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Blogue RBE

Qua | 13.04.22

Leituras com PES para @ndar

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Leituras com PES para @ndar é um projeto da Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Vieira de Araújo, Vieira do Minho, apoiado pela Rede de Bibliotecas Escolares no âmbito da candidatura “Ideias com Mérito”.

Este projeto visa trabalhar a leitura com os alunos do 9ºano (5 turmas), em articulação com o PES (Projeto de Educação para a Saúde), Cidadania e Desenvolvimento, Português, Ciências Naturais e outras disciplinas, através da exploração de obras literárias ou textos mais simples que, de algum modo, abordem temas fulcrais da Educação para a Cidadania.

Os temas a tratar são: Direitos Humanos; Igualdade de Género; Interculturalidade; Desenvolvimento Sustentável; Educação Ambiental; Saúde (promoção da saúde; saúde pública; alimentação e exercício físico).

Este projeto desenvolve-se em 4 etapas distintas: leitura; debate; escrita; apresentação de um produto final. Este produto final será divulgado, no final do ano letivo, durante uma apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos por cada uma das turmas.

Neste momento, sob orientação da Biblioteca Escolar, os alunos já realizaram os debates de acordo com os temas distribuídos a cada uma das turmas. A síntese dos debates foi divulgada durante a Semana da Leitura deste agrupamento (4 a 8 de abril de 2022) através da rádio local: https://radioaltoave.sapo.pt/leituras-com-pes-para-andar-alunos-da-aeva-apresentam-conclusoes-sobre-temas-fulcrais-para-a-sociedade/

Apesar do projeto ainda se encontrar numa fase intermédia de execução e estar prevista a sua continuidade, no próximo ano letivo, já é possível concluir que contribui para a promoção de um “ambiente propício à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências, onde os alunos adquirem as múltiplas literacias que precisam de mobilizar” através de um trabalho que pretende criar “condições de equilíbrio entre o conhecimento, a compreensão, a criatividade e o sentido crítico”, tal como previsto no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. De facto, tem sido possível constatar que estes alunos do 9ºano conseguem discutir assuntos sérios da sociedade e tomar uma posição fundamentada, desde que devidamente orientados. A leitura tem-se revelado um excelente ponto de partida, sensibilizando-os e despertando o seu pensamento crítico. Mesmo os discentes menos empenhados no seu percurso académico/ com dificuldades de aprendizagem, têm revelado interesse em participar nos debates, argumentando de modo sério e coerente.

Para informações detalhadas relativas a este projeto, por favor consultar o conteúdo disponibilizado em https://bit.ly/3uxJVqL

Ter | 12.04.22

Os vídeos premiados das e dos jovens que dizem não ao sexismo!

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A 30 de março teve lugar no auditório da Escola Secundária António Damásio, em Lisboa, a cerimónia pública de atribuição de prémios do concurso nacional de vídeo Eu digo não ao sexismo!, promovido pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres e pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), com o apoio da Rede Nacional de Bibliotecas Escolares (RBE).

Os objetivos desta iniciativa convergem com os do Projeto Mobiliza-te contra o sexismo que consistem em dar a conhecer a Recomendação do Conselho da Europa CM/Rec(2019) “Prevenir e combater o sexismo” e em participar na campanha do CoE, de divulgação da referida Recomendação, Sexismo. Repare nele. Fale dele. Acabe com ele.

A cerimónia começou pelas 15h, com as boas-vindas dirigidas pelo professor Mário Silva, adjunto da Diretora do Agrupamento de Escolas dos Olivais, Jesuína Pereira, e pela professora bibliotecária da Escola Secundária António Damásio, Lurdes Castanheira. De seguida, o painel de abertura, composto por Ana Sofia Fernandes (Presidente da PpDM), Sandra Ribeiro (Presidente da CIG) e Manuela Pargana Silva (Coordenadora Nacional da RBE) dirigiu-se às e os estudantes na plateia, assim como às e aos professoras/es, bibliotecárias/os e representantes de direções de escolas e agrupamentos de escolas de todo o país, parabenezindo-os pelo claro esforço e trabalho expresso nos vídeos premiados.

Caterina Bolognese, Chefe da Divisão Igualdade entre Mulheres e Homens do Conselho da Europa, deixou, também, as suas felicitações às e aos estudantes:

 

O Conselho da Europa dá-vos os parabéns pelo vosso trabalho de produção dos vídeos. Neles mostraram as diferentes formas de sexismo e como ele pode afetar a vida das pessoas, especialmente de quem é jovem, impedindo a sua liberdade, a igualdade e a sua participação na tomada de decisões. Mostraram as causas do sexismo e os seus efeitos nas pessoas e nas sociedades. Defenderam que se tomem medidas contra a aceitação social do sexismo. Quiseram sensibilizar particularmente quem é jovem como vocês, em todo o país, para que identifiquem e combatam o sexismo. O vosso trabalho é um passo importante para assegurar que as jovens e os jovens preservem as conquistas que herdaram e se empenhem na continuação da construção da igualdade concreta e completa. E, sem dúvida, será também uma inspiração para as pessoas adultas.

 

Seguiu-se a entrega dos prémios e distinções às e aos estudantes com os melhores vídeos, tendo sido distinguidos 5 vídeos com menções honrosas, 2 vídeos com o 2º Prémio e 2 vídeos com o 1º Prémio.

 

Menções honrosas na categoria do 3º ciclo e Ensino Profissional de nível 1 e 2:

O vídeo “O sexismo” da autoria de Carolina Lourenço, Catarina Fernandes e Diogo Vasconcelos do Colégio José Álvaro Vidal – Fundação CEBI, com o acompanhamento da professora Sofia Monteiro.

 

O vídeo “Mulher = Homem” da autoria de Marta Sílvia Morosan e Matilde dos Santos Barreiro, da Escola Básica de Febo Moniz, com o acompanhamento da professora Salomé Heitor.

 

Menções honrosas na categoria do Ensino Secundário e Ensino Profissional de nível 3 e 4:

O vídeo “O acaso que (não) dita o futuro” da autoria de Leonor Mendes, Mafalda Martins e Margarida Brito, da Escola Secundária de Miraflores, com o acompanhamento das professores e professores Zelinda Baião, Susana Tavares, Paula Contenças, Paulo Solipa e Tiago Martins.

 

O vídeo “Sexismo na sociedade” da autoria de Ana Eduarda Rodrigues Gouveia, Joana Dias Melo e Marisa Mendes Rodrigues, da Escola Secundária Quinta das Palmeiras, com o acompanhamento da professora Anabela Dias Pinto.

 

O vídeo “Sexismo e as mulheres” da autoria de Mariana Cruz e Rita Diniz, da Escola Secundária de Miraflores, com o acompanhamento das professores e professores Zelinda Baião, Susana Tavares, Paula Contenças, Paulo Solipa e Tiago Martins.

 

Vídeos vencedores na categoria do 3º ciclo e Ensino Profissional de nível 1 e 2:

2º prémio – O vídeo “SOS STOP o Sexismo” da autoria de Filipa da Silva Gomes, Tatiana Sofia Ribeiro Pacheco e Rodrigo Costa Neto, da Escola EB 2,3 de Eiriz, com o acompanhamento das professoras Lígia Leal e Diamantina Bastos.

 

1º prémio – O vídeo “Sexismo. Um preconceito ainda vivido” da autoria de Alice Rocha, Marta Leitão e Núria Morais, da Escola Secundária Viriato, com o acompanhamento das professoras Dália Aparício e Paixão Pinto.

 

Vídeos vencedores na categoria do Ensino Secundário e Ensino Profissional de nível 3 e 4:

2º prémio – O vídeo “Sexismo em contexto online” da autoria de Marta Sales e Margarida Moreira, da Escola Secundária de Miraflores, com o acompanhamento das professores e professores Zelinda Baião, Susana Tavares, Paula Contenças, Paulo Solipa e Tiago Martins.

 

1º prémio – O vídeo “Já não existe sexismo?” da autoria de Laura Carrola Baltazar e Luísa Saraiva Simões Pereira dos Santos, da Escola Secundária Quinta das Palmeiras, com o acompanhamento da professora Anabela Dias Pinto.

 

Os prémios e certificados foram entregues às e aos estudantes por representantes da PpDM, CIG e RBE, bem como por representantes das empresas patrocinadoras Auchan e Xerox.

Foram também distinguidas/os docentes cujo trabalho pedagógico de acompanhamento e encorajamento foi central à criação dos vídeos premiados e à formação contra o sexismo das e dos estudantes, assim como representantes das escolas e agrupamentos de escolas de onde as equipas são provenientes.

Ana Sofia Fernandes (PpDM) moderou a sessão de encerramento, que terminou com a comunicação entusiasta de José Vítor Pedroso, Diretor-Geral da Educação.

Consulte a galeria da cerimónia.

Seg | 11.04.22

Asas de leitura no concelho de Coimbra

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Decorreu na passada sexta-feira, na Escola Secundária D. Duarte, em Coimbra, uma cerimónia de entrega de 313 livros, às 33 bibliotecas escolares das 11 escolas/ agrupamentos [seis agrupamentos e cinco escolas não agrupadas], deste concelho, integradas na rede de Bibliotecas Escolares.

Esta cerimónia representa um dos momentos de operacionalização da Carta de Intenção assinada pela Coordenadora Nacional do Programa Rede de Bibliotecas Escolares, pelo Vice-Reitor para a Cultura e a Ciência Aberta, e pelo Diretor da Imprensa da Universidade de Coimbra (UC) no início de março, em Alcobaça, da qual deriva o Programa de Disseminação Científica Asas de Leitura. Este programa, que implicará também a doação de 5000 livros, pela Universidade de Coimbra (UC) através da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUA), às bibliotecas integradas na Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) tem como objetivo primacial fomentar os hábitos de leitura das crianças e jovens e o desenvolvimento da literacia científica.

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Com este desígnio a Universidade e as Escolas de Coimbra encontraram mais um motivo de encontro(s) e de aproximação a um reforço de trabalho em rede, através do livro e das bibliotecas escolares. O momento foi solene mas cheio de cumplicidade entre todos os professores bibliotecários, e diretores ou seus representantes, desta rede concelhia, que decerto participará em mais ações dos eventos que assinalam os 250 anos da IUC e das reformas Pombalinas na Universidade de Coimbra. Se a Universidade, com as reformas pombalinas, se abriu a um programa inovador quanto ao ensino das ciências exatas e naturais, o desafio renova-se com a entrega de 33 conjuntos de livros que correspondem a obras editadas pela IUC, entre as quais as que integram a série Descobrir as ciências, com grande relevância pedagógica para os diferentes níveis de escolaridade e a Coleção Estado da Arte para as bibliotecas que servem o Ensino Secundário.

 

Mais informação:

https://noticias.uc.pt/artigos/asas-de-leitura-entrega-livros-as-bibliotecas-escolares-de-coimbra/

Sex | 08.04.22

O que é e por que é importante a educação global?

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A crescente globalização e o seu impacto nas sociedades, economias e estilos de vida é a principal causa do aumento do interesse em promover as competências globais como objetivo de aprendizagem. Conforme declarado no PISA 2018 Global Competence:

Os jovens de hoje não devem apenas aprender a participar num mundo mais interconectado, mas também apreciar e beneficiar das diferenças culturais. Desenvolver uma perspetiva global e intercultural é um processo - um processo contínuo - que a educação pode moldar.

relatório Global Competence for an Inclusive World (OCDE 2018) define competência global como: “a capacidade de analisar questões locais, globais e interculturais, de compreender e apreciar as perspetivas e visões de mundo dos outros, de participar em interações abertas, apropriadas e eficazes com pessoas de outras culturas, e de atuar pelo bem-estar coletivo e desenvolvimento sustentável” e considera ser uma aprendizagem multidimensional e ao longo da vida que a escola deve oferecer a todos os jovens.

Esta definição inclui quatro dimensões de que as pessoas precisam para viver plenamente num mundo global:

1. a capacidade de analisar problemas e situações de importância local, global e cultural (pobreza, interdependência económica, migração, desigualdade, riscos ambientais, conflitos, diferenças culturais ou estereótipos);

2. a capacidade de compreender e apreciar diferentes perspetivas e visões do mundo;

3. a capacidade de estabelecer interações positivas com pessoas de diferentes origens nacionais, étnicas, religiosas, sociais ou culturais, ou de diferentes sexos;

4. a capacidade e a vontade de empreender ações construtivas para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar coletivo.

Todas estas dimensões são interdependentes e se sobrepõem.

Assim, quando alunos de diferentes origens culturais trabalham juntos num projeto comum, devem:

1. analisar suas diferenças culturais para se conhecerem melhor;

2. compreender as diferentes perspetivas do projeto;

3. interagir abertamente e resolver possíveis conflitos;

4. reconhecer o que aprendem uns com os outros para melhorar as relações sociais.

A educação intercultural, a educação para o desenvolvimento sustentável ou a educação para a cidadania global são modelos de educação global. Todos eles partilham o objetivo comum de promover a compreensão do mundo pelos alunos e permitir que expressem os seus pontos de vista e participem na sociedade. É a partir da generalização da abordagem baseada em competências que falamos de competência democrática ou competência global.

A propósito desta educação global, sugerimos o filme da OCDE, que nos pergunta se os nossos jovens estão preparados para viver num mundo interconectado:

 

 

Fazer atividades de educação global muda positivamente as atitudes dos alunos

O estudo PISA 2018 perguntou aos alunos sobre dez atividades de aprendizagem relacionadas com a competência global. 76% dos alunos dos países da OCDE indicaram ter realizado a atividade “aprender sobre diferentes culturas” na sua escola; “aprender a resolver conflitos com os colegas”, 64%; e “aprender que pessoas de outras culturas podem ter perspetivas diferentes sobre alguns assuntos”, 62%.

Outro aspeto fornecido pela avaliação de 2018 é que as atitudes e disposições dos alunos são positivas e estão associadas ao número de atividades de aprendizagem relacionadas com as competências globais que realizam na escola. Os resultados do PISA 2018 mostram que há questões relacionadas com a competência global que já estão incluídas no currículo escolar. Entre eles, as mais expressivas são as mudanças climáticas e o aquecimento global. Em contrapartida, o fator menos comum foi a saúde global, como é o caso das epidemias (hoje, como comprovamos nos últimos anos, um aspeto comprovadamente determinante desta competência global).

Outra conclusão importante deste relatório é que não basta desenvolver atividades esporádicas, sendo necessária uma abordagem sistemática para uma aprendizagem eficaz. Por outro lado, é importante garantir o acesso equitativo a essas oportunidades de aprendizagem.

Face às grandes perturbações que os últimos tempos têm trazido à nossa existência, poder-se-ia pensar que se colocariam novas questões que, de algum modo, minimizassem a relevância desta educação global tão valorizada no estudo PISA. Na verdade, verifica-se que isso não acontece. Colocam-se, de facto, novas questões (a pandemia e os seus efeitos, a guerra na Europa, as vagas migratórias…) mas elas apenas vêm reforçar a necessidade de formarmos cidadãos que assumam a interconexão entre o local e o global e que entendam que a multiplicidade cultural pode ser a chave para a compreensão e resolução dos problemas globais.

Fazendo a ponte com o quadro estratégico da RBE, Bibliotecas escolares: presentes para o futuro, é fácil perceber que as bibliotecas escolares estão naturalmente convocadas para este trabalho no âmbito da competência global, designadamente quando nos propomos garantir

“ a todos, e com todos, ambientes de informação e conhecimento, conducentes ao desenvolvimento dos saberes e competências indispensáveis numa sociedade cada vez mais dinâmica, imprevisível, digital e global.” (p. 27)

Tal como os resultados do estudo PISA apresentam, também nós estamos bastante envolvidos com as questões das alterações climáticas. E a multiculturalidade? Como a promovemos? Já começámos a assumir abordagens sistemáticas para essa aprendizagem?

 

Referências

1. OECD (2020), PISA 2018 Results (Volume VI): Are Students Ready to Thrive in an Interconnected World?, PISA, OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/d5f68679-en

2. EduSkills OECD (2020) What did the PISA 2018 global competence test assess, and why is it important? https://youtu.be/akQCvg6rS6o

3. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

Qui | 07.04.22

UNESCO: A expansão do direito à educação até 2050

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Exemplos dos múltiplos desafios que vivemos e que diminuem os direitos humanos e condições de sobrevivência na Terra são a ascensão da extrema-direita e de regimes políticos ditatoriais e populistas e o retrocesso dos governos democráticos liberais, guerra e conflitos militares, crise climática e uso de recursos que excede os limites do planeta, desigualdades no acesso e na criação de conhecimento, sobretudo em África e crise de refugiados.

Colocam a necessidade urgente de “reimaginar o porquê, como, o quê, onde e quando é que nós aprendemos – o que significa que a educação ainda não correspondeu à sua promessa de nos ajudar a moldar a paz, justiça e futuros sustentáveis [1].” Será necessário transformar a educação para que ela possa transformar a sociedade, presente e futura.

De acordo com o artigo 26.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “Todos os seres humanos têm direito à educação. A educação será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A educação elementar será obrigatória.”

Esta ideia é importante, mas na atualidade e próximos cinquenta anos, o foco não deve ser apenas o cumprimento da escolaridade obrigatória. É o próprio direito à educação que “[…]  deve ser expandido para incluir o direito à qualidade da educação ao longo da vida. Deve abranger o direito à informação, cultura e ciência [bem como à conectividade e à saúde e bem-estar] – tal como o direito a aceder e contribuir para o conhecimento comum [e o património], as fontes de conhecimento coletivo da humanidade, acumuladas ao longo de gerações e continuamente transformadas [2].”

Trata-se de uma “rica tapeçaria de diferentes caminhos para saber e ser” [3] que integra aprendizagens formais e informais em toda a sua diversidade e se estende a todas as fases e lugares da vida humana, num processo contínuo de formação integral, individual e coletivo.

A expansão deste direito exige maior financiamento e intervenientes, tendo acentuado as desigualdades no acesso à educação e colocando a questão da relevância dos currículos atuais.

 Esta é uma das principais ideias do relatório global sobre o futuro da educação, Reimaginar os nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação, elaborado pela Comissão Internacional dos Futuros da Educação, apresentado publicamente na 41.ª conferência da UNESCO (2021, 10 nov.) e que envolveu a consulta de mais de um milhão de pessoas no mundo: professores, universidades e educação superior, governos, organizações da sociedade civil e internacionais, jovens e crianças. É dedicado a estudantes e professores cujas vidas foram suspensas pela pandemia Covid-19 e que fizeram um esforço notável para garantir a continuidade da aprendizagem e do bem-estar.

Outra das principais ideias deste relatório é que esta aceção holística da educação resulta de um esforço público, ação conjunta/ interdependente/ global, tendo por base a participação de todas as pessoas e setores da sociedade (ética, cultura, ciência e tecnologia), exigindo-se novo “contrato social – acordo implícito entre membros da sociedade para cooperarem para um benefício partilhado” [4], a educação, que está na origem dos demais benefícios e direitos humanos. A expansão do direito à educação traz consigo o alargamento das responsabilidades, sobretudo por parte dos que têm mais meios para mobilizar a sociedade aprendente do século XXI.

Elaborado na sequência de três relatórios globais da UNESCO destinados a pensar a educação [5], este relatório marca um ponto de partida para os responsáveis das bibliotecas escolares discutirem ideias e co-construirem, solidariamente, o futuro da educação. Seis meses depois da sua publicação, a UNESCO fará o balanço do seu impacto, agradecendo conclusões parciais.

 

Referências

1. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação]. (2021, 10 nov.). Reimagining our futures together: a new social contract for education – Executive Summary. France: UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000379381
2. Ibid.
3. Ibid.
4. RBE (2021, 16 nov.). Blogue. Portugal: RBE.
https://blogue.rbe.mec.pt/reimaginar-os-nossos-futuros-juntos-um-2531245
5. Rede de Bibliotecas Escolares. (2020, 22 set.). Os Futuros da Educação - Aprender a transformar-se. Portugal: RBE. https://blogue.rbe.mec.pt/os-futuros-da-educacao-aprender-a-2364632
6. United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization [Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação]. (2022, 4 jan.). UNESCO Futures of Education report explained by members of the International Commission [Video]. France: UNESCO.
https://www.youtube.com/watch?v=7T4GKVKXeoU

Qua | 06.04.22

À memória de Ross J. Todd

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Dr. Ross J. Todd, Professor Associado de Biblioteconomia e Ciência da Informação (LIS) na Escola de Comunicação e Informação (SC&I) Rutgers em New Brunswick, USA e um especialista de renome mundial na área da investigação em ambientes de informação digital e o papel transformador das bibliotecas escolares no século XXI, morreu no último dia de março de 2022, com a idade de 70 anos.

Ross Todd notabilizou-se pela sua investigação em alfabetização informacional e aprendizagem baseada em evidências e a sua pesquisa focou-se em três grandes linhas inter-relacionadas: entender como as crianças aprendem e constroem novos conhecimentos a partir da informação, a utilização da informação para a aprendizagem e a prática baseada em evidências para bibliotecas escolares.

Com uma generosidade e afabilidade inesgotáveis, foi mentor e fonte de inspiração para inúmeros estudantes de graduação e pós-graduação e para o desenvolvimento das bibliotecas escolares em todo o mundo.

Ross Todd será lembrado pelas suas apresentações inspiradoras em inúmeros fóruns e pela envolvência cativante das suas histórias, que prendiam a atenção dos seus ouvintes.

O seu currículo e obra é invejável e poderá ser consultado no sítio da Universidade onde trabalhava: https://bit.ly/3ucMFK3

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Relativamente ao impacto que o trabalho de Ross Todd teve em Portugal, este terá sido iniciado e alicerçado através da Maria José Vitorino e a BAD (Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação) e com as presenças da RBE nas conferências anuais da IASL e IFLA. Desta cada vez mais profunda ligação, podemos salientar, como momentos altos do apoio que deu ao desenvolvimento das bibliotecas do nosso país, a sua presença na 35ª Conferência anual IASL que decorreu em Lisboa em 2006, onde nos apresentou a comunicação: “From Learning to Read to Reading to Learn: School Libraries, Literacy and Guided Inquiry” e onde afirma:

As bibliotecas escolares são sobre o futuro. Eles tratam do desenvolvimento de jovens apaixonados pelo conhecimento; jovens que têm a capacidade de ler a palavra e o mundo, e que podem viver suas vidas como cidadãos reflexivos, informados, conhecedores e produtivos de um mundo cada vez mais interconectado.

Mais tarde, em 2008, apoiou a Rede de Bibliotecas Escolares, como “amigo crítico “, no sentido de aperfeiçoar e apoiar o lançamento do Modelo de avaliação das Bibliotecas Escolares.

A sua ligação e apoio às bibliotecas escolares portuguesas manteve-se sempre incondicional, aceitando generosa e graciosamente o convite para vir a Portugal, como palestrante, no Fólio, em Óbidos ou aos Encontros de Bibliotecas Escolares do concelho de Almada ou ainda em iniciativas promovidas pelas BAD e pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Cruzamo-nos com o caminho de Ross Todd em 2002, aquando da participação no projeto Europeu, GrandSlam, financiado pelo programa Sócrates/ Minerva, sobre o impacto das Bibliotecas Escolares na Europa e nos quais participaram oito países.

Num dos seminários, organizado na Lituânia, Ross Todd apresentou, de uma forma cativante, o estudo realizado no estado de Ohaio e em outros, onde se afirmava que 16 estados norte Americanos não podem estar enganados https://www.scholastic.com/ems/slp/102605/images/slw2_oct05.pdf. Neste documento reúnem-se testemunhos e descobertas de quase uma década de estudos empíricos que provam o impacto mensurável que as bibliotecas escolares e os professores bibliotecários têm sobre os resultados académicos dos estudantes.

Os nossos caminhos cruzaram-se inúmeras vezes e de todos estes contactos com Ross Todd, ficou sempre muito claro o respeito e admiração que ele tinha pela evolução das Bibliotecas Escolares em Portugal. Dava-nos como exemplo e tinha muito orgulho em nós e no nosso trabalho!    

Muito aprendemos com ele: o valor da Biblioteca Escolar ou a Biblioteca Escolar como espaço fundamental para todos os alunos, a resiliência, o acreditar que a mudança é possível, a crença na pessoa e no seu potencial e, claro, que as Bibliotecas Escolares Funcionam!

Há muito consideradas como a pedra angular da comunidade escolar, as bibliotecas escolares não são apenas o espaço dos livros. Em vez disso, porque geridas por profissionais qualificados e formados que sabem trabalhar em colaboração, elas são ambientes de aprendizagem sofisticados no século XXI, oferecendo uma gama completa de recursos que proporcionem oportunidades iguais de aprendizagem a todos os alunos, independentemente dos seus níveis socioeconómicos ou educativos.

Ross identifica as características que distinguem uma boa biblioteca escolar:

- Tem um bibliotecário escolar qualificado (um professor) com formação formal em biblioteconomia e que seja capaz de colaborar com os colegas.

- Disponibiliza uma coleção diversificada de alta qualidade para o seu público-alvo (impressa, multimédia, digital) que apoia o currículo formal e informal da escola, incluindo projetos individuais e de desenvolvimento pessoal.

- Tem uma política explícita e um plano de crescimento e desenvolvimento contínuo.

Guardamos ainda, como guia orientação do nosso trabalho, a definição de biblioteca Escolar que ele foi aperfeiçoando ao longo dos anos e que fixou nas Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolar, de 2015:

A biblioteca escolar é um espaço de aprendizagem físico e digital na escola onde a leitura, pesquisa, investigação, pensamento, imaginação e criatividade são fundamentais para o percurso dos alunos da informação ao conhecimento e para o seu crescimento pessoal, social e cultural.

Foi um privilégio e uma bênção conhecê-lo e aprendermos tanto com ele. Deixou-nos cedo demais. Tinha tanto ainda para nos ensinar...  

Ter | 05.04.22

Como trabalhar a guerra com crianças e jovens?

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Guerras e conflitos militares provocam sentimentos de medo e ansiedade e aumentam o discurso de ódio, a prática de violência e discriminação.
Habitualmente são as próprias crianças e jovens que abordam o tema e esta é uma oportunidade para educadores, pais - e professores bibliotecários - dialogarem com naturalidade.
A UNESCO apresenta oito sugestões [1] que devem orientar este diálogo e das quais destacamos cinco:

 

- Descubra o que sabem e como se sentem

O que sabes/ ouviste dizer sobre a guerra? Como é que te faz sentir? O que significa para ti?

Ler um livro [2], fazer um desenho, contar uma história e episódio da vida diária sobre o tema podem ser pontos de partida para responder a dúvidas e dialogar, de forma espontânea, rigorosa e sensível. É importante não desvalorizar as preocupações das crianças e assegurar-lhes que o que sentem é natural e que podem falar com um adulto de confiança sempre que quiserem.

- Mantenha-se calmo e adequado à idade

As crianças têm o direito de saber o que acontece no mundo e o educador tem o dever de as informar com sensibilidade, adequando a linguagem à sua idade e reações e poupando-as ao sofrimento, transmitindo-lhes que estão em segurança e que há muitas pessoas e instituições a trabalhar para construir a paz.

- Espalhe compaixão, não estigma

Na abordagem da guerra, é importante não atribuir rótulos que diminuem e discriminam os seus intervenientes (exemplo: “pessoas más”) e saber se as crianças e jovens estão a sofrer ou contribuir para o bullying e passar a mensagem de que a violência nunca é a resposta certa para um conflito e de que cada um deve fazer a sua parte para ajudar a resolver os problemas da sociedade.

- Concentre-se nos que ajudam

Identificar e partilhar histórias positivas de coragem e generosidade, discutir sobre modos de participar na ajuda aos refugiados e consciencializar para a paz – através de poster, história, poema, fotografia e angariação de bens - podem ser formas de obter e transmitir conforto e segurança.

A Rede de bibliotecas disponibiliza um conjunto de propostas educativas, centradas nas crianças e jovens, que visam a reflexão e ação solidária em contexto de guerra e crise de refugiados:

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Rede de Bibliotecas Escolares (2022, março). A de Acolher. Portugal: RBE. https://www.rbe.mec.pt/np4/A-de-Acolher.html

- Limite a avalanche de notícias

A invasão da Ucrânia pela Rússia pode ser testemunhada em direto, através de vários canais de comunicação: televisão, imprensa, redes sociais.
Neste contexto, é importante que educadores e responsáveis pela biblioteca estejam atentos à forma como crianças e jovens, sobretudo os mais novos, estão expostos às notícias, pois muitas incluem conteúdos violentos e que discutam com elas fontes confiáveis e tempo que devem gastar a consumir estas notícias e as incentivem a entreterem-se de forma prazerosa, por exemplo, jogando um jogo em equipa ou lendo.

A propósito da guerra Rússia – Ucrânia há atividades simples que podem ser feitas com a biblioteca escolar e que ajudam a contextualizar, aprofundar e reimaginar os saberes das crianças e jovens:

- Localizar no mapa, representar a bandeira e reunir exemplos de elementos etnográficos e do património cultural da humanidade dos dois países;

- Selecionar artigos da imprensa e vídeos [3], discutir os argumentos da Rússia para invadir a Ucrânia e o significado de expressões como “autodefesa da Rússia”, “operação militar limitada” e “desnazificação da Ucrânia” e verificar se as razões invocadas são suportados em factos;

- Organizar debate Prós e Contras, em que os oradores são os representantes de um trabalho de grupo prévio que visa conhecer e compreender as razões históricas que levaram à guerra entre os dois países;

- Teatro encenado/ role-playing com base na argumentação dos diversos atores, a nível mundial: Comissão Europeia, NATO, EUA, França, Papa, China. Cada grupo encarna um personagem e elege um porta-voz;

- Criar slogan para uma campanha pela paz com base num mapa de ideias digital. O grupo vota – através da ferramenta digital Doodle - o melhor slogan e depois melhora-o em conjunto;

- Pintar um painel coletivo sobre o modo como a guerra afeta as pessoas de todos os países.

Estas são formas de envolvimento baseadas na leitura/ escrita, reflexão, expressão e comunicação, que podem gerar conhecimento e união. Quer deixar-nos a sua proposta?

 

Referências

1. Fundo das Nações Unidas para a Infância. (2022). Como conversar com seus filhos sobre conflitos e guerras: 8 dicas para apoiar e confortar seus filhos. EUA: UNICEF https://www.unicef.org/parenting/how-talk-your-children-about-conflict-and-war

2. Rede de Bibliotecas Escolares. (2019). Álbuns. RBE: Portugal. https://www.rbe.mec.pt/np4/cidadania-recursos-albuns

3. Os primeiros três minutos do seguinte vídeo podem ajudar ao exercício:

Poli, Michael. (2022, 16 mar.). Vladimir Putin Address on Socioeconomic Strategy for Russia. https://www.youtube.com/watch?v=7FyFkAyqn4Q

Seg | 04.04.22

Setúbal - Uma Baía a Ler

29 de março de 2022

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Cumpriu-se a sétima edição desta iniciativa, organizada pelo Grupo de Trabalho das Bibliotecas Escolares do Concelho de Setúbal, representado pela Câmara Municipal, pelos estabelecimentos de ensino locais e pela Rede de Bibliotecas Escolares. Esta é uma ação bem demonstrativa do trabalho em rede, com a colaboração de todas as escolas, bibliotecas escolares, câmara e biblioteca municipal de Setúbal.

A palavra deu asas à imaginação dos alunos, expressa de diferentes formas, passando por monólogos, leituras conjuntas de poemas e contos, dramatizações, homenageando diversos autores portugueses e estrangeiros, associando a outras formas de arte onde a música e as artes plásticas estiveram de mãos dadas neste espetáculo.

Pais/encarregados de educação, diretores das escolas e muitos outros elementos da comunidade presenciaram as apresentações das diversas escolas do concelho, contando com a presença de cerca de 400 alunos entre os que foram protagonistas e os que estiveram a assistir ao espetáculo, no magnífico Teatro Municipal Luísa Todi, em Setúbal.

O espetáculo iniciou-se com a apresentação do filme produzido pelo Grupo de Trabalho das Bibliotecas Escolares de Setúbal, no âmbito das Leituras Centenárias com José Saramago: alunos, professores, pessoal não docente e encarregados de educação leram excertos do livro A maior flor do mundo, de José Saramago.

Seguiram-se as apresentações dos agrupamentos de Escolas de Setúbal: Ordem de Sant’Iago, Sebastião da Gama; Barbosa du Bocage; Lima de Freitas; Luísa Todi; Escola Secundária du Bocage; Azeitão; Escola Secundária D. João II; Escola Secundária Dom Manuel Martins e Escola Profissional de Setúbal.

O encerramento foi antecedido por um minuto de silêncio em homenagem a todos aqueles que neste momento são vítimas da guerra e um apelo sentido à Paz no Mundo.

O espetáculo terminou, também com uma tradição: a atuação do Grupo de Trabalho das Bibliotecas Escolares de Setúbal que em homenagem ao escritor José Saramago partilhou a leitura do texto “As Palavras”, do livro Deste Mundo e do Outro.

O evento foi transmitido, em direto, a partir do Facebook e Youtube:

https://www.facebook.com/109053485846634/posts/5017525918332675/?sfnsn=mo

https://www.youtube.com/watch?v=dQoiMt4M_P4

Para o próximo ano, o Grupo de Trabalho promete o regresso para mais uma viagem onde a palavra dita, lida, dramatizada ou cantada estará em rede, no concelho de Setúbal.

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