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Blogue RBE

Seg | 05.07.21

Bibliotecas abertas a todas as pessoas!

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A 28 de junho de 1969, a polícia de Nova Iorque invadiu o Stonewall Inn, um bar frequentado por gays, lésbicas e trans. A resposta deu origem à designada revolta de Stonewall, considerada um momento fundamental na história do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero) pela visibilidade que então ganhou, e tornou junho o mês do "orgulho LGBT”.

Passados 52 anos, "mais de um terço dos países do mundo criminalizam relações consensuais amorosas entre pessoas do mesmo sexo, recrudescendo o preconceito e colocando milhões de pessoas em risco de serem chantageadas, detidas e privadas de liberdade" conforme divulga a ONU. Um exemplo bem recente foi a aprovação, no Parlamento húngaro, de legislação homofóbica, proibindo a divulgação de conteúdos LGBT a menores de 18 anos e a abordagem de questões de orientação sexual nas escolas. Uma decisão que colocou o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, sob um coro de duras críticas de outros homólogos europeus e de dirigentes da União Europeia, pelo que aquela representa em termos de desrespeito pela liberdade e igualdade de cada indivíduo, independentemente da sua orientação sexual.

Na campanha lançada pela ONU, em 2013, contra a hostilidade, a violência e a discriminação sobre pessoas e grupos LGBT, intitulada Livres & Iguais, o secretário-geral António Guterres apela a que governos e sociedades "construam um mundo no qual ninguém precise ter medo por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero”.

Um pouco por todo o mundo, as bibliotecas têm-se empenhado nesse princípio, assumindo-se como espaços de livre informação e expressão, acolhimento, discussão e aprendizagem do público em geral, incluindo comunidades LGBTQIA+.

Foi nesse sentido que a American Library Association, através do seu grupo Rainbow Round Table (Mesa Redonda Arco-Íris), lançou o guia Open to ALL: Serving the GLBT Community in Your Library. É esse guia que foi recentemente traduzido e publicado pela Rede de Bibliotecas de Lisboa, em colaboração com a Associação ILGA Portugal, com o título Aberta a todas as pessoas: servir a comunidade LGBTI na sua biblioteca.

Fonte da imagem: Freepik

 

Seg | 05.07.21

Quando a estratégia para a literacia da informação implica um trabalho continuado – a experiência com o projeto WEIWE(R)BE

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A Escola Básica e Secundária de Penacova integrou um conjunto de seis escolas que, em 2020/ 2021, aceitaram o convite para desenvolver o projeto piloto WEIWE(R)BE coordenado pela Rede de Bibliotecas Escolares em parceria com a Universidade Aberta.

Localmente, este projeto foi desenvolvido, ao longo de seis meses, junto das turmas do 10º ano do Curso de Ciências e Tecnologias, pela biblioteca escolar em situação de coensino com a docente de Biologia/ Geologia e teve como principal objetivo capacitar os alunos para uma leitura crítica e uso eficaz e ético da informação, especialmente da informação disponível na Internet.

Ao longo de seis meses, e apesar do confinamento, presencialmente e a distância, alunos e professores desenvolveram um trabalho de pesquisa de informação sobre as ameaças à biodiversidade no planeta Terra. Focando-se no estudo de espécies localmente relevantes como a acácia, a vespa asiática e a lampreia, procurámos compreender os problemas em torno destas espécies e, num exercício de cidadania responsável, disseminar na comunidade as respostas da ciência para a superação dos problemas identificados. Se a temática era aliciante e permitiria o acesso a informação diversa, em diferentes suportes, numa estreita articulação com o currículo e a biblioteca escolar, então acreditou-se que estaríamos num campo laboratorial de excelência para treinar, em contexto de aprendizagem, as competências para o que aponta o perfil dos alunos e bem assim um bom programa de literacia de informação. (imagem 1)

 Em diversas sessões previamente estruturadas desencadeou-se o processo que decorreu em espaço físico (sala de aula/ biblioteca e a distância) e a distância, por força das condições que a situação epidemiológica nos obrigou. O plano inicialmente traçado obrigou-nos a participar numa sessão, com a equipa do projeto, a distância, mas ainda assim fundamental neste processo que foi sempre complementado localmente. (imagem 2)

Reconhecemos pois que o projeto Weiwe(R)BE uniu todos os envolvidos num compromisso de mudança na forma de preparação e desenvolvimento do processo de pesquisa.

Seguindo o método da “pesquisa orientada” de Carol Kuhlthau, a biblioteca, em colaboração com a docente da disciplina, acompanhou e apoiou os alunos ao longo de todas as etapas do processo de pesquisa de informação, desde o planeamento à apresentação do produto final, contribuindo para o desenvolvimento de competências do âmbito das literacias da informação e dos média e digital, em contexto de aprendizagem.

Neste percurso formativo, os alunos tiveram oportunidade de conhecer e aplicar métodos de seleção de fontes de informação; compreender a importância da propriedade intelectual e do respeito pelos direitos de autor; conhecer e aplicar diferentes formas de inserir citações no texto; tomar conhecimento da existência de diversas normas de referenciação bibliográfica e usar ferramentas digitais para a referenciação das fontes consultadas. Ganharam um novo olhar sobre a Wikipédia, conheceram o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) e outros Recursos Educativos Abertos (REA) e também o valor dos procedimentos de licenciamento de conteúdos. (imagem 3)

Foi uma experiência de aprendizagem muito gratificante que contribuiu para o desenvolvimento de uma cultura educacional de colaboração: intensificou a cooperação dos alunos entre si, a articulação e o trabalho colaborativo da docente da disciplina com a biblioteca escolar e também fomentou a colaboração na relação entre professores e alunos.

Foi um projeto transformador que gerou nos docentes e alunos envolvidos o compromisso com uma conduta crítica, refletida e responsável no uso da informação para a construção do conhecimento.

De todas as conclusões que poderíamos ainda acrescentar queremos apenas afirmar que foi para nós uma grande honra poder contar com a disponibilidade da equipa da rede de bibliotecas Escolares /universidade aberta neste processo de aprender a aprender e que a apropriação que todos fazemos desse projeto o fará crescer na nossa escola. Compromisso aceite!

Imagens das apresentações (4 e 5).

 

Georgina Ferreira (professora de Biologia/ Geologia) e Lurdes Dias (professora bibliotecária)

Raquel Nunes e Rodrigo Carvalho (alunos que representaram a turma do 10ºB)

 

VER - https://fb.watch/6r_CkIWqUR/

 

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Imagem 1 - Sessão de trabalho com a turma em contexto de coensino

 

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Imagem 2 - Sessão de trabalho  dirigida pela equipa nacional do projeto - a distância (os alunos estavam em casa)

 

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        Imagem 3 - Alunos na BE a preparar a comunicação final

 

 

 

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Imagem 4 - Treino da comunicação final - 26 de maio

 

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Imagem 5 - Sessão de encerramento - 8 de junho