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Blogue RBE

Qui | 11.11.21

Afinal o que é o movimento maker?

 

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O gosto pelo trabalho manual está profundamente enraizado em nós, mas, no século passado, na era da produção em massa, esse tipo de trabalho, que fazíamos nas nossas oficinas, garagens e cozinhas, era sobretudo um passatempo solitário e não uma força económica real.

Em tempos de revolução digital, o mundo do Do-It-Yourself (DIY - “Faça Você Mesmo”) tornou-se também ele digital e, como tudo nesta nova era, transformou-se. Atualmente, os makers reconciliam o saber fazer artesanal e as novas tecnologias para responderem aos desafios sociais, ambientais e culturais do nosso tempo: de zeros e uns, nascem bens tangíveis.

Em 2005, o jornalista de tecnologia Dale Dougherty apostou neste movimento não só com o lançamento da revista Make, uma publicação trimestral sobre projetos DIY, mas também, em 2006, dando início a uma série de Feiras Make por todo o mundo, que se tornaram as primeiras montras deste movimento emergente.

A definição de makers é um pouco imprecisa, mas podemos considerá-los a geração web que não se limita a criar píxeis em ecrãs, criando também objetos físicos. Usando a terminologia do MIT Media Lab, eles tratam os átomos como bits, usando software poderoso e ferramentas da indústria da informação para revolucionar a forma como criamos objetos tangíveis.

Existem três forças em ação nesta transformação do DIY (Faça Você Mesmo):

 

Ferramentas digitais para design e produção

Durante décadas, os equipamentos industriais foram informatizados, mas agora essas máquinas estão disponíveis em cima de uma mesa, do mesmo modo que os programas de computador já existiam décadas antes de os PCs mudarem o mundo.

As ferramentas maker de secretária incluem impressora 3D, corte a laser e software CAD (design auxiliado por computador). Essas ferramentas, que antes eram caras e complexas, são agora de tamanho reduzido e encontram-se facilmente a preços competitivos.

 

Meios de colaboração digital

À semelhança do que aconteceu com as ferramentas criativas, também os desenhos se tornaram digitais, sendo agora apenas ficheiros, que agora são apenas ficheiros que podem ser facilmente partilhados em linha. Os makers podem assim tirar proveito da inovação colaborativa em linha, usandotodo o potencial social que surgiu na web nos últimos 20 anos.

Apoiados por sites de crowdfunding como Kickstarter ou Indiegogo, os makers podem até usar a sua rede para angariar fundos.

O antigo modelo de artífices manuais a trabalhar sozinhos na sua garagem está desaparecer e a ser substituído por um movimento global de pessoas a trabalharem juntas em linha. As oficinas do mundo estão agora conectadas.

 

Fábrica de aluguer

Inventar alguma coisa não é suficiente; também é preciso colocá-la no mercado e, se possível, em quantidade. Isso significa produção em massa, que era tradicionalmente reservada para aqueles que tinham sua própria fábrica ou podiam pagar pelos serviços.

Mas hoje as fábricas em todo o mundo estão cada vez mais acessíveis na web, prontas para atender a pedidos de qualquer dimensão e de qualquer pessoa. Graças à produção e ao design digital, as fábricas na China já são suficientemente flexíveis para receber pedidos em linha, por cartão de crédito, para quantidades tão pequenas como uma dúzia ou tão grandes como milhões. Outras empresas, como Shapeways e Ponoko, oferecem manufatura digital “como um serviço”: qualquer pessoa pode alugar o tempo de operação de uma impressora 3-D ou de uma fresadora.

 

Juntando tudo isto temos uma transformação radical (de baixo para cima) da indústria de processamento, que seguirá o mesmo caminho de democratização do computador pessoal e das telecomunicações. Estamos apenas no início mas o potencial é imenso.

A manufatura é uma das maiores indústrias do mundo. Desde a primeira revolução industrial, o poder de fazer coisas em grande escala pertence àqueles que possuem os meios de produção, o que significa grandes fábricas, grandes empresas e os bens de mercado de massa para os quais foram construídas. O mesmo aconteceu com os meios de comunicação de massa no século XX e agora vemos o efeito que a Internet e o seu longo rasto de conteúdos tiveram sobre eles.

Trata-se de um movimento de pensamento e ação resultante do DIY, que cultiva o engenho e a inteligência da mão ao serviço do bem comum. Cerca de quinze anos após as suas primeiras manifestações, ele continua a crescer e tem enveredado por novos caminhos, designadamente na área da educação. Considerando as suas vantagens para a aprendizagem e desenvolvimento global dos alunos, muitas escolas estão a aderir ao movimento maker na educação ou, pelo menos, a aplicar alguns dos seus princípios e a criar makerspaces.

 

E as bibliotecas? O tradicional espaço de “silêncio” da biblioteca não é um ambiente estranho para a confusão criativa e prática de um makerspace? Será que esse espaço não vai tomar conta de toda a biblioteca e substituir os livros? E os diretores, estarão de acordo com toda esta confusão?

Nos próximos artigos, veremos porque é que o makerspace é também, sem dúvida, um espaço a criar nas bibliotecas.

Artigo adaptado a partir de The Maker Movement: Tangible Goods Emerge From Ones and Zeros

 

Referências:

  1. Anderson, Chris (2013) The Maker Movement: Tangible Goods Emerge From Ones and Zeros. https://www.wired.com/2013/04/makermovement/
  2. Schultz, Stéphane (s.d.) Le mouvement Maker, la nouvelle révolution industrielle https://15marches.fr/numerique/le-mouvement-makers-la-nouvelle-revolution-industrielle
  3. School Library Makerspaces: the Bold, the Brave, and the Uninitiated. https://www.gettingsmart.com/2017/11/27/school-library-makerspaces-the-bold-the-brave-and-the-unintiated/

Photo by Alex Lvrs on Unsplash