Pelo segundo ano consecutivo, a Rede de Bibliotecas Escolares define como prioridade aperfeiçoar uma presença em linha estruturada, atualizada e sistemática, associada à curadoria de recursos digitais, bem como a uma prestação de serviços complementar à biblioteca física.
Republicamos um conjunto de artigos que têm sido publicados com o objetivo de contribuir para o trabalho das bibliotecas neste domínio.
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No artigo de hoje, debruçar-nos-emos sobre os serviços da biblioteca escolar. No espaço físico da biblioteca escolar ou em linha, os serviços a disponibilizar devem orientar, aconselhar e acompanhar cada utilizador - alunos, professores e (...)
Parte 1 - Como Criar uma Identidade Digital de Sucesso
23.03.23
A rápida evolução da tecnologia e a presença constante dos ambientes digitais têm trazido mudanças profundas na vida profissional, pessoal e social. As bibliotecas escolares não podem ficar alheias a esta hibridez que caracteriza o (...)
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Leitura: 5 min | Se está a (re)equacionar o sítio da sua biblioteca, uma das questões a que não pode ficar alheio é o modo como a escrita se vai concretizar. Neste artigo damos-lhe alguns conselhos que o poderão ajudar a tornar as suas (...)
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A maioria das pessoas pensa que o design é algo decorativo. Para mim, design não é apenas o que parece e se sente. É como funciona. Para mim, nada é mais importante no futuro do que o design. O design é a alma de tudo o que foi criado (...)
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(Re)Leia algumas das vozes que decidem e que, em 2022-2023 quiseram partilhar as suas opiniões sobre o papel das bibliotecas escolares nos seus agrupamentos.
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por Paula Pio, professora bibliotecária do AE Gavião
Republicação do artigo de Seg | 06.02.23
Era apenas um dia de dezembro, como qualquer outro. As tarefas na biblioteca escolar assemelhavam-se às dos dias anteriores: livros para registar,Escola a Lercom o 1º Ciclo, tentar levar os colegas do 2º CEB a aderir a uma atividade que achei gira, ajudar os gaiatos que nos procuram a realizar tarefas.
Apenas nos faltava aquele brilho do inusitado, que nos dá cor aos dias e apesar da decoração de Natal já instalada, teimava em não aparecer.
Todos os dias fazemos o pino, malabarismo para convencer alunos e docentes de que a biblioteca escolar pode ser central na ação educativa, que estamos aqui prontos, disponíveis. Que não recomendamos apenas livros, mas introduzimos o sonho na vida de todos e cada um. Que despertamos a curiosidade ou apresentamos aprendizagens. Que não estamos, SOMOS!
Mas há dias, como este de dezembro, igual a tantos outros dias ou dezembros, que deixamos cair os braços, suspiramos de cansaço e apenas nos deixamos levar pela rotina. Estes são os dias das sombras, que me fazem questionar porque “estou nisto” há tantos anos. E não, não consigo encontrar uma resposta satisfatória.
Por volta do meio-dia irrompeu na biblioteca uma aluna do ensino secundário, daquelas que já quase desistimos de tentar seduzir.
− Professora, posso perguntar uma coisa?
Claro.
Quando é que volta à nossa sala com o monte dos livros para nos falar deles? Já sentimos a falta dessas aulas.
Naquele mesmo instante perdoei-lhe dizer que oClube de Leituraera uma aula.
O dia deixou de ser igual a tantos dias. Dezembro deixou de ser um dezembro igual aos outros. Todas as dúvidas encontraram resposta.
Naquele minuto o brilho nos olhos substituiu as iluminações da época. Naquele minuto foi Natal para uma professora bibliotecária.
Paula Pio Professora Bibliotecária do AE Gavião 10/01/2023
1. *Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obraRetalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendoeste formulário.
As questões da inteligência artificial e da forma como estas impactam a educação e o trabalho das bibliotecas, escolares ou não, é, sem dúvida, um assunto que nos tem despertado a atenção e, certamente, continuará a despertar. Leia esta seleção de artigos.
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por Ana Eustáquio, professora bibliotecária da ES Damião de Goes, Alenquer
Republicação do artigo de Seg |09.01.23
Escrevo, num dia de chuva, sobre a biblioteca da escola onde exerço funções de professora bibliotecária há cinco anos, com muito gosto, apesar das eventuais escolhas, ou não tivesse assumido o cargo em nome da fugidia criatividade docente e do amor aos livros. A cor-base desta biblioteca é o azul, presente na parede lateral da sala de entrada, no pilar que separa esta sala da zona dos computadores e do trabalho de grupo, nas cadeiras, nas pernas das mesas, nos varões laterais das estantes que se dispersam pelas duas salas seguintes e nosplacardsde exposição. Alguns dirão que o azul-ferrete predomina, mas na verdade é o “azul do nada/com que se fazem os deuses e a poesia”[2] que se manifesta. Sim, porque o espaço e as suas características físicas são intrínsecos ao movimento que reúne corpos, objetos, livros, emoções, pensamentos, ideias, virtualidades e pessoas, como a requalificação recente da nossa biblioteca evidenciou.
Nas arrumações e desarrumações que temos encetado, destaco a vida que tem sido insuflada à nossa coleção. As tentativas de organizar o caos e de criar fios orientadores de quem é convidado a entrar no labirinto, os alunos, em primeiro lugar, têm permitido ir além da tranquilidade da CDU. As exposições temporárias que organizamos, o Clube de Leitura e outras formas de socialização da leitura promovem novos encontros enriquecedores entre os livros e os seus jovens leitores, que também colaboram na renovação da coleção, dando sugestões de aquisição e participando nas atividades ou, tão-só, usufruindo de tudo o que se lhes oferece, aprendendo, ainda que de maneira não formal. Já organizámos mostras de livros antigos da coleção, oriundos das escolas que antecederam a atual e da qual esta é herdeira, de livros proibidos ou de defesa da cultura e da liberdade – As Novas Cartas Portuguesas e a Coleção Cosmos –; destacamos regularmente as novidades, incluindo obras da chamadayoung adult literature, ou livros relacionados com datas significativas, por exemplo com o Centenário de José Saramago ou os Direitos Humanos. Assim, paulatinamente, vamos construindo uma identidade racional e afetiva da biblioteca, dentro desse espaço mais alargado que é a escola, feita de diálogos profícuos entre tempos, indivíduos e culturas diferentes, mediados pelos livros.
Poderia, claro está, referir muitas outras ações e atividades em que a biblioteca participa ou organiza, sob supervisão da professora bibliotecária, quer no cumprimento dos planos de melhoria e das orientações da RBE, quer na colaboração no contexto da vida escolar, todavia quis assinalar a relevância que a promoção da leitura continua a ter na ação da biblioteca escolar, considerando o papel tradicional da escola na formação de cidadãos livres e acreditando que a leitura é uma via para a liberdade e a felicidade, tão misteriosa como o amor e tão perturbadora que, como nos lembra Alberto Manguel, é perseguida por todas as formas de totalitarismo:
Claro que a literatura talvez não seja capaz de salvar ninguém da injustiça, nem das tentações da cobiça, nem das misérias do poder. Mas algo nela tem de ser perigosamente eficaz, se todos os ditadores, todos os governos totalitários, todos os funcionários ameaçados tentam livrar-se dela, queimando livros, proibindo livros, censurando livros, tributando livros, defendendo com palavras ocas a causa da literacia, insinuando que ler é uma atividade elitista.[3]
Ana Eustáquio Professora bibliotecária Escola Secundária Damião de Goes, Alenquer 13/12/2022
Notas
[1] Esta expressão descreve a Biblioteca de Alexandria, de acordo com Charles Kingsley, citado por Alberto Manguel: “Ali se erguia, maravilha do mundo, o seu telhado branco e cintilando contra o azul sem chuva e, além, entre os cumes e frontões de edifícios nobres, vista aberta sobre o azul brilhante do mar.” In Alberto Manguel. (2018).Embalando a minha Biblioteca. Lisboa: Tinta da China. p. 34.
[2] Cf. “Reabre o céu depois de uma chuvada/ no azul do dia./ É o azul do nada/ com que se fazem os deuses e a poesia.” In Vergílio Ferreira. (s.d.).Uma Esplanada sobre o Mar. Lisboa: Difel. p. 19.
[3] Alberto Manguel. (2018).Embalando a minha Biblioteca. Lisboa: Tinta da China. p. 132.
1. *Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obraRetalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendoeste formulário.
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Republicamos artigos relativos à promoção da escrita.
Criar oportunidades de escrita autêntica na sala de aula de ciências
Seg | 05.09.22
A escrita interdisciplinar não é um conceito novo e a investigação tem demonstrado, de forma consistente, que ao escreverem sobre as ligações entre as suas vidas e o que aprendem nas aulas de ciências, os alunos se aplicam mais na disciplina e alcançam melhores resultados.
10 dicas para motivar alunos do ensino básico que resistem à escrita
Sex | 30.09.22
Os alunos têm uma inclinação natural para contar histórias, mas podem ficar bloqueados quando lhes pedimos para escrever. Veja estas dicas que os podem ajudar a transpor as suas ideias para o papel.
por Luís Germano, professor bibliotecário do AE Josefa de Óbidos, Óbidos
Republicação do artigo de Seg | 05.12.22
Há algumas semanas, uma aluna perguntou-me pela obraRetalhos da Vida de um Médico, de Fernando Namora. Pedi-lhe que me acompanhasse e retirei da estante um exemplar que lhe passei para a mão, apressando-me a voltar ao balcão de atendimento, sem explicações, apartes ou recomendações; um pedido de alguma forma tão inusitado, num raro dia de chuva de outubro, merecia o cuidado dispensado a uma borboleta: se entra na sala é prudente ignorar a sua beleza.
Quando algum tempo depois surgiu a oportunidade de escrever um texto para a rubrica “Retalhos da vida de um professor bibliotecário”, não consegui evitar o sorriso. Lá estava oacasoa fazer das suas, a estabelecer conexões, o “grande fazedor” a mostrar que não tem reservas ou preceitos de grandeza e que tanto se imiscui nas mais válidas descobertas e realizações da ciência ou da arte, quanto na ínfima e curta prosa de um professor bibliotecário. Oacaso, creio, merece certamente um espaço reservado e exclusivo nos nossos planos de atividades, um domínio no MABE. Como dizia Manuel António Pina, “as coisas melhores são feitas no ar”…
Não me recordo de quando liRetalhos da Vida de um Médico. Provavelmente devo tê-lo feito depois doConstantino, guardador de vacas e de sonhos, dosContos, de Almeida Garrett, ou da coleção 15, da Verbo. Depois deGaibéus, decerto... Mais tarde, fomos tomados pela consciência de que, afinal, o que líamos nesses livros ainda refletia a nossa realidade e a dos nossos amigos numa pequena aldeia no extremo do Ribatejo - alguns deles, após a 4.ª classe, eram obrigados a trocar a escola pelas obras e, de um dia para o outro, passavam a beber minis no café e a acompanhar com os “homens”. Foi então que percebemos que a conjuntura e a ação vivida e praticada por aquele médico em aldeias do Alentejo e Beira Baixa eram, na sua génese, o retrato de um país analfabeto, isolado e cinzento que ainda resistia nesses idos anos 80, e que sua generosidade para com os mais pobres e humildes era, afinal, um valor humanista e universal.
De alguma forma talvez tenha sido esta consciência - ainda incipiente, mas já quase política - que me fez associar as bibliotecas a este altruísmo que se manifestava sob a oferta de conhecimento, cultura e entretenimento. Porque desde as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, que percorriam vilas, aldeias e lugarejos, e onde tantos de nós iniciámos o gosto pela leitura, passando pelas bibliotecas de associações e coletividades, até às atuais bibliotecas municipais e escolares, sempre se manteve este espírito de partilha, de acesso livre e de incentivo ao conhecimento. Uma função cívica, profundamente democrática e um compromisso para com o futuro: as bibliotecas como a memória dos homens, de todas as suas ações, espírito e criação.
Por isso, entendo que o nosso papel no apoio ao currículo deverá ir sempre além desse currículo, que as nossas coleções, ao invés de conjuntos de títulos de uma seleção nacional, deverão ser diversas, disruptivas e inconformadas, cultivando dúvidas ao invés de certezas. Que devemos invocar com frequência os mortos das nossas prateleiras e trazer os vivos para que não acabem reduzidos a vizinhos de cota: RED, TOR, AND, PES, BEL, VIC. Bibliotecas que não querem a nobre linhagem do coração, preferindo tornar-se pernas e mãos, espaços informais de leitura e convívio onde se cultivam plantas e se reparam coisas. Locais confortáveis onde todos os alunos possam desenvolver projetos e descobrir interesses pessoais.
Para isso, o professor bibliotecário, nas suas deslocações pelos montes e vales da escola, pelas suas vilas, aldeias e lugarejos, não pode perder de vista os mais ”fracos” e os menos populares, os que não figuram nos quadros de honra, escondem os seus talentos ou cultivam gostos inusitados. Porque, tanto tempo passado depois da publicação deRetalhos da Vida de um Médico, continuam a ser estes os que mais necessitam de Namora... Perdoem-me, da biblioteca.
Luís Germano, professor bibliotecário Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, Óbidos
*Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obraRetalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendoeste formulário.
Nações Unidas: Relatório sobre a Cimeira Transformar a Educação 2022
Sex | 10.02.23
O Relatório sobre a Cimeira Transformar a Educação 2022, lançado no Dia Internacional da Educação, apresenta os resultados e decisões para mudar a educação global até 2030.
Nele destacamos o Anexo 4 sobre as Decisões do Comité Diretivo de Alto Nível, tomadas em Paris, a 8 e 9 de dezembro de 2022, que se organizam em 5 Pilares de Acompanhamento (Follow-up Pillars) que devem orientar o trabalho dos responsáveis pela educação.
Reconhecendo que a educação é um bem comum e que está na origem de todos os direitos humanos e do desenvolvimento sustentável e que o desígnio da Agenda 2030 é “não deixar ninguém para trás”, no 75.º aniversário das Nações Unidas, o Secretário-Geral António Guterres anunciou, no relatório 'Nossa Agenda Comum', a sua intenção de convocar uma Cimeira da Educação Transformadora (Transforming Education Summit – TES), entre 16 e 19 de setembro de 2022.
Transforming Education Summit é, para o Secretário Geral das Nações Unidas, a oportunidade para colocar “a educação no centro” e “gerar impulso e compromisso” para alcançar o ODS 4. Deve marcar um ponto de viragem para a transformação da educação, identificando elementos-chave e soluções e estabelecendo laços de solidariedade que permitam que as boas práticas ganhem escala.
Entre 16 e 19 de setembro vai decorrer, nas Nações Unidas, o Transforming Education Summit, sob o lema ‘Educação para a paz, inclusão e sustentabilidade’.
A Declaração da Juventude apresentada na Cimeira Transformando a Educação das Nações Unidas resultou de um inquérito global, consultas e encontros entre mais de meio milhão de jovens, de mais de 170 países do mundo e criou uma visão comum que deverá ser divulgada e posta em prática com caráter de urgência.
Uma das principais finalidades da Cimeira Transformar a Educação das Nações Unidas é contribuir para pôr em prática a Declaração do Rio sobre Educação Não-Formal. Compreenda porque é que a Declaração do Rio sobre ENF é importante para transformar a educação.
Por Ana Paula Oliveira, professora bibliotecária AE João da Silva Correia, São João da Madeira
Republicação do artigo de Seg |07.11.22
Para quem não me conhece eu sou a Guidinha uma “filha” do escritor Luís de Sttau Monteiro e gosto de escrever redações embora muitos me critiquem e digam que eu devia parar de escrever porque não sei usar a pontuação e escrevo tudo de rajada e isso é um mau exemplo mas isso não importa nada o que importa são as ideias que me atacam a cabeça e eu tenho de despachá-las de lá para fora e mais a mais o senhor José Saramago também não sabia pontuar e ganhou um Prémio Nobel olarila! e isso é o que importa e o que também importa é o que me fez escrever esta crónica pois o livro onde vivo está em casa de uma professora bibliotecária com a mania dos livros e tem o meu sempre em cima da secretária onde trabalha e eu não quero ser má-língua mas essa secretária está cheia de tralha que segundo ela é o seu material de trabalho pois tem de trabalhar muito em casa uma vez que nas escolas por onde passa é lidar lidar lidar de BE em BE e tem de planear tudo em casa para depois pôr em prática nas escolas então ele é papéis, ele é PC com email Teams redes sociais e não sei quantas plataformas e ferramentas digitais que ela domina, ele é telemóvel, ele é agenda, ele é livros, ele é bonecos e materiais que ela constrói para aquilo que ela chama a hora do conto e é uma canseira para mim ver aquilo tudo e eu lá no meio a observar tanta azáfama parece que a mulher não sabe fazer mais nada na vida, sempre a inventar, sempre a mandar emails e a conversar ao telemóvel ou no Teams ora com colegas ora com alunos que ela não dá descanso a ninguém é vê-la com a desculpa que precisa de conquistar leitores e de envolver os parceiros e de construir o PAA incluindo atividades do PEM e de dar resposta aos desafios da RBE do PNL da DGE e ainda tem de ir às reuniões dos departamentos e do CP e do PADDE e depois passa a vida a fazer projetos e a incentivar toda a gente para participar nos concursos ela diz que é um orgulho ganhar e isso dá pilim ah pois o pilim é muito importante para que as bibliotecas se mantenham ativas sem pilim não se faz nada mas sem empenho também não e ela tem tanto empenho que já teve um incêndio na cozinha quando decidiu fritar batatas e fazer um relatório ao mesmo tempo e foi por isso que comprou um robô daqueles que fazem tudo para ela ir à vida dela e nunca mais fritou batatas que é uma coisa muito perigosa para a educação e apesar disto tudo é um gosto vê-la trabalhar com tanto gosto e só não gosto quando ela bufa que nem um gato assanhado quando tem o MABE à frente dela e quando tem de preencher BD e de fazer PM seja lá o que isso for mas mesmo assim ela já vai nos 60+ e vê a aposentação a chegar e já está a antever um voluntariado numa biblioteca perto de si
PS da PB vítima da má-língua da Guidinha:não assumo qualquer responsabilidade pelas palavras da Guidinha, uma desbocada incontrolável!
Ana Paula Dias de Pinho Oliveira (professora bibliotecária) Agrupamento de Escolas João da Silva Correia Escola Secundária João da Silva Correia
BE – Biblioteca Escolar PAA – Plano Anual de Atividades PEM – Plano Educativo Municipal RBE – Rede de Bibliotecas Escolares PNL – Plano Nacional de Leitura DGE – Direção-Geral de Educação CP – Conselho Pedagógico PADDE – Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola MABE – Modelo de Avaliação da Biblioteca Escolar BD – Base de Dados PM – Plano de Melhoria
1. *Qualquer semelhança entre o título desta rubrica e a obra Retalhos da vida de um médico, não é pura coincidência; é uma vénia a Fernando Namora.
2. Esta rubrica visa apresentar apontamentos breves do quotidiano dos professores bibliotecários, sem qualquer preocupação cronológica, científica ou outra. Trata-se simplesmente da partilha informal de vivências.
3. Se é professor bibliotecário e gostaria de partilhar um “retalho”, poderá fazê-lo, submetendo este formulário.