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Blogue RBE

Qui | 30.09.21

Leitura lateral

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Quando a tecnologia gerida por empresas privadas (Google, Facebook…), segundo aquilo que afirmam os próprios trabalhadores 1, ou por governos populistas (eleição de presidentes, Brexit…), pode destruir a confiança nas instituições e nas eleições, bem como comprometer liberdades e direitos individuais (e.g. tomada de decisões informadas), as literacias da leitura, informação e media são uma prioridade da escola.

No uso e ensino de tecnologia digital impõe-se uma mudança de paradigma: mais do que conhecer e usar novas ferramentas, é importante colocar-se na perspetiva de quem cria e vende tecnologia e perceber como esta funciona, manipula, torna dependente (FOMO) e infantiliza (narcisismo) a mente humana.

Em matéria de leitura, além de promover a leitura vertical, é necessário promover a leitura lateral.

A leitura vertical é aquela em que o utilizador não sai da página e lê de cima para baixo, clicando nas ligações que a página apresenta e, eventualmente, na secção ‘Sobre’.

A leitura lateral consiste em verificar o que se lê enquanto se lê, abrindo outros separadores e pesquisando noutras páginas e fontes não indicadas no texto, tais como: verificadores de notícias, Wikipedia, livros, revistas académicas, dissertações, blogues e media sociais.

Tal como trabalha o currículo em ligação ao contexto/ realidade dos alunos, de modo a torná-lo significativo e humanizá-lo, a biblioteca escolar trabalha a leitura construindo o contexto, a história e a estratégia de comunicação original da informação lida, lendo por detrás do texto, suas imagens e multimédia.

Esta é uma técnica fundamental para leitura em linha, cuja publicação não exige validação por parte de autoridade científica, apesar de, no apuramento da veracidade e confiança dos conteúdos, a distinção entre suportes de leitura ser irrelevante, já que é boa prática a combinação contínua de meios para traçar a rede de informação oculta por detrás do texto - só a leitura literária, por prazer, pode ser exceção ao comportamento investigativo do utilizador.

A tecnologia tem um poder avassalador, modificando a escrita, a leitura e o mundo. A internet democratizou o acesso à informação e abriu a torrente de desinformação: boatos com afirmações falsas, teorias da conspiração, fraudes.

A propagação de desinformação sempre foi muito mais rápida do que a de informação fidedigna, mas, com as redes sociais, esta velocidade atingiu uma escala sem precedentes, gerando descrédito nas instituições/ democracia, descriminação, ódio, polarização.

Para os cidadãos europeus a desinformação é motivo de preocupação: para 83% é uma ameaça à democracia, 51% dizem que foram expostos a desinformação na internet, 63% dos jovens têm a perceção que se deparam com notícias falsas mais de uma vez por semana.

Para criar um ambiente em linha mais transparente, seguro e fiável, a União Europeia, até final de 2021, compromete-se a reforçar o Código de Conduta sobre Desinformação, aplicável a plataformas e anunciantes e a aprovar legislação que estabeleça a transparência da propaganda política 2.

Em Portugal a Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital (Lei n.º 27/2021, de 17 de maio) 3 prevê direitos e liberdades dos cidadãos no ambiente digital: direito ao esquecimento (apagamento de dados pessoais); à proteção contra a geolocalização abusiva; ao desenvolvimento de competências digitais; à reunião, manifestação, associação; à participação; em caso de desinformação, direito à apresentação de queixa junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

As bibliotecas escolares trabalham estes direitos com as crianças e jovens e as comunidades para que a vida na internet possa ser fonte de desenvolvimento e realização, pessoal e coletiva.

 

Referências

1. Orlowski, J. (Dir.). (2020). The social dilemma. https://www.humanetech.com/the-social-dilemma

2. União Europeia. (2021). Reforçar o Código de Conduta da UE sobre Desinformação. https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/new-push-european-democracy/european-democracy-action-plan/strengthening-eu-code-practice-disinformation_pt

3. Assembleia da República. (2021, 17 de maio). Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital. https://dre.pt/application/conteudo/163442504

 

Fonte da imagem: Sikkema, K. (2020). Unsplash. https://unsplash.com/photos/HHtzGcZkRZY

Qui | 30.09.21

Ser escritor é cool

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O concurso “SER ESCRITOR É COOL!” é organizado pela Rede de Bibliotecas Escolares e tem como objetivos a promoção da leitura e da escrita, com recurso aos media, estando organizado em 4 escalões: 1.º, 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário.

Ao longo do ano, são lançados vários desafios, cujas respostas podem ser apresentadas em diferentes formatos (texto, vídeo, podcast). Os concorrentes podem utilizar apenas um ou vários formatos, ao longo dos vários desafios. A escolha dos melhores trabalhos é feita pelo júri (75%) e pelo público (25%).

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