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Blogue RBE

Seg | 14.02.22

Porque é necessário ler José Saramago?

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Para além de um prazer e consolo, ler José Saramago é uma necessidade e dever interior porque gera inquietação, reflexão crítica e vontade de transformação.

Visível na sua intervenção na vida pública, sobretudo através de crónicas, entrevistas e romances, Saramago considera “que o mundo precisa de ser mais humano” e que “Falham os que mandam e falham os que se deixam mandar” (Aguilera: 153) [1].

Voz indignada perante o desconcerto e o espetáculo do mundo e as atitudes de indiferença, passividade, resignação, aparência, status quo, competição. Cegueira branca ou mal branco que resulta da incapacidade mental das pessoas se desassossegarem e agirem perante quem sofre.

Assume uma atitude comprometida com o seu tempo e instiga, concidadãos e leitores, à consciencialização, à coerência e à mudança.

A ação - “O que uma pessoa faz” (Aguilera: 51) - define quem somos, a nossa identidade, o nosso nome.

Advoga sentido de respeito e responsabilidade perante os outros e a comunidade, que devem ser tidos em conta em todas as ações, individuais e coletivas. “O mundo precisa de uma forma diferente de entender as relações humanas e é a isso que eu chamo insurreição ética. Uma pessoa tem de perguntar a si própria: o que é que estou eu a fazer neste mundo?” (Aguilera: 121).

A insatisfação perante todas as coisas traduz-se em elevada exigência perante si próprio: “Não te permitas nunca ser menos do que aquilo que és” (Aguilera: 51).

Arte e literatura, tal como conhecimento e tecnologia, não são neutros, devem contribuir para uma existência cívica e humanista.

Dessacralizou a literatura e o trabalho de escritor, pois onde vai o escritor vai o cidadão e a ambos interessam todas as coisas.

O vínculo espontâneo aos animais, árvores e paisagem de menino tornou-o voz ativa em prol da proteção e defesa dos ecossistemas naturais e equilíbrio ambiental, advogando um humanismo que inclui todas as pessoas, seres vivos, animais e minerais.

Sobretudo a partir de Ensaio sobre a Cegueira (1995), assume como objetivo indagar sobre a condição do ser humano contemporâneo - o que somos, o que afeta a sociedade, o que nos rodeia – assumindo-se como voz universal. Nos seus romances os personagens – José, Blimunda, mulher do médico, cão das lágrimas – são amplos/ gerais e complexos, não se deixando reduzir a uma única característica ou circunstância. A sua escrita torna-se depurada e austera, como se estivesse “mais interessado na pedra de que a estátua é feita”, do que nas suas roupagens.

A estrutura concetual dos seus romances, aproxima-os do ensaio filosófico. Cultiva espanto, dúvida, interrogação, atitudes que aproximam a sua escrita da filosofia, que considera dever ser direito humano universal.

A sua vida é matéria literária pois, tal como Alexandre O’Neill, “A vida interessa-me, o que não me interessa é a vidinha” [2].

A sua memória e raízes é marcada pelo mundo das coisas pequenas e concretas da aldeia simples da Azinhaga (Golegã, Ribatejo) onde nasceu e à qual regressaria nas férias todos os anos da sua juventude. O Casalinho dos seus avós maternos, Josefa Caixinha e Jerónimo Melrinho, os primos, os primeiros amores e a comunidade, o rio Almonda, lagartos, porcos, rãs, ninhos, olivais, milheirais, os seus pés descalços que caminhavam sozinhos ao acaso. Expressa-o literariamente, sobretudo em As pequenas memórias (2006) e em crónicas como A bagagem do viajante (1973) ou Deste mundo e do outro (1971). “Apenas via as coisas do mundo e gostava de vê-las. Nunca fui de pequenas imaginações. Eu não me interessava por fantasias, mas pelo que ocorria”, recorda (Aguilera: 29).

Mudou-se com a família para Lisboa ao ano e meio, esteve em dez moradas em pouco mais de dez anos. Em adolescente “Só pude fazer dois anos de liceu [Gil Vicente], depois tirei um curso de serralharia mecânica na Escola Afonso Domingues. Ainda exerci [numa oficina de automóveis]; depois fui desenhador técnico, depois entrei para as burocracias do Estado; depois trabalhei durante doze anos na Editorial Estúdios Cor […]. Depois vieram os jornais…” (Aguilera: 78, 79): Diário de Lisboa (editorialista) e Diário de Notícias (diretor-adjunto).

“Sou autodidata. […] A minha educação literária foi feita nas bibliotecas públicas [sobretudo na Biblioteca Palácio das Galveias], porque na minha casa não tinha um único livro, a minha mãe era analfabeta” (Aguilera: 91).

Vendo “concretizar-se o cenário de pesadelo anunciado pela ficção científica: alguém encerrado no seu apartamento, isolado de todos e de tudo, na mais angustiosa solidão, mas ligado por internet e em comunicação com todo o planeta”, sente nostalgia desta biblioteca do Campo Pequeno (Lisboa) em que a relação com o conhecimento passava por um mediador, o bibliotecário e por uma comunicação direta entre pessoas unidas com o mesmo propósito [3].

As suas origens humildes e formação irregular fá-lo descobrir tardiamente - a partir de Levantado do Chão (1980), com cinquenta e oito anos - a sua própria voz literária.

Aos 63 anos encontra o amor da sua vida, Pílar de Río, jornalista de 36 anos.

Das pequenas coisas chega-se às grandes coisas e, a 8 de outubro de 1998, a Academia Sueca atribui a José Saramago o Prémio Nobel da Literatura. No discurso que profere critica o não efetivação da Declaração Universal dos Direitos Humanos [4] e anuncia a Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos [5].

Para além do cuidado e projeção da sua obra, a Fundação José Saramago, criada em 2007 e presidida por Pilar, tem como desígnio, por vontade expressa do escritor: “que a fundação intervenha na vida. Será uma pequena voz, eu sei. Não poderá mudar nada, também sei. Mas queremos que funcione como se tivesse nascido para mudar tudo” (Aguilera: 94).

Com o mesmo propósito da casa da obra de Saramago, a biblioteca escolar enquanto casa da leitura, imaginação e curiosidade, pretende abrir, a todas as crianças e jovens, as portas para a compreensão do mundo e de si próprias (Aguilera: 162) para uma vida livre e ética, em que cada um possa realizar as suas potencialidades.

 

Referências

1. Aguilera, F. (2010, nov.). José Saramago nas suas palavras (2.ª Ed.). Editorial Caminho. 

2. Alves, C. (1986, 23 ago.). O'Neill: "Não me interessa a vidinha", in: Expresso [jornal, p. 16]. nº 721.

3. Saramago, J. (2004). Informação: A quadratura do círculo. EFE, in: Clube de Jornalistas (2010, 30 jun.). Saramago, o jornalismo e a quadratura do círculo. CJ. https://www.clubedejornalistas.pt/?p=2860 [Seminário organizado pela agência de notícias EFE - Espanha, 2004]

4. Saramago, J. (1998, 7 dez.). José Saramago – Nobel Lecture: De como a personagem foi mestre e o autor seu aprendiz. The Nobel Prize. https://www.nobelprize.org/prizes/literature/1998/saramago/25345-jose-saramago-nobel-lecture-1998/

Outras versões do discurso de José Saramago na entrega do prémio Nobel da Literatura na Academia Sueca, em Estocolmo, a 7 de dezembro de 1998:

Saramago, J. (2018). Discursos de Estocolmo [Texto]. Porto Editora. https://www.portoeditora.pt/responsive/landing-pages/saramago/imagens/pdf/saramago_discursos_de_estocolmo.pdf

Saramago, J. (2018). Discursos de Estocolmo [Vídeo]. Fundação José Saramago.  https://www.youtube.com/watch?v=0F-fupSNmJk

5. Fundação José Saramago. (2017). Carta Universal de Deveres e Obrigações dos Seres Humanos. https://www.josesaramago.org/carta-universal-dos-deveres-e-obrigacoes-dos-seres-humanos/

6. Fonte da imagem: Saramago, J. (2008). Biografia. Fundação José Saramago. https://www.josesaramago.org/biografia/

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Sex | 11.02.22

“Concurso Escrever é Viver” | 2.ª edição

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O Concurso Escrever é Viver, promovido pelo Instituto Multimédia, destina-se a jovens estudantes do 3.º ciclo do ensino básico das regiões Norte e Centro, com o objetivo central de os mobilizar para a produção de textos poéticos ou em prosa. Pretende-se estimular o gosto pela escrita, ativar o olhar analítico e o espírito crítico dos jovens, motivar os jovens para a expressão dos seus sentimentos e valorizar a criatividade.

A edição de 2022 é subordinada ao tema “O EU e O OUTRO”, possibilitando que os jovens reflitam sobre a importância dos outros na nossa vida e sobre a forma como as Tecnologias de Informação e Comunicação estão a fechar e a abrir perspetivas relacionais.   

A participação pode ser individual ou compartilhada, em grupo de dois elementos, e implica a autorização automática da utilização dos trabalhos para eventual divulgação educativa.

Os trabalhos devem ser enviados para concursos@imultimedia.pt até ao dia 14 de março.

Nas escolas, o processo de divulgação e acompanhamento dos trabalhos deve ser apoiado localmente por cada biblioteca escolar, integrando a RBE o júri deste concurso.

Veja mais pormenores sobre o concurso, incluindo o regulamento e a ficha de inscrição, na página do Instituto Multimédia.

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Qui | 10.02.22

Relatório de tendências da IFLA 2021

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Desde 2012, a IFLA (Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Instituições) tem trabalhado com um amplo leque de especialistas e partes interessadas de diferentes disciplinas (cientistas sociais, economistas, líderes empresariais, especialistas em educação, juristas e tecnólogos) para ajudar a identificar tendências sociais que afetarão o futuro dos ambientes de informação.

O Relatório de Tendências da IFLA (publicado pela primeira vez em 2013 e com atualizações em 2016, 2017, 2018 e 2019) é, pois, o resultado do diálogo entre o campo das bibliotecas e peritos de uma série de disciplinas. Ao cruzar diferentes experiências e perspetivas, estes relatórios proporcionam uma oportunidade para explorar e discutir as tendências emergentes que estão a moldar o mundo em que as bibliotecas trabalham.

O primeiro Relatório, em que não se procura prever o futuro, mas sim explorar as forças que o irão influenciar, identificou cinco tendências no ambiente global da informação, abrangendo o acesso à informação, educação, privacidade, envolvimento cívico e transformação    tecnológica. 

As atualizações subsequentes, disponíveis no site Trend Report, têm aberto caminhos e questões para reflexão, trazendo novas vozes de dentro e de fora do campo da biblioteca.

Espera-se que estes relatórios sirvam como ponto de partida para a discussão tanto no campo das bibliotecas, como quando se fala com parceiros externos. É um apoio à reflexão sobre como melhor se preparar para o que está para vir, para que as bibliotecas não só sobrevivam, mas prosperem. 

A forma como as bibliotecas respondem a estas tendências terá uma influência decisiva sobre a importância do papel que desempenharão no panorama da informação em evolução. 

Em janeiro de 2022, a IFLA publicou a sua atualização referente a 2021, com referências inevitáveis à pandemia COVID 19 e à forma como esta tem sido um teste capacidade de adaptação à mudança, e de mostrar resiliência, imaginação e inovação, capacidades cruciais para que o campo da informação possa continuar a desempenhar um papel central em prol do desenvolvimento sustentável para o futuro.

A maior parte do relatório está centrada em 20 tendências derivadas dos contributos recebidos de líderes emergentes anteriormente a 2021, as quais representam possíveis direções em que as sociedades e o campo das bibliotecas poderiam evoluir. Nenhuma delas é certa e por vezes são mesmo conflituantes entre si; algumas são globais, falando de mudanças gerais na política e na sociedade, enquanto outras são mais específicas das próprias bibliotecas. O relatório elenca as seguintes tendências:

1 Tempos difíceis pela frente: Uma lenta recuperação da COVID irá pressionar todas as formas de despesa pública, o que, aliado à crença de que, graças à tecnologia, as bibliotecas são menos necessárias do que antes, exigirá que estas intensifiquem os esforços em sua defesa 

2 O virtual está para ficar: As pessoas continuarão a preferir o acesso remoto aos serviços da biblioteca, pondo em causa o valor dos espaços e das ofertas físicas, sendo necessário passar para uma lógica de prestação remota permanente.

3 O regresso dos espaços físicos: As pessoas redescobrirão o valor dos espaços que oferecem oportunidades para interação e discussão significativas.

4 A ascensão das competências brandas (soft skills): Numa época de rápida evolução das tecnologias, torna-se cada vez mais importante que os bibliotecários possam inovar e adaptar-se a situações imprevisíveis.

5 A diversidade levada a sério: Uma consciência crescente da existência e dos impactos da discriminação obriga a uma reforma radical das coleções, serviços e práticas das bibliotecas.

6 O controlo ambiental: As alterações climáticas trazem novas ameaças às bibliotecas e às comunidades que servem, forçando uma adaptação radical para evitar a catástrofe: novas orientações arquitetónicas para os espaços; desenvolvimento de práticas de apoio à mudança de comportamentos e a uma maior capacitação climática.

7 Uma população móvel: Com pessoas cada vez mais nómadas, o conceito de biblioteca 'local' tornar-se menos relevante e a necessidade de fornecer serviços conjuntos através das fronteiras aumenta.

8 O utilizador impaciente: Os utilizadores de bibliotecas, em particular das gerações mais jovens, esperam as mais modernas tecnologias e serviços e existe o risco de se afastarem das bibliotecas se não as encontrarem lá.

9 A reação analógica: Uma nova geração, traumatizada pelo stress da constante conectividade dos media sociais, redescobre os recursos físicos - incluindo os livros - como uma fuga.

10 A importância da dimensão: O custo da prestação de serviços completos e modernos significa que só é possível às instituições maiores fazê-lo, deixando para trás as mais pequenas; corre-se o risco de existirem duas classes de biblioteca - as que são capazes de acompanhar (muitas vezes as maiores, com melhores recursos, com o pessoal a receber o apoio necessário para trabalhar com novas ferramentas) e as que são deixadas para trás.

11 O domínio dos dados: Novos usos e aplicações de dados alteram dramaticamente a vida económica e social, tornando cada vez mais essencial que as pessoas aprendam a lidar com os dados.

12 A pesquisa transformada: A inteligência artificial revoluciona a forma como encontramos a informação, tornando possível fornecer aos utilizadores resultados cada vez mais precisos.

13 Corrida aos extremos: O debate político polariza-se, tornando mais difícil encontrar consenso tanto na política como na sociedade, prejudicando a defesa de instituições partilhadas.

14 Aprendizagem ao longo da vida: Já não existe um emprego para a vida, o que significa que cada vez mais pessoas precisarão de se reciclar ao longo da vida. Como resposta, as bibliotecas intensificarão as atividades de aprendizagem.

15 Uma coleção única, global: Com a digitalização dos recursos e das possibilidades de trabalhar através das instituições, já não é tão relevante falar de coleções locais, mas sim do acesso a recursos universais.

16 A privatização do conhecimento: A utilização de instrumentos tecnológicos, assim como as lentas reformas dos direitos de autor, tornam possível aos atores privados restringir e controlar a informação, mesmo a nível granular, obrigando a autorizações e pagamentos.

17 As qualificações são importantes: À medida que a complexidade do ambiente de informação aumenta, aumenta também a necessidade de os funcionários das bibliotecas beneficiarem de um elevado nível de educação. A qualificações necessárias incluem competências digitais mais elevadas, competências STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática), de codificação e programação, de sustentabilidade e literacia ambiental e a capacidade de avaliar as necessidades da comunidade e do utilizador e responder em conformidade.

18 Informação valorizada: Governos e outras instituições reconhecem plenamente a importância da literacia da informação como uma resposta a longo prazo ao aumento da desinformação.

19 Os movimentos abertos desafiam as bibliotecas: Com uma quota crescente de informação científica disponível livremente, as bibliotecas são obrigadas a adaptar o seu papel ou a perder a sua relevância. Nos últimos anos, ao acesso aberto juntaram-se outros movimentos abertos - ciência aberta e bolsas de estudo abertas, recursos educativos abertos, e GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) - todos com o objetivo de reduzir as barreiras de acesso, utilização e envolvimento na educação, ciência e vida cultural.

20 Agravamento das desigualdades: Com a tecnologia a criar novas possibilidades para aqueles que têm acesso a ela, o fosso entre eles e os que não têm acesso aumenta, havendo o risco de confinar grandes parcelas da população à pobreza, a menos que sejam tomadas medidas.

Referências

  1. IFLA (2022). IFLA trend report 2021 update. https://repository.ifla.org/bitstream/123456789/1830/1/IFLA%20TREND%20REPORT%202021%20UPDATE.pdf
  2. Fonte da imagem : 1. IFLA (2022). IFLA trend report 2021 update. https://repository.ifla.org/bitstream/123456789/1830/1/IFLA%20TREND%20REPORT%202021%20UPDATE.pdf

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Este trabalho está licenciado sob licença: CC BY-NC-SA 4.0

Qua | 09.02.22

Lutar contra os estereótipos e pelo direito à igualdade

Literacia da informação e dos media, uma emergência educativa

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Estamos rodeados de imagens, tal como de palavras escritas e faladas, que transmitem ideias padronizadas relativas a pessoas, questões ou eventos, muitas vezes através de símbolos ligados à raça, nacionalidade, sexo, sexualidade, idade ou classe. A isto chama-se representação.

A representação pode tomar muitas formas, envolvendo frequentemente estereótipos ou imagens demasiado simplificadas, que podem ser utilizadas, intencionalmente ou não, para rotular indivíduos ou grupos e justificar crenças ou atitudes negativas.

Sempre que uma publicação incita ao conflito, ao discurso de ódio ou à discriminação, o seu produtor deve ser responsabilizado. Identicamente, os fornecedores de conteúdos têm um papel a desempenhar no que respeita a representações discriminatórias. Mas também é importante existir um debate público e políticas relativas à diversidade, sendo necessário encontrar um equilíbrio quando se definem pessoas diferentes como "Outro".

Visto que é imprescindível que se compreenda a importância de respeitar o direito de cada pessoa à igualdade, dignidade e paz, torna-se crucial saber analisar imagens ou textos, assim como os respetivos contextos narrativos, competências integradas na Literacia de Informação e Media.

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Combater a desinformação e o discurso de ódio

Quando se fala de desinformação, informação falsa, informação enganosa, teorias da conspiração ou discurso de ódio é preciso ter presente que muitos indivíduos e fornecedores de conteúdos amplificam material impreciso e enganador, podendo ser difícil identificá-lo, responder-lhe adequadamente e diferenciá-lo de informação de qualidade. É, por essa razão, determinante que os indivíduos compreendam que notícias e informações podem ser manipuladas para criar desconfiança, divisão, intolerância e preconceitos na sociedade.

Da mesma maneira, é fundamental perceber a forma como os modelos de negócio dos fornecedores de conteúdos, através da sua arquitetura e dos seus algoritmos, podem funcionar para propagar materiais potencialmente nocivos. Há que ter sempre presente que tudo o que se fazemos em linha nos abre a potencial má utilização da nossa pegada digital e que os nossos dados são com frequência utilizados para nos atingir e para nos "empurrar", através de técnicas escondidas, levando-nos a perder a nossa capacidade de tomar decisões informadas.

A Literacia de Informação e Media fornece as competências que permitem evitar uma maior propagação de informações falsas com objetivos de ódio e minimizar tais matérias e os fornecedores que as hospedam.

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Esta chamada de atenção da UNESCO para a relevância do domínio de conhecimentos e capacidades, atitudes e valores na área da Literacia da Informação e Media para construir uma sociedade mais justa e pacífica leva-nos a mostrar que as bibliotecas escolares estão a responder a esta chamada à ação, através de duas áreas de trabalho previstas no Quadro Estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares [1]:

Por um lado, no Eixo Saberes, solicita-se às bibliotecas que desenvolvam “abordagens integradas das literacias da informação, dos media e digital, perseguindo o desenvolvimento do pensamento crítico, das capacidades de resolução de problemas e de comunicação e do uso ético, eficaz e criativo da informação, media e tecnologia.” (RBE, 2021, pág. 46)

Por outro lado, no Eixo Pessoas, espera-se que “convoquem para o exercício da cidadania democrática, reflexiva e empreendedora, comprometida com uma visão humanista e sustentável do mundo” (RBE, 2021, pág.47), linha de ação que se encontra também a ser desenvolvida, através da integração das bibliotecas no Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação 2021-2025 - Portugal contra o racismo.

Importa ainda referir que estas duas áreas de trabalho se fundam em valores como a equidade, a diversidade e a inclusão,  que implicam o “reconhecimento e valorização da diversidade na sua pluralidade, criando condições para o desenvolvimento e participação de todos. (RBE, 2021, pág. 31)

Este artigo foi adaptado de: Media and Information Literacy: The time to act is now! [2]

 

Referências

1. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

2. UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

3. Fonte da imagem: UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

 

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Ter | 08.02.22

Metaverso... uma tecnologia que veio para ficar

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O metaverso combina várias tecnologias, como por exemplo a realidade aumentada e a realidade virtual, para criar um mundo digital, em que os utilizadores, através de avatares, interagem uns com os outros. Neste mundo, os utilizadores poderão viajar, trabalhar, jogar, organizar festas, viajar e até estudar.

Este termo foi utilizado originalmente em 1992, pelo escritor Neal Stephenson, no seu livro Samurai: Nome de Código, para descrever um mundo imaginário, onde as personagens podiam imaginar e criar elementos do futuro. Mas foi a mudança do nome do Facebook para Meta que mais chamou a atenção para o metaverso (em inglês metaverse).

Face às potencialidade do metaverso, são já inúmeras as utilizações

- simular práticas profissionais para estagiários (médicos, enfermeiros, bombeiros, pilotos, por exemplo);

- aprender sem sair de casa, mas com um ambiente idêntico ao presencial (a Optima Classical Academy, uma escola americana, anunciou que irá abrir a sua escola virtual, a partir de agosto de 2022 - https://www.euronews.com/next/2022/01/14/educating-in-the-metaverse-are-virtual-reality-classrooms-the-future-of-education).

- experimentar produtos virtualmente, antes de os comprar (uma peça de roupa, um peça de mobiliário para casa, um novo corte de cabelo);

- viver na casa com que sonhamos, antes de a construir (já há empresas de construção a apostar nesta tecnologia - https://olhardigital.com.br/2022/01/27/pro/metaverso-ja-e-utilizado-na-construcao-civil/);

- viajar até um país distante.

As características desta tecnologia não podem ser descuradas em educação, pois permitirão aos alunos “mergulhar” virtualmente nos conteúdos das várias disciplinas, graças a avatares e mundos digitais, o que permite uma aprendizagem imersiva, isto é interativa, pois o aluno está no centro da sua experiência de aprendizagem. Desta forma, assegura-se a personalização e flexibilidade das propostas de aprendizagem às características dos alunos, que é, aliás, uma das grandes tendências em educação, face ao avanço tecnológico das ofertas híbridas no ensino.

Também as bibliotecas escolares, enquanto centros de inovação nas escolas, devem estar atentas ao avanço nesta área, pois a utilização do metaverso melhorará a experiência dos utilizadores, quer sejam alunos, professores e até outros elementos da comunidade educativa. Esta tecnologia permitirá recriar as interações da biblioteca escolar num ambiente digital, nas suas várias vertentes:

- serviço de referência;

- apoio ao ensino e à aprendizagem;

- promoção de atividade/ projetos no âmbito da leitura e das diferentes literacias;

- dinamização de atividades culturais.  

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Seg | 07.02.22

Discriminação: abordagem educativa e títulos

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Que abordagem educativa adotaram as bibliotecas escolares nas 168 iniciativas sobre racismo e discriminação apresentadas em 2021?

Tratam-se de atividades criativas, baseadas na leitura, escrita, diálogo e participação a partir de livros, filmes/ vídeos e outros documentos com exploração de media e ferramentas digitais e envolvimento da comunidade. Por exemplo:

-  Discussão em pequenos círculos de reflexão, assembleia de turma ou fóruns alargados, inclusive com outras escolas, sobre estereótipos e preconceitos, por exemplo: “Racismo no séc.XXI?! Naa...deve ser Engano!”;

- Scripts para filmes com base na pesquisa e compilação de legislação e notícias, nacionais e internacionais, sobre desrespeito pelos direitos humanos;

- WebQuests e questionários/ sondagens em linha sobre, por exemplo, direitos por cumprir;

- Emojis temáticos;

- Palestras e debate com especialistas e pessoas da comunidade, inclusive pertencentes a culturas minoritárias e associações locais/ ONG de defesa destes grupos;

- Encontros com escritores, inclusive afrodescendentes, ciganos e migrantes a residir em Portugal;

- Exposições/ Instalações que integram recolha de frases, fotografias, ilustrações, cartoons das próprias crianças e jovens e de autor;

- Tradução de textos para idioma português para publicação na internet em acesso aberto;

- Marcadores de livros com nomes próprios dos colegas escritos em línguas dos grupos minoritários da turma;

- Cartazes e murais coletivos temáticos, físicos e digitais (Padlet) e em várias línguas - exemplo de temas: “Le harcèlement à l´école”, “Os Direitos Humanos são uma Construção! E tu? Constróis os Direitos Humanos, todos os dias?”;

- Ações de rua, saraus de poesia e música com poemas originais das crianças e jovens e de autor;

- Trabalhos baseados em pesquisa orientada da informação sobre temas controversos, por exemplo: contradições dos direitos humanos a partir de situações concretas que violam o seu cumprimento ou figuras icónicas dos direitos humanos;

- Concursos de poesia temáticos; 

- Programas de rádio temáticos e com todos;

- Bibliotecas humanas formadas por pessoas de grupos minoritários e que são referência na comunidade; 

- Oficinas de arte para experienciarem pintar sem uso das mãos, com boca e/ ou pés, sentindo empatia com pessoas com deficiência;

- Criação de jogos de tabuleiro que incluem sessões de jogos de autor, por exemplo, jogo multicultural “A volta ao mundo”.

Porque a leitura é a principal área de trabalho destas iniciativas, as bibliotecas escolares espontaneamente indicam títulos que leram e discutiram com as crianças e jovens [1]. Estes títulos abordam temas sobre identidade e discriminação e têm protagonistas de diversas culturas e etnias.

Neste contexto a Rede de bibliotecas Escolares divulgou propostas de álbuns gráficos [2] e, até 2025, ano de conclusão do Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação, a RBE pretende alargar estas propostas a outros autores lusófonos e de outros países não europeus/ americanos, incluindo autores portugueses ciganos e afrodescendentes, bem como autores migrantes e refugiados a residir no país (Medida 2.7) que habitualmente têm menos oportunidades para serem ouvidos e publicados.

No Twitter #OwnVoices, criada em 2015 pela escritora Corinne Duyvis, com o propósito de aumentar a representatividade de livros com protagonistas - e autores – com diversas identidades e experiências de vida, combate estereótipos na literatura. 

Atualmente organizações, como We Need Diverse Books, apoiam diversos autores de livros infantis, publicando guias anuais de livros infantis diversos e defendendo a mudança na indústria editorial para que “reflita e honre a vida de todos os jovens” e autores.

Neste contexto e, a par da qualidade das obras publicadas, levantam-se questões sobre o “lugar de fala” na literatura [3] que deixamos em aberto para reflexão e discussão: Quem pode escrever sobre quem? Podem escrever-se histórias representando grupos e pessoas dos quais não se tem vivência? Que formas de luta podemos e queremos desenvolver para que as obras publicadas reflitam a diversidade de pessoas da sociedade cosmopolita/ global?

 

Referências

1. Exemplos de títulos trabalhados pelas crianças e jovens nas bibliotecas escolares:

- Livros: Contos do mundo de Ó. Villán e T. Bowley; Uma Longa Viagem, de D. Chambers; Migrantes de I. Watanabe; Os animais estavam zangados de W. Wondriska; O lápis mágico de Malala, de M. Yousafzai; Os direitos das crianças, Meninos de todas as Cores, Os Ovos Misteriosos, Contos de um mundo com esperança de L. Ducla Soares; Não faz mal ser diferente, de T. Parr; Orelhas de Borboleta de L. Aguilar; O Dragão das Mil Flores da Marus Editores; O Dia em que os lápis desistiram de O. Jeffers; Os Ciganos de S. Andresen; As cores do arco-íris de J. Moore-Mallinos; O Autocarro de Rosa Parks de F. Silei; A Canção da Mudança de A. Gorman; Racismo e Intolerância de L. Spilsbury; Uma Terra prometida - Contos sobre refugiados de F. Marona Beja e outros; Dez discursos de B. Obama; Diário de um migrante de M. Almeida; Caros fanáticos, de A. Oz; O apicultor de Alepo de C. Lefteri; O Aquário de J. Mésseder, Um Menino Bateu-me à Porta de M. Neve, Dicionário da invisibilidade do SOS Racismo, Memorial do Convento e A maior flor do mundo de J. Saramago;

- Filmes/ vídeos: Green Book: Um Guia para a Vida, de P. Farrelly; Que mal fiz eu a Deus? de P. Chauveron; Selma: A Marcha da Liberdade de A. DuVernay; Como Estrelas na Terra, Toda a Criança é Especial de A. Khan, A. Gupte; Everybody da Equality and Human Rights Commission, Mudar o Mundo de F. Desbiens, Discursos históricos de M. Luther King da RTP Ensina, Android Rock, Pedra, Papel, Tesoura e uma alfinetada da Google na Apple e Um Ciclo Vicioso (sobre Bullying); O véu de Armani de R. Diniz; S. Jernigan e M. Bate; Dolápo is Fine de E. Hylton; Johnny White de G. Santos; 20 minutes of Silence de A. Teimori.

2. Rede de bibliotecas Escolares. (2019). Álbuns. RBE: https://www.rbe.mec.pt/np4/cidadania-recursos-albuns

3. Ribeiro, D. (2019). Lugar de Fala. Jandaíra. https://editorajandaira.com.br/products/lugar-de-fala-colecao-feminismos-plurais?_pos=1&_sid=7ef55d87d&_ss=r

4. Fonte da imagem: We Need Diverse Books. Imagine um mundo em que todas as crianças se possam ver nas páginas de um livro. WNDB. https://diversebooks.org/

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Sex | 04.02.22

A importância da Informação e dos Media na vida quotidiana

Literacia da informação e dos media, uma emergência educativa

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Para se compreender a verdadeira importância da promoção da Literacia da Informação e dos Media, abordam-se algumas das questões de atualidade abrangidas por estas competências, designadamente o que acontece no mundo do jornalismo e no que respeita a oportunidades e a ameaças decorrentes da vida online e offline.

 

Retirar sentido das notícias, apesar do ruído

Para providenciarem à sociedade acesso à informação, os profissionais dos media têm regras claras e rigorosas, que facilitam as sociedades democráticas, a paz e o desenvolvimento sustentável. Essas regras são essenciais, uma vez que as pessoas dependem muito das notícias para formarem opiniões e tomarem decisões: de algum modo, orientam as suas vidas a partir do que leem, ouvem, ou veem nos media.

Torna-se assim fundamental questionar as mensagens das notícias:

- Quais são os critérios que sustentam este conteúdo que surge como notícia? Trata-se de informação realmente verificável ou de uma análise informada, que surge com interesse público?

- A notícia fornece vários pontos de vista, assegurando simultaneamente que conteúdos enganadores não são tratados do mesmo modo que informação proveniente de fontes autorizadas e credíveis?

- Que emoções é que a notícia desperta? Porquê?

- É possível reconhecer as notícias profissionais em toda a sua diversidade, diferenciando-as de outros tipos de conteúdos?

- Quem são as fontes citadas nas notícias - incluem as vozes das mulheres, das crianças, dos pobres, das populações rurais, etc.?

- Qual é o contributo para as notícias de conteúdos gerados pelos utilizadores e pelo jornalismo "cidadão"?

Espera-se que os meios noticiosos fomentem o debate público e desempenhem um papel de empoderamento dos indivíduos, para que estes possam exercer a sua liberdade de expressão. Como se explicam as insuficiências que se verificam na prática?

 

Oportunidades online versus desafios offline

A comunicação digital oferece enormes oportunidades para as pessoas enriquecerem e melhorarem as suas vidas e para a sociedade em geral, mas este acesso também comporta riscos.

Hoje em dia, muitas crianças crescem online, sendo especialmente vulneráveis, visto que experienciam o processo de encontrar o sentido de quem são, de tomar consciência dos modos de estar que não são éticos e de explorar o que o mundo significa para elas.

Ao mesmo tempo, as gerações mais velhas podem ser deixadas para trás quando se trata de assegurar que as oportunidades e os riscos são plenamente compreendidos e geridos.

As competências em informação e media capacitam as pessoas de todas as idades para maximizar os benefícios enquanto navegam nos potenciais riscos, envolvendo-se, com consciência, em atividades online.

Assim a Literacia da Informação e dos Media pode ajudar a:

- Estimular o autoaperfeiçoamento e encorajar as pessoas a aprenderem sobre o seu país e o mundo em geral, através de melhores competências de comunicação;

- Desenvolver os conhecimentos dos utilizadores sobre benefícios e riscos que acompanham o uso da Internet;

- Explicar aos utilizadores as questões de privacidade e segurança online e a forma como as podem defender;

- Reforçar as capacidades de autoproteção;

- Permitir que as pessoas utilizem a Internet com maior compreensão do ambiente e das empresas que lhe serve de base, bem como com uma maior sensibilização relativamente aos direitos próprios e preocupação com os direitos dos outros.

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O quadro estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares, no seu Eixo Saberes, evidencia a necessidade de “Assegurar abordagens integradas das literacias da informação, dos media e digital, perseguindo o desenvolvimento do pensamento crítico, das capacidades de resolução de problemas e de comunicação e do uso ético, eficaz e criativo da informação, media e tecnologia.”[1]

Assim, as bibliotecas escolares contribuem claramente para acautelar especificamente as duas questões aqui evidenciadas, desenvolvendo programas de literacias, os seja atividades, estruturadas e regulares no domínio da informação e dos media. Para isso, contam com um referencial (Aprender com a Biblioteca Escolar) que define os conhecimentos e capacidades, atitudes e valores que é necessário desenvolver. Têm igualmente à sua disposição múltiplas sugestões de trabalho (Aprender com a Biblioteca Escolar: atividades e recursos), várias especificamente respeitantes a conteúdos noticiosos e à segurança na internet, aspetos da Literacia da Informação e dos Media abordados neste artigo.

Este artigo foi adaptado de: Media and Information Literacy: The time to act is now! [2]

 

Referências

1. Portugal. Rede de Bibliotecas Escolares (2021). Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro. Programa Rede de Bibliotecas Escolares: Quadro estratégico: 2021-2027. https://rbe.mec.pt/np4/file/890/qe__21.27.pdf

2. UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

3. Fonte da imagem: UNESCO (2021). Media and Information Literacy: The time to act is now! https://en.unesco.org/sites/default/files/mil_curriculum_second_edition_summary_en.pdf

 

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Qui | 03.02.22

"A ARTE DE LER E ESCREVER+"

Agrupamento de Escolas de Ponte Sor

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Na Escola Básica de Tramaga, o financiamento/apoio obtido através da candidatura “Ler e escrever + com a biblioteca”, da Rede de Bibliotecas Escolares, para implementação do Projeto "A ARTE DE LER E ESCREVER+, abriu as portas para uma verdadeira aventura literária.

No acompanhamento que a Biblioteca Escolar tem prestado aos alunos das turmas B (2º/3ºanos) e C (4º ano), nos últimos dois anos e, mediante a análise dos seus resultados escolares, considerou-se a necessidade imediata de um reforço das aprendizagens não consolidadas, através de ações de sucesso nas competências da leitura e da escrita.

O Projeto assume uma dimensão interdisciplinar, envolvendo as equipas pedagógicas que acompanham as duas turmas, com enfoque no Português, Educação para a Cidadania e Expressões. Pretende-se que o envolvimento de todos, de forma sistematizada e articulada com a Biblioteca Escolar se traduza numa melhoria significativa dos resultados escolares, nas áreas da Leitura e Escrita, enquanto competências transversais essenciais à aprendizagem dos alunos.

O trabalho a realizar durante o ano letivo consiste na realização de:

  • sessões de leitura orientada em sala de aula;
  • desafios de leitura e escrita em sala de aula e em casa;
  • tertúlias literárias dialógicas na biblioteca escolar;
  • visita de estudo ao Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor (visita-exposição de arte, visita-jogo e visita oficina escrita).

Os ALUNOS em grupos interativos irão assegurar o apoio aos colegas na leitura e na escrita, através de momentos de entreajuda, partilha, empoderamento e socialização.

Os PROFESSORES orientadores serão o motor para a implementação do Projeto, num trabalho de parceria, envolvimento e aprendizagem colaborativa.

A BIBLIOTECA ESCOLAR assegurará a requisição de livros para as sessões de leitura, apoiará a escrita criativa, dinamizará as tertúlias literárias dialógicas.

A intervenção das FAMÍLIAS será assegurada pelo estímulo, apoio e reforço aos momentos de leitura e escrita realizados com os seus educandos.

O MUNÍCIPIO garantirá o apoio social e logístico para as deslocações previstas. 

A DIREÇÃO do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor garantirá a monitorização interna e todo o apoio necessário ao desenvolvimento do Projeto.

A visita ao Centro de Artes e Cultura e à Biblioteca Municipal, pretende a recuperação de momentos de socialização de alunos e reflexão em torno de si mesmos e do mundo que os envolve, fruindo simultaneamente a leitura e a escrita. Através do seu serviço educativo, estas instituições dinamizarão uma visita-jogo e uma visita com oficina de escrita, criando sinergias que fomentem diferentes aprendizagens, o sentido crítico e criativo e a experimentação como motor do conhecimento.

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Qua | 02.02.22

Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação: evidências e temas em 2021

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O Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação 2021-2025 - Portugal contra o racismo [1] organiza-se em dez áreas de intervenção, das quais a segunda, Educação e Cultura, é foco de ação por parte da Rede de Bibliotecas Escolares, com base em duas medidas:

2.2. Disponibilizar recursos pedagógicos que promovam uma educação para a igualdade e a não discriminação - parceria com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM);

2.7. Promover o conhecimento de livros, sem discriminação de pessoas ou grupos e reforçar propostas pedagógicas de abordagem à leitura, às artes e à cultura, integradas no currículo - parceria com o Plano Nacional de Leitura (PNL).

Do levantamento de dados em 2021, concluiu-se que 168 bibliotecas escolares desenvolveram atividades no âmbito do Plano contra o Racismo, envolvendo total de 37.369 crianças e jovens.

Estas atividades, algumas das quais incluem o projeto Todos Juntos Podemos Ler [2], subordinam-se a diferentes temas com nível de participação heterogéneo:

- Direitos Humanos – 18.325 crianças e jovens;

- Racismo – 9.273 crianças e jovens;

- Pessoas com deficiência – 4.602 crianças e jovens;

- Crise dos refugiados – 1.850 crianças e jovens;

- Igualdade de género, violência doméstica e no namoro – 1.361 crianças e jovens;

- Pessoas ciganas – 1.354 crianças e jovens;

- Holocausto – 604 crianças e jovens.

A distribuição destas atividades nas bibliotecas escolares do país é desigual:

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A celebração de datas internacionais é a estratégia de advocacia mais usada pelas bibliotecas escolares para abordar o racismo e a discriminação e é importante porque gera consciencialização e ação, contribuindo para reforçar aspirações universais da humanidade e orientar o desenvolvimento e governação globais e locais.

As datas internacionais mais celebradas pelas bibliotecas escolares são, por ordem decrescente de adesão:

- 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos;

- 20 de novembro, Dia Internacional dos Direitos das Crianças;

- 20 outubro, Dia Mundial de Combate ao Bullying;

- 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres;

- Dia Internacional da Mulher;

- 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência [3];

- 21 de maio, Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento;

- 16 de novembro, Dia Internacional para a Tolerância;

- 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Há efemérides menos conhecidas que as bibliotecas celebram, por exemplo, Dia das Meias Trocadas que assinala a inclusão das pessoas com Síndroma de Down.

As iniciativas sobre Direitos Humanos focam também, de forma significativa, o tema da empatia como resposta ao discurso de ódio, bullying e violência.

Esta abordagem justifica-se porque a prática de crimes de ódio e bullying/ ciberbullying, na vida real e redes sociais, sobretudo contra minorias ou pessoas vulneráveis, tem vindo a aumentar em todo o mundo:

- A Fundamental Rights Agency, tendo realizado o primeiro inquérito ao nível da União Europeia sobre experiência de crime na população, conclui que “Mais de um em cada quatro europeus foi vítima de assédio e 22 milhões foram fisicamente agredidos num ano. Mas as vítimas de crimes normalmente não relatam as suas experiências” com medo de represálias por parte dos agressores [4];

- O relatório da Comissão Europeia 2021 estima que cerca de 50% das crianças sofreram pelo menos um tipo de cyberbullying num universo de mais de 6.000 jovens de 10 a 18 anos, entre junho a agosto de 2020. Nos 11 países europeus incluídos no relatório, 44% das crianças que sofreram ciberbullying antes do confinamento dizem que esta prática foi mais frequente durante o confinamento [5];

- Em 2019 a UNICEF apresentou um estudo, envolvendo trinta países, no qual conclui que um em cada três jovens diz ter sido vítima de ciberbullying e um em cada cinco crianças disse ter faltado à escola por este motivo e por violência [6].

Como prevenir a prática destes crimes e ajudar as vítimas - e a comunidade - a conhecer e a lutar pelos seus direitos para que a escola seja um lugar seguro e todos possam respeitar-se e realizar os seus sonhos, é um desafio ao qual a biblioteca escolar responde através da leitura/ escrita e literacia dos media e informação.

Histórias, notícias, obras de arte e situações experienciadas são ponto de partida para o diálogo e participação: Porque é que dizes isso? Conheces alguma história sobre esse(a) tema/ palavra? O que gostaste ou não gostaste? O que devemos manter ou mudar?

 

Referências

1. Presidência do Conselho de Ministros. (2021, 28 jul.). Resolução do Conselho de Ministros n.º 101/2021 - Diário da República n.º 145/2021. https://dre.pt/dre/detalhe/resolucao-conselho-ministros/101-2021-168475294

2. Rede de Bibliotecas Escolares. (2022). Todos juntos podemos ler. https://www.rbe.mec.pt/np4/TodosJuntosPodemosLer.html

3. Nações Unidas. (2021, 3 dez.) Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. https://www.un.org/en/observances/day-of-persons-with-disabilities

4. Fundamental Rights Agency. (2021, 19 Feb.). Violence and harassment across Europe much higher than official records. https://fra.europa.eu/en/news/2021/violence-and-harassment-across-europe-much-higher-official-records

5. European Commission. (2021). How children (10-18) experienced online risks during the Covid-19 lockdown - Spring 2020. https://publications.jrc.ec.europa.eu/repository/handle/JRC124034

6. UNICEF (2019, 3 set.). UNICEF poll: More than a third of young people in 30 countries report being a victim of online bullying. https://www.unicef.org/press-releases/unicef-poll-more-third-young-people-30-countries-report-being-victim-online-bullying

7. Fonte da imagem: UNESCO. (2021). Comemorações e aniversários. https://en.unesco.org/commemorations

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Ter | 01.02.22

Dia da Internet Mais Segura – uma boa oportunidade para trabalhar a literacia dos media

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No segundo dia, da segunda semana do segundo mês do ano, celebra-se anualmente o Dia da Internet mais Segura; em 2022, a 8 de fevereiro assinala-se a 19º edição. Ao longo dos anos, este dia junta milhões de pessoas sob o lema “Juntos por uma Internet melhor”.

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Esta é uma data em que as bibliotecas escolares se empenham, desenvolvendo habitualmente múltiplas atividades, uma vez que a iniciativa vai ao encontro de uma das suas vocações mais relevantes: desenvolver a literacia dos media.

Para apoiar esse trabalho, a Rede de Bibliotecas Escolares, relembra um conjunto de propostas de trabalho no âmbito do referencial Aprender com a Biblioteca Escolar e que poderão revelar-se boas ideias para abordar a segurança na internet com os alunos.

Em fevereiro, desafiam-se as bibliotecas a partilharem uma atividade no âmbito do Dia da Internet mais segura, implementada ao longo deste mês.

Essa partilha, em formato de imagem 1080px*1080px., deverá ser publicada nos canais de comunicação da biblioteca e a hiperligação para a mesma partilhada com a RBE através deste formulário. Sugerimos que seja uma imagem, com reduzido conteúdo escrito mas relevante, com uma mensagem clara e demonstrativa do que vai suceder ou do que aconteceu.

Para mais facilmente se localizar a iniciativa, poderá ser utilizada a hashtag- #Diadainternetmaissegura

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