternizado num audiolivro que celebra a criatividade e o talento dos jovens de Silves. Os poemas escolhidos tecem uma rica tapeçaria de temas, desde a luta pela liberdade até à esperança por um futuro mais justo e fraterno.

Mais do que uma bela homenagem à poesia, "Liberdade e Paz" configura-se como um convite à reflexão sobre valores essenciais para a construção de um mundo melhor. Através da voz dos alunos, os versos transcendem o papel e transformam-se num instrumento de esperança e desejo de construção de um futuro livre de opressão e marcado pela paz.

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Qua | 10.04.24

A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: Estratégias inovadoras para apoiar o trabalho dos professores

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A incorporação da Inteligência Artificial (IA) no domínio educativo tendo vindo a transformar a maneira como aprendemos, mas também como ensinamos. De facto, a IA pode ser usada como uma ferramenta de apoio para o trabalho dos professores, quer seja na avaliação sumativa escrita, classificação de trabalhos escritos e monitorização de fóruns de alunos, quer seja na utilização de assistentes virtuais de ensino que usam a IA ou ainda na recomendação de recursos pedagógicos, como nos diz a Comissão Europeia (2022)[1].

Este quinto artigo da série "A inteligência artificial (IA) nas bibliotecas escolares" aborda estas questões relativas ao potencial da IA no apoio aos professores, destacando o papel das bibliotecas escolares na integração destas tecnologias para fomentar a inovação na prática letiva.

Personalização do ensino

 A IA tem a capacidade de analisar o desempenho dos alunos em tempo real, fornecendo um diagnóstico automatizado que identifica as fragilidades dos alunos, isto é, os conteúdos em que têm mais dificuldades. Essa análise detalhada permite aos professores personalizar o conteúdo de ensino com base nas necessidades e estilos de aprendizagem de cada aluno, quer ao nível da planificação das aulas, quer da própria avaliação.

Para além disso, os algoritmos de IA podem ser utilizados para desenvolver planos de aula que se ajustam automaticamente ao ritmo de aprendizagem de cada estudante, abordagem que assegura que todos os alunos, independentemente do seu nível, possam progredir na aprendizagem.

Avaliação e feedback personalizado

Relativamente à avaliação, a IA abre caminho para ferramentas de avaliação inteligente que auxiliam na criação e na correção de testes, proporcionando feedback instantâneo e personalizado. Essas ferramentas analisam padrões de desempenho dos alunos e, para além de economizar tempo aos professores, oferecem informação detalhada sobre áreas de melhoria, contribuindo para melhorar continuamente o processo educativo.

Têm surgido inúmeras plataformas que apoiam o trabalho do professor, nestas áreas, como por exemplo:

  • Magic School:  focada na automação de tarefas, esta plataforma utiliza IA para gerar exercícios e atividades interativas personalizadas, criar planos de aula adaptados aos objetivos educativos e resultados de aprendizagem dos alunos, corrigir tarefas automaticamente e fornecer feedback instantâneo;

  • School AI:  é uma plataforma que utiliza IA para personalizar a educação, oferecendo a criação de planos de aula e feedback individualizado;

  • Mizou: ferramenta criada para apoiar os professores na personalização do ensino, através da criação de chatbots adequados às necessidades de cada aluno.

Para além destes recursos, já existem repositórios que organizam ferramentas de IA para educadores. O Canopy Directory, que disponibiliza listas de recursos para avaliação, criação de conteúdos, planificação de aulas e apresentações, é uma dessas plataformas.

As ferramentas de IA podem também ajudar os professores a criar apresentações mais profissionais e eficazes, permitindo:

  • Economia de tempo: estas ferramentas podem automatizar tarefas repetitivas, como a criação de slides e a formatação de texto;

  • Criação de apresentações mais envolventes: as ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar apresentações mais interativas e visuais, o que pode ajudar a motivar os alunos.

 A título de exemplo, deixamos dois exemplos de ferramentas para a criação de apresentações.

  • Gamma: ferramenta que cria apresentações envolventes e interativas. Utiliza algoritmos de IA, podendo sugerir layouts de slides, gráficos e conteúdo baseado no tópico da apresentação.

  • SlidesGPT: plataforma que permite criar apresentações de PowerPoint com a ajuda da inteligência artificial, utilizando a interface de programação de aplicações (API) do ChatGPT.

Recomendação de recursos pedagógicos

 Uma das vantagens da IA é a sua capacidade de recolher e organizar recursos educativos relevantes, pois consegue explorar rapidamente bases de dados, repositórios académicos e até mesmo a web. Além disso, a IA pode categorizar e classificar esses recursos de acordo com tópicos específicos, podendo fazer sugestões personalizadas. Com base nos objetivos de aprendizagem definidos pelo professor, as ferramentas baseadas em IA podem recomendar:

  1. Sugestões de leitura: A IA pode sugerir artigos académicos, livros e outros textos relevantes para o tópico da aula. Além disso, pode até mesmo resumir esses materiais para facilitar a revisão. Plataformas como  Perplexity AI e Consensus são exemplos de ferramentas que utilizam IA para encontrar e resumir informações em artigos científicos;

  2. Vídeos e animações: A IA pode recomendar vídeos explicativos, documentários ou animações que ilustrem conceitos importantes;

  3. Atividades interativas: Com base nos objetivos da aula, a IA pode propor atividades interativas, como quizzes, simulações ou discussões em grupo, que envolvem os alunos e promovem a compreensão ativa.

 A personalização estende-se também à criação de recursos educativos, estando já disponíveis plataformas que usam IA para criar recursos educativos interativos e adaptados às necessidades de cada aluno. É este o caso de:

  • Diffit: permite a criação de atividades e avaliações personalizadas, adaptando os conteúdos a diferentes níveis de conhecimento;  

  • Curipod: permite a criação de recursos didáticos e planos de aula, gerando materiais em diversos formatos (textos, exercícios, apresentações).

Os assistentes virtuais[2], por sua vez, podem proporcionar apoio adicional, facilitando a aprendizagem autónoma e aprofundada ao esclarecer dúvidas e oferecer explicações alternativas quando necessário.

Embora seja uma ferramenta poderosa, a IA nunca substituirá a experiência e o conhecimento dos professores que devem:

  • selecionar as abordagens pedagógicas que funcionam melhor para cada grupo, pois conhecem os alunos e entendem as dinâmicas da sala de aula;

  • avaliar criticamente os materiais sugeridos pela IA, verificando a qualidade, relevância e precisão desses recursos;

  • adaptar os materiais sugeridos pela IA ao contexto específico da sua turma, verificando se são adequados para a faixa etária, o nível de conhecimento e os interesses dos alunos;

  • garantir que os materiais utilizados cumprem padrões éticos e académicos, o que implica verificar a fonte, evitar o plágio e garantir que os materiais não discriminem ou violem direitos autorais.

A biblioteca escolar surge como um elo fundamental na integração da tecnologia na escola, atuando como um centro de inovação, formação e colaboração. Ao capacitar os professores para utilizar estas ferramentas inovadoras, a biblioteca escolar promove a inovação na prática letiva. Nesse sentido, a biblioteca[3] pode:

  • Organizar oficinas e seminários para professores sobre os princípios básicos da IA, ética, privacidade e segurança;

  • Disponibilizar recursos educativos sobre IA;

  • Colaborar com os professores na integração de ferramentas de IA no currículo;

  • Incentivar a dinamização de projetos práticos que permitam aos professores explorar aplicações concretas da IA;

  • Apoiar a implementação de plataformas personalizadas de aprendizagem que utilizem IA;

  • Participar na elaboração de políticas claras sobre o uso ético das tecnologias baseadas em IA;

  • Promover discussões em torno da importância da privacidade digital e dos desafios éticos associados à IA.

A implementação da IA na educação abre um horizonte de possibilidades para personalizar a aprendizagem, tornando-a mais inclusiva, eficaz e adaptada às necessidades individuais dos alunos. Ao diagnosticar, adaptar e enriquecer o processo educativo através da tecnologia, estamos não apenas a otimizar o ensino, mas também a preparar os estudantes para enfrentar os desafios de um futuro em constante mudança.

Notas

[1] Para saber mais sobre estas orientações da Comissão Europeia, consulte o seguinte artigo no blogue RBE: Utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem

[2] Para saber mais sobre os assistentes virtuais, consulte o artigo A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem - Os assistentes virtuais.

[3] Para conhecer outras propostas de ação da biblioteca escolar, no âmbito dos Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas, consulte o artigo  A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares: Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

Referências

Comissão Europeia, Direção-Geral da Educação, da Juventude, do Desporto e da Cultura (2022). Orientações éticas para educadores sobre a utilização de inteligência artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem. Serviço das Publicações da União Europeia. https://data.europa.eu/doi/10.2766/07

📷 Imagem criada com Dall-e

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Veja também - Série: A Inteligência Artificial nas Bibliotecas Escolares

 

Uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem. Os assistentes virtuais

(Blogue RBE, Qua | 06.03.24)

 

 

Uma resposta estratégica aos desafios da aprendizagem

(Blogue RBE, Qua | 14.02.24)

 

 

Um Contributo para o Desenvolvimento Digital das Escolas

(Blogue RBE, Qua | 10.01.24)

 

 

Desafios e Oportunidades

 (Blogue RBE, Qui | 07.12.23)

 

 

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Ter | 09.04.24

«Narrativas Matemáticas»: Oficinas de escrita

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Considerando a escrita como um processo para promoção da aprendizagem transversal e interdisciplinar, a mesma deve ser encarada como competência a trabalhar na generalidade das disciplinas, em todos os níveis de ensino. É por isso muito importante a criação de cenários de aprendizagem pelo professor de uma área curricular/ conselho de turma em articulação com a biblioteca escolar.

Na sequência da articulação entre o Departamento de Matemática e a Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas de Bom Sucesso, concelho de Vila Franca de Xira, foram realizadas, no presente ano letivo (2023-2024) diversas sessões com turmas dos 2.º e 3.º ciclos como forma de inspiração para as criações a serem concebidas no 2.º período em sala de aula:

  • Atendendo ao facto de os alunos do 5.º ano (turmas A, B, C e D) irem construir contos no âmbito da matemática, foi lida e explorada a obra O rapaz que tinha zero em Matemática, de Luísa Ducla Soares.

  • Como os alunos do 6.º ano (turmas C e D) produziram poesias matemáticas, foram lidos e explorados poemas da obra Versos quase matemáticos, de João Pedro Messéder.

  • Com os alunos do 7.º ano (turmas A, B; C e D) e com os do 8.º ano (turmas A, B e D), foram primeiramente salientadas dicas de como escrever uma notícia e, de seguida, foi proposta a elaboração conjunta de uma notícia matemática, com recurso à ferramenta digital fodey.com.

No 2.º período, depois de criadas as notícias, poesias ou contos, cada turma aderente selecionou a melhor criação e, por sua vez, um júri elegeu a melhor de cada categoria/ ano de escolaridade. Os textos vencedores foram lidos aos alunos do 1.º ciclo, aquando da semana do Leitura/ comemoração do Dia do PI.

Além de jogos e atividades diversas, foram, foram dados a conhecer os vencedores do Concurso «Narrativas Matemáticas» por categoria/ ciclo de ensino e que podem ser lidos em https://www.calameo.com/read/0074054081b5b20c13e23.

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Seg | 08.04.24

Olhares sobre a Cidadania no contexto das Bibliotecas Escolares

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Definida como uma das prioridades para as Bibliotecas Escolares em 2023/2024, a formação dos alunos para o exercício de uma “cidadania democrática, crítica, empreendedora e sustentável” exige o contributo dos vários parceiros educativos e esses serviços educativos são um pilar fundamental neste caminho.

A necessária capacidade de refletir sobre as questões, expressar-se em conformidade com as reflexões realizadas e participar ativamente na construção da diferença deve ser trabalhada desde as mais tenras idades.

...diálogo intercultural, tolerância, valorização da diversidade, respeito e reconhecimento do outro...

Exemplo desse trabalho é o que a Biblioteca Escolar da Escola Básica Fernando Pessoa realiza com alunos do 5.º ano, em colaboração com o docente de Cidadania e Desenvolvimento e em convergência com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Com este projeto “pretende-se incentivar os alunos a conhecer os conceitos de identidade, de pertença e de diversidade cultural. Procura-se compreender o fenómeno de globalização e a sua relação com migrações, as causas e formas de discriminação, racismo e xenofobia.” Partindo da premissa de que a leitura se pode “constituir como um instrumento de promoção das competências de diálogo intercultural, tolerância, valorização da diversidade, respeito e reconhecimento do outro”, a partir desta é promovido o contacto com outros mundos e realidades, valorizando-se o descentramento e o reconhecimento do direito à diferença e à inclusão. No fundo, trabalhando a relação dos alunos com o mundo que os rodeia, levando-os a reconhecer a crescente diversidade social e cultural que tem vindo a caracterizar Portugal, por via da literatura é promovida a tolerância, a não discriminação, contribuindo para o não florescimento do radicalismo.

E porque as bibliotecas escolares são especialistas em conjugar múltiplas aprendizagens, dando-lhes sentido e coerência, estes alunos aprendem, no processo, a usar as bibliotecas (escolares) em autonomia, a utilizar o catálogo coletivo concelhio para localizar e reservar livros, a explorar termos de pesquisa para obter mais informação, a explorar ferramentas digitais (Book Creator, Genially, PowerPoint) e a preparar e realizar apresentações orais, complementando assim a leitura e as reflexões suscitadas. Todos acabam por tomar contacto com um grande número de livros e, graças à compilação que surge como produto final, todos têm oportunidade de, mais tarde, regressar a tão importantes aprendizagens.

...ativismo sociopolítico, com alunos do 8.º e do 9.º ano...

No ciclo de ensino seguinte, a biblioteca escolar da Escola Básica da Corga de Lobão, por exemplo, partindo das propostas de atividades da RBE Cidadania e biblioteca escolar | Pensar e Intervir, implementou, este ano letivo, duas ações no âmbito do ativismo sociopolítico, com alunos do 8.º e do 9.º ano: Jogo da Discriminação e O que é a inclusão. Além de mobilizados para estas ações em que ativamente participaram com discussões abertas, os alunos tiveram, ainda, a oportunidade de as avaliarem e darem sugestões de como, no seu contexto, poderiam ser ainda melhoradas, tal como os docentes de Cidadania e Desenvolvimento e de EMRC envolvidos, em articulação com a Professora Bibliotecária. As bibliotecas escolares deste agrupamento têm já trabalho recorrente no âmbito da Cidadania, mais uma vez conjugando múltiplas aprendizagens, que podem ainda incluir uma abordagem em articulação com a literacia dos media ou a literacia da informação e conteúdos de diferentes áreas curriculares.

...combate firme e claro ao racismo, à distinção, à exclusão...

Por vezes, uma ação isolada pode ter um importante impacto nas consciências, desde que adequadamente pensada, organizada e planificada. É o caso da exposição interativa que a equipa da biblioteca escolar da EB António Alves Amorim, em Lourosa, criou com o intuito de marcar o Dia Internacional em memória das vítimas do Holocausto e, dessa forma, contribuir para a tomada de consciência da importância do combate firme e claro ao racismo, à distinção, à exclusão ou a «qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência fundada na raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha como objetivo ou efeito destruir ou comprometer o reconhecimento, o gozo ou o exercício, em condições de igualdade, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais nos domínios político, económico, social e cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública». (artigo 1.º da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial).

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Sex | 05.04.24

Venham mais cinco!

por Jorge Brandão Carvalho, professor bibliotecário, AE de Amares

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A manhã está cinzenta e fria, com chuva miudinha e – confesso – este é daqueles dias em que é preciso mobilizar a vontade para começar a trabalhar. No caminho vou rememorando o que está previsto para hoje. Chego à Biblioteca durante o primeiro intervalo da manhã e a D. Conceição tenta controlar a primeira avalanche do dia. Acalmará aos poucos depois do toque, mesmo com os retardatários que quase se arrastam para as aulas. Para começar, esperam-me três caixotes de livros acabadinhos de chegar, para verificação e registo. Claro que esta tarefa podia esperar mais uns dias, mas confesso que não resisti ao bichinho e toca a conferir faturas, preencher papéis…. Interrompo a tarefa três ou quatro vezes para ir aos computadores acompanhar um grupo de alunos que fazem um trabalho de Filosofia e para falar com uma colega que me vem lembrar de que fiquei de ir à turma dela, às dez e meia, para uma sessão do projeto de Cidadania. Não me esqueci, mas faz bem em lembrar porque a memória já conheceu melhores dias. Esta turma decidiu trabalhar o conflito israelo-palestiniano, excelente escolha para aprender, ler, pensar, formar opiniões fundamentadas. Lemos um excerto de Caros fanáticos, de Amos Oz, uma leitura que a todos faz perceber que com humor se dizem coisas muito sérias e que as realidades deste mundo não são mesmo só preto ou branco.

O resto da manhã é passado no atendimento. Ainda não é desta que acabo o registo dos livros novos, alguns muito aguardados. Uma aluna que vem devolver um livro e questiona se o “Nunca jamais” já foi devolvido, fica triste com o “ainda não” da resposta, mas, entretanto, leva uma alternativa sugerida. Consigo convencer um outro a requisitar um “Michel Vaillant” para substituir a manga que não estava disponível. Dois alunos chegam para fazer os TPC e vou ver se precisam de ajuda. Estes, pelo menos, não vêm fazer o que costumo chamar os TPCCCCB (Trabalhos Para Casa Copiados do Caderno do Colega na Biblioteca). Uma caixa com ipads é devolvida mesmo no toque que marca o fim da manhã: “Professor! É uma seca! A net está super lenta!”. Pois. As malhas e os nós que as redes tecem!

Duas e meia da tarde. Regresso do almoço. Chuva, friiiiiiio, devia haver uma sala para sestas, valeu o café para espevitar. Tento retomar a verificação dos livros novos que chegaram. Mas a Biblioteca está cheia, a contrariar os que acham que aos jovens de agora não lhes interessam estas coisas. Cheia é favor! Rebenta pelas costuras. Mesmo no “Aquário” o ruído parece-me um pouco excessivo para aquilo que é tolerável aos meus ouvidos. Porque é que nas bibliotecas dos filmes há sempre um silêncio reverencial e que dificilmente é perturbado? Vou tentar “pôr ordem na casa”. As duas salas estão cheias a abarrotar. É normal! Está um dia frio de chuva, daqueles em que a Biblioteca se torna no refúgio preferido de muitos alunos: “é o melhor sítio da escola!”. Começo a contá-los, registar até, que uma evidência pode sempre vir a jeito: um, dois, cinco… quinze ... vinte e sete nos computadores, preparo-me para lembrar que jogos não, mas “não, não são jogos Professor!”. Também não são rosas, talvez espinhos dos trabalhos; mais, nas mesas de grupos, vinte e oito, vinte e nove… mais uns quantos nos portáteis ... quarenta e dois, espreito, que “não stôr, não estava a jogar!”, estava mesmo a olhar para o ambiente de trabalho; à volta do aquecedor forma-se um grupo, parecem as meninas à volta da fogueira, mais uns, muitos, no telemóvel, no Tik Tok, por certo! Mais seis(!!) meninas no portátil, veem “Favores em cadeia”, “é para cidadania!”, faço o favor de as deixar ficar, sessenta e cinco; abro as janelas e peço para falarem mais baixo, como se possível fosse, sessenta e cinco adolescentes, mesmo que só respirassem, quanto mais assim, que mal ouço quando alguém grita ó “Máriza” chega cá!”; respiro fundo eu e tomo fôlego para o outro lado, nos sofás mais nove, entre jornais e revistas, que se leem enquanto se mandam mensagens e a música que, aqui, à vontade se pode ouvir, setenta e quatro, lugares são só sete, mais dezassete na zona de leitura, noventa e um, entre livros e cadernos, nas mesas uma de joelhos, promessa ou obrigação não deve ser, mais três no balcão faz noventa e cinco! Número quase redondo. Por pouco. Venham mais cinco…

A tarde promete! Amanhã vou conseguir tratar daqueles livros!

Jorge Brandão Carvalho, professor bibliotecário
Agrupamento de Escolas de Amares

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  1. *Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
  2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
  3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qui | 04.04.24

Con.Raízes24: Antes e Depois de Abril

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Con.Raízes é um projeto dos professores bibliotecários da Rede Interconcelhia de Alter do Chão, Castelo de Vide, Crato, Gavião, Marvão, Nisa, e Ponte de Sor que visa promover o conhecimento, a partilha e a divulgação das diferentes manifestações culturais dos seus concelhos.

PHOTO-2024-03-20-15-32-04 - Fátima Manuel Caeiro

Em 2023| 2024, o concelho responsável pela sua organização é Ponte Sor. Além dos concelhos mencionados anteriormente, este ano temos mais três convidados: Avis, Mora e Fundão. Quanto ao tema, este ano é dedicado aos 50 anos do 25 de abril, Sentir Abril.

Recordamos que este projeto foi reconhecido em 2024, pela RBE, no âmbito da candidatura Ideias com Mérito.

O programa está dividido em dois dias. Assim, o primeiro momento aconteceu no passado dia 20 de março, no cine teatro de Ponte Sor. A tarde de trabalho foi dividida em dois momentos:

  • o primeiro painel Antes e Depois de Abril, envolveu a participação dois jovens, alunos da Escola Secundária de Ponte Sor, e dois elementos da comunidade. Numa conversa mediada pela Dr.ª Ana Isabel Silva, Diretora do Arquivo Municipal de Ponte Sor, os elementos da comunidade partilharam as suas memórias daquele dia. Os jovens abordaram a importância do 25 de abril nas suas vidas;

  • após um Abril de Honra, gentilmente oferecido pelo AE de Ponte Sor, tivemos oportunidade de assistir ao espetáculo A minha solidão devia ter asas, pela companhia de teatro Andante. O espetáculo fantástico onde se combinam textos de Alberto Pimenta, Alejandra Pizarnik, Alexandre O´Neill, Álvaro de Campos, Ana Luísa Amaral, António Lobo Antunes, António Ramos Rosa, Bénédicte Houart, Camilo Pessanha, Cátia Mazari Oliveira, Federico García Lorca, Fernando Assis Pacheco, Fernão Mendes Pinto, Ferreira Gullar, Gil Vicente, Irene Lisboa, José Mário Branco, José Saramago, Maria Velho da Costa, Mário Cesariny, Rosa Alice Branco, Sidónio Muralha e Wislawa Szymborska.

Agradecemos desde já o apoio do Município de Ponte Sor pelo apoio na concretização deste programa.
No próximo dia 18 de abril, irá decorrer o segundo dia do Con.Raízes. Nesse dia serão apresentados os projetos em curso, nas diferentes escolas.

Professores bibliotecários da Rede Interconcelhia de Alter do Chão, Castelo de Vide, Crato, Gavião, Marvão, Nisa e Ponte de Sor

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Ter | 02.04.24

Hoje é Dia Internacional do Livro Infantil

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O que acontece é que (acho eu) não escrevo “para” crianças. Nem não escrevo” para” crianças. Apenas escrevo.
                                                                                                    Manuel António Pina (1999)

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Desde 1967, no dia do aniversário de Hans Christian Andersen, 2 de abril, que se festeja o Dia Internacional do Livro Infantil com o propósito de inspirar o amor dos mais novos pela leitura e valorizar os livros infantis na vida da criança e no processo de educação.

O Conselho Internacional de Livros para Jovens (IBBY internacional) disponibiliza no seu portal um conjunto de materiais digitais que poderão ser inspiradores para os professores bibliotecários, docentes, pais ou todos aqueles que trabalham com crianças e promovem o livro infantil.

A IBBY decidiu que a palavra de ordem para os festejos deste dia é Imaginação, uma vez que incentivar o processo imaginativo conduzirá à compreensão mútua e a um espírito de tolerância.

Imagem6.png Em 2024, foi convidada a autora japonesa Eiko Kadono para escrever uma carta para as crianças de todo o mundo. Nana Furiya, uma artista japonesa, criou o cartaz para assinalar a data este ano.

 

Em Portugal, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas disponibiliza um cartaz digital para assinalar o Dia Mundial do Livro Infantil, este ano foi convidada a jovem ilustradora Inês Viegas Oliveira[1], vencedora do Prémio Nacional de Ilustração em 2023.

Felizmente, o mundo editorial português tem vindo a contribuir significativamente para a divulgação de catálogos variados e de grande qualidade que permitem conquistar os pequenos leitores. 

Na preparação dos festejos retiramos da estante O Meu Pai Devia Ser Bromatólogo (Hipopómatos Edições, 2022), Imagem1.jpguma vez que se trata de uma narrativa bem-humorada e divertida, mas que simultaneamente enaltece a literatura infantojuvenil, elogia a magia das histórias que ouvimos, lemos e damos a ler. Convida-nos para um agradável e despretensioso diálogo intertextual. Uma excelente leitura para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil.

Esta é a história do Frederico, um rapaz que se alimenta, literalmente, das histórias que lê nos livros - “Ele é maluco por histórias! Apanha cada barrigada! “– afirma a irmã. Um dia, tornou-se “meio vegetariano” devido à quantidade “de coisas verdes que comeu”, pois, a história passava-se na floresta. Pouco a pouco, vai alargando a sua dieta a outros volumes impressos, tipo dicionários.  Frederico não é esquisito, prova qualquer história. Como qualquer bom leitor, Frederico gosta de partilhar as impressões, descrever sensibilidades, perguntar ou tecer alguns comentários. Um dia, provou uma história, logo pela manhã, e… Como não aparecia, todos andavam à sua procura. Onde estaria o Frederico?

A ilustração de Renata Bueno confirma o tom humorístico da narrativa, as personagens são apresentadas num traço tosco remetendo-nos para o imaginário infantil. A guardas, iniciais e finais, são padronizadas recordando uma teia, onde as linhas se entrelaçam incitando a ideia de que as histórias se envolvem umas nas noutras.

A narrativa da Nazaré de Sousa envolve-nos carinhosamente no feitiço das histórias que nos fizeram crescer, na incrível descoberta das palavras e na importância do outro. Dos que lemos, dos nos deram a ler, dos que nos acarinharam e continuam a acarinhar.

Sugestão de outras leituras para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil

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“À luz da Lua, um pequenino ovo descansava numa folha. Num domingo de manhã o sol quente chegou e PLOC!..., de dentro do ovo saiu uma lagartinha magra e esfomeada.”

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 “Há muitas histórias dentro da História. De algumas nunca saberemos se são verdadeiras ou inventadas. É o caso da Cruzada das Crianças que terá ocorrido em 1212, formada por uma multidão composta essencialmente por crianças.

Afonso Cruz inspirou-se neste episódio do passado para escrever uma história no presente, em que dá voz às reivindicações das crianças por um mundo melhor. Serão ideias ingénuas e utópicas? Talvez. Mas só quem não se deixa derrotar pela realidade pode sonhar com a criação de um mundo mais justo, humano e harmonioso.”

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“Não gostava dos seus olhos enormes. Não gostava do seu corpo, que mudava de cor a toda a hora. Não gostava das pernas curtas, e muito menos daqueles cornichos na sua cabeça imóvel. Desejava ter a elegância da girafa, os belos olhos da gazela ou a longa juba do leão. Determinado a mudar o seu aspecto, certo dia o Camaleão procurou a poderosa feiticeira Sadio...”

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“Neste livro podes fazer os desenhos que quiseres.
Por exemplo, se a casa está desenhada, desenha a paisagem, se a paisagem está desenhada, desenha a casa…
Vista por dentro ou por fora? Arrumada ou desarrumada? Cheia de coisas reais ou habitada por seres imaginários? Preferes desenhar com todos os pormenores ou de forma rápida e expressiva? Com várias cores ou só uma? Usar lápis ou marcadores?
Damos-te algumas ideias, mas neste livro, a partir de agora, mandas tu. Desenha tudo (tudo, tudo) o que quiseres.”

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“Quando chega a estação seca, um bando de aves instala-se numa imponente árvore, no coração da floresta. Entre elas está a Ave. Aquela é a sua casa. Na altura da despedida, no entanto, a Ave não está disposta a abandoná-la. “Maravilhoso, poético… fala da importância do abrigo e do seu poder de incentivar a confiança e a tolerância, bem como de capacitar o desenvolvimento e a independência.” [Julia Eccleshare]”

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“O guarda-chuva do Sr. Hulot não o abriga apenas do mau tempo, mas também de pensamentos cinzentos que lhe deixam o coração a patinar à chuva. Por vezes, para os afastar, basta um encontro de velhos amigos na rua. Com dois ou três dedos de conversa, ou mesmo uma mão cheiinha de coisas para contar, fica logo tudo mais animado.”

 

Nota

[1] Inês Viegas Oliveira: “Na tentativa de saber tudo, licenciou-se em Física e depois de meio mestrado em Matemática apercebeu-se de que não sabia nada. Fez então uma pós-graduação em Ilustração na UAL, que a deixou mais tranquila. Em 2020 e 2023 foi selecionada para a exposição de ilustradores da Feira do Livro de Bolonha e em 2022 foi finalista dessa mesma exposição. Faz parte do projeto europeu Every Story Matters, que promove a inclusão através de histórias e livros. O seu primeiro livro, O Duelo, surgiu no âmbito deste projeto, e em 2022 foi publicado pela Planeta Tangerina, tendo vencido o Prémio Nacional de Ilustração no ano seguinte. “ informação retirada do portal da DGLAB 

 

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