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Blogue RBE

Qua | 03.11.21

Serviço de referência: acolher, informar, formar e orientar

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O serviço de referência de uma biblioteca consiste no apoio prestado ao utilizador na seleção e avaliação dos recursos informativos e na forma de lhes aceder. Este apoio compreende o aconselhamento pessoal, a disponibilização de informação e a orientação no acesso aos recursos, um trabalho de mediação, articulado com os objetivos de promoção das literacias da informação e dos media. Desde sempre, este é um serviço que alicerça a qualidade de uma biblioteca.

Se este serviço tem sido uma preocupação regular das bibliotecas (escolares ou não) no que respeita ao presencial, a sua transposição para uma modalidade híbrida, embora antevista como necessária, na sequência do desenvolvimento digital das últimas décadas, tem estado, na maior parte dos casos, apenas em projeto implícito, para implementação a longo prazo.

Consciente dessa fragilidade, quando, a 13 de março de 2020, se anunciou o encerramento das escolas como forma de contenção da pandemia de COVID-19, a Rede de Bibliotecas Escolares publicou prontamente o documento (Biblioteca escolar digital) que, entre outras questões, orientava para a criação imediata de um serviço de referência a distância, sugestão que a generalidade das bibliotecas adotou sem hesitar, com maiores ou menores dificuldades, ficando claro o esforço enorme que estava a ser desenvolvido nesse sentido e que pode ser revisitado no recurso interativo Biblioteca Escolar Digital, disponibilizado em abril de 2020.

Nesse momento, tornou-se igualmente evidente a necessidade de um documento orientador que ajudasse as bibliotecas escolares a implementar e manter um serviço de referência, presencial e a distância, qualificado e rigoroso, pelo que, em maio de 2020 foi publicado Serviço de referência nas bibliotecas escolares: orientações.

Desde então, as bibliotecas (e todos os quadrantes da vida) têm estado a braços com múltiplas solicitações, num mundo estranho, e têm tido necessidade de reagir a numerosos estímulos e necessidades que condicionam a sua ação, em todas as suas dimensões: de gestão, de serviços, pedagógica…

Ao regressarmos à normalidade (que normalidade?) do funcionamento das bibliotecas, evidencia-se como indispensável, mais do que reagir, começar a agir de forma estruturada e refletida e retomar a organização das diferentes áreas de trabalho, de acordo com os padrões definidos. Por considerar que, na sua generalidade, o serviço de referência das bibliotecas escolares ainda não segue completamente esses padrões, a Rede de Bibliotecas Escolares definiu como uma das prioridades na área da gestão (no eixo Sítios do seu Quadro Estratégico): consolidar um serviço de referência, ágil e capaz de responder à constante mudança, prestando apoio efetivo à comunidade educativa no acesso aos recursos físicos e digitais.

Convidam-se, assim, as bibliotecas a darem continuidade ao seu processo de planificação do serviço de referência, naturalmente, de forma articulada com a direção da escola. Há que começar por ter em conta os serviços que já são prestados e a sua eficácia, caracterizar o público-alvo e as suas necessidades e definir os objetivos a atingir.

No final deste ano letivo, será possível concluir que, todos juntos, conseguimos elevar o serviço de referência das bibliotecas a um nível superior?

 

Referências

RBE: Rede de Bibliotecas Escolares (2020). Serviço de referência nas bibliotecas escolares: orientações. https://www.rbe.mec.pt/np4/file/598/servico_referencia.pdf

IFLA: International Federation of Library Associations and Institutions (2002). Digital Reference Guidelines. https://www.ifla.org/wp-content/uploads/2019/05/assets/reference-and-information-services/publications/ifla-digital-reference-guidelines-en.pdf

ALA: American Library Association. RUSA: Reference and User Services Association (2017) Guidelines for Implementing and Maintaining Virtual Reference Services. https://www.ala.org/rusa/sites/ala.org.rusa/files/content/GuidelinesVirtualReference_2017.pdf

Qua | 03.11.21

Sem planeta saudável, não haverá direitos humanos

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De 31 de outubro a 12 de novembro realiza-se a 26.ª Conferência das Partes sobre o Clima COP26 1 em Glasgow, Escócia, que visa cumprir as metas do acordo de Paris 2, mantendo o aumento de temperatura abaixo dos 1,5ºC relativamente ao período anterior à Revolução Industrial.

Esta é uma conferência anual da ONU que reúne a COP, órgão supremo de tomada de decisão da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e avalia o progresso nesta área.

A crise climática é causada pela ação humana, sendo responsável por degelo e subida do nível do mar, destruição de ecossistemas, extinção de espécies e surgimento de novas doenças, acidificação e presença de plásticos nos oceanos, ocorrência mais intensa e frequente de fenómenos climáticos extremos, constituindo ameaça à sobrevivência da espécie humana.

Desta COP esperam-se decisões ambiciosas na “Meta 13: Tomar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos” dos ODS 3, que envolvam políticos, empresas e sociedade civil em todo o mundo, pois só uma ação global, sistémica e urgente pode mitigar efeitos desta crise que todos os anos alcança novos recordes.

A 8 de outubro o Conselho de Direitos Humanos da ONU reconheceu, através da resolução 48/13, que “ter um meio ambiente limpo, saudável e sustentável é um direito humano4 que exige “ação ousada” para ser posto em prática e a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, sublinhou a importância da ação das crianças e jovens na defesa do ambiente 5 e que “sem um planeta saudável para se viver, não haverá direitos humanos. E se nós continuarmos no nosso caminho atual, poderá não haver humanos no futuro6.

A comunidade internacional defende que a educação e formação ajudam “as pessoas a compreender e enfrentar os impactos da crise climática, capacitando-as com conhecimentos, habilidades, valores e atitudes necessários para atuar como agentes de mudança”. A UNESCO reconhece que a ação climática é uma das principais prioridades da Educação para o Desenvolvimento Sustentável até 2030 7. O Fórum Económico Mundial e a comunidade internacional consideram que “a crise climática é uma crise dos direitos das crianças”, as mais afetadas nesta crise, sublinhando o aumento de desigualdades entre fronteiras e gerações e que “as crianças em todo o mundo herdaram um problema que não é da sua autoria” 8.

O Quadro Estratégico 2027 da Rede de Bibliotecas Escolares estabelece que a Sustentabilidade é um dos valores fundamentais das bibliotecas escolares e, por isso, a RBE vai apresentar, nos próximos artigos desta série, exemplos de ações que podem contribuir para a consciência e ação em prol da defesa e proteção do ambiente, sobretudo através da educação. Quer contribuir para esta iniciativa e partilhar com todos as suas propostas? Preencha este formulário.

 

Referências

1. United Nations; UK Government. (2021). COP26 in partnership with Italy. https://ukcop26.org/

2. ONU (2015, 11 de dezembro). Acordo de Paris sobre o Clima. https://brasil.un.org/pt-br/node/88191

3. United Nations. (s.d.). Sustainable Development Goals: Goal 13: Take urgent action to combat climate change and its impacts. https://www.un.org/sustainabledevelopment/climate-change/

4. ONU (2021, 8 outubro). Acesso a um ambiente saudável, declarado um direito humano pelo conselho de direitos da ONU. https://news.un.org/en/story/2021/10/1102582

5. Nações Unidas. (2021). Sem ação climática, não haverá direitos humanos, alerta Bachelet. https://brasil.un.org/pt-br/156098-sem-acao-climatica-nao-havera-direitos-humanos-alerta-bachelet

6. Nações Unidas Brasil. (2021, 29 de outubro). Sem ação climática, não haverá direitos humanos, alerta Bachelet. https://brasil.un.org/pt-br/156098-sem-acao-climatica-nao-havera-direitos-humanos-alerta-bachelet

7. Educação para ação climática. https://en.unesco.org/themes/education-sustainable-development/cce

8. World Economic Forum. (2021, 18 de outubro). Children face life with more heatwaves, floods, droughts and wildfires than their grandparents. https://www.weforum.org/agenda/2021/10/climate-change-crisis-child-rights-crisis-save-the-children-cop26/

 

Fonte da imagem: United Nations; UK Government. (2021). COP26 in partnership with Italy. https://ukcop26.org/

Ter | 02.11.21

Partilhe uma medida do PADDE da sua escola em que a biblioteca esteja envolvida

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No âmbito do Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), definido pela União Europeia e que visa reconfigurar os sistemas de ensino e de formação para a era digital, e do subsequente Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal, as escolas foram convidadas a criarem os seus Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas (PADDE), tendo em conta o Quadro Europeu de Organizações Digitalmente Competentes (DigCompOrg, 2018). As áreas de intervenção do PADDE incidem nos diferentes domínios da organização escolar no âmbito das tecnologias digitais, definindo cada escola as áreas consideradas prioritárias e os objetivos e ações a desenvolver.

Enquanto estruturas das escolas que integram e favorecem a inovação, as bibliotecas escolares estão, naturalmente, convocadas para dar o seu contributo, pelo que a Rede de Bibliotecas Escolares publicou em abril último um documento para apoio do trabalho das escolas e dos professores bibliotecários no processo de elaboração dos PADDE: A Biblioteca Escolar no Plano de Ação para o Desenvolvimento Digital da Escola. Simultaneamente, iniciou-se formação para professores bibliotecários sobre essa matéria.

O processo de elaboração ou implementação dos Planos de Desenvolvimento Digital da Escola (PADDE) pelas escolas encontra-se em curso e, ao longo deste mês de novembro, a RBE apresenta às bibliotecas o seguinte desafio:

Partilhe uma medida do PADDE da sua escola em que a biblioteca esteja envolvida.

Para criar coesão neste desafio, foi preparado um modelo com várias sugestões. Depois de descarregar o ficheiro, as bibliotecas deverão preencher um diapositivo e guardá-lo em formato imagem (JPG ou PNG).

Essa imagem deverá ser publicada nos canais de comunicação da biblioteca e a hiperligação para a mesma partilhada com a RBE através deste formulário.

Sugerimos a utilização dos seguintes hashtags- #padde #bibliotecaescolar #rededebibliotecasescolares

Ter | 02.11.21

5 Razões para valorização das artes e da cidadania

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O Quadro Estratégico da Rede de Bibliotecas Escolares 2027 - Bibliotecas Escolares: presentes para o futuro enquadra-se:

- Na visão humanista e inclusiva proposta pelo Perfil dos Alunos e advoga a aprendizagem a partir de diferentes linguagens, textos e expressões, inclusive artísticas e culturais, que amplificam a abordagem estritamente lógico-matemática e linguística tradicional;

- Na cidadania participativa crítica e informada, exercida a partir de “desafios da vida real” que geram aprendizagem significativa e transformação das comunidades, da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

A biblioteca escolar trabalha artes e cultura - e direitos humanos – não de forma especializada, mas integrada no currículo, a partir de atividades e projetos interdisciplinares, que incentivam a leitura, comunicação, expressão e ligação à comunidade.

Porquê a valorização das artes e cidadania nas bibliotecas escolares do século XXI?

 

1 - Amplificam, sensibilizam e refletem sobre situações da vida do dia-a-dia.

A literatura por prazer, bem como histórias e canções populares são narrativas que incorporam, com subtileza/ sensibilidade e riqueza simbólica/ de linguagem, direitos humanos - presença/ ausência, conflitos/ dilemas - e contribuem para consciencialização, discussão e transformação, bem como coesão social.

Os direitos humanos antes de serem expressos normativamente em tratados, convenções ou leis fazem parte destas narrativas e formas de expressão coletiva e de leitura literária.

Exemplos: As pequenas memórias de José Saramago, Os da minha rua de Ondjaki e Capitães de Areia de Jorge Amado apropriam-se do tema da falta de proteção integral de direitos da criança e adolescente; a história da Carochinha, Bela Adormecida ou Anita dona de casa exprimem perceções e expetativas da mulher que diminuem o seu desenvolvimento e realização e podem ser discutidas e reescritas, para além de exemplos de álbuns gráficos com indicação de temas e títulos 2.

 

2 - Artes e cultura são manifestação de liberdade de expressão e oportunidade de inclusão de outros sujeitos, saberes e experiências, dando visibilidade e voz a pessoas comuns, incluindo marginalizadas, pouco representadas e valorizadas nos media, seja peças e artigos publicados ou redações e direções, academia/ universidades, órgãos de poder e decisão.

Por exemplo, a Comissão Europeia pretende tornar o clima neutro em emissões de CO2 até 2050, criando o Green New Deal a que chamou Nova Bauhaus porque liga arquitetura, design e artes à engenharia, ciências e tecnologia e estabelece que estas disciplinas devem exprimir atitude ética, de responsabilidade e proteção, em relação à Terra. Nesta tendência global para redesenhar o mundo na perspetiva da finitude dos seus recursos e da justiça ambiental, pode ser importante, segundo Rolando Melken 3, escutar outras culturas, por exemplo povos indígenas, que têm ligação ancestral de cuidado e afetividade com o Planeta. Esta abordagem sustentável do espaço europeu e global só se concretiza através de processo participativo inclusivo e pluriversal, de escuta das múltiplas vozes que, na Europa e no mundo, têm estado silenciadas e que têm outros valores e saberes e se exprimem de formas diferentes da racionalidade instrumental clássica, nas quais oralidade e artes têm um papel.

 

3 - Facilitam e aceleram, segundo a UNESCO, o desenvolvimento sustentável transmitindo valores, atitudes e conhecimentos que promovem direitos humanos, coesão social, sustentabilidade 3.

 

4 - Artes e cultura são protetoras dos direitos fundamentais porque podem ser contrapoder/ crítica, resistência/ luta (G. Deleuze e F. Guattari) face aos sistemas de controlo - empresas, inclusive de media [instrumentalização da informação], Direito, Estado, família… - e status quo.

 

5 - Contribuem, segundo a UNESCO 5, para desenvolver:

- Curiosidade, abertura de espírito e desejo de continuar a aprender, melhorando a qualidade da educação/ aprendizagem de todas as matérias;

- Criatividade e emoções/ sentimentos;

- Inteligência e capacidade de comunicação e expressão integral e harmoniosa;

- Saúde individual e coletiva.

 

Referências

1. Rede de Bibliotecas Escolares. (2021). Quadro Estratégico 2021- 2027. https://www.rbe.mec.pt/np4/qe.html

2. Rede de Bibliotecas Escolares. (s.d.). Cidadania e biblioteca escolar: álbuns gráficos para o desenvolvimento. https://www.cidadania-rbe.pt/post/a-lbuns-gra-ficos-para-o-desenvolvimento

3. Melken, R. (2021). Decolonising Knowledge: Decolonising Design & Engineering. https://www.youtube.com/watch?v=KAfzTReqmoc

4. UNESCO. (2020). Indicadores Temáticos de Cultura na Agenda 2030. https://whc.unesco.org/en/culture2030indicators/

5. UNESCO. (2006). Roteiro para a Educação Artística: Desenvolver as capacidades criativas para o século XXI. https://crispasuper.files.wordpress.com/2012/06/roteiro2.pdf

 

Fonte da imagem

Urban, F. (2021). Unsplash. https://cutt.ly/gRAqcCK

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