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Blogue RBE

Qui | 20.05.21

PROJETO “Viver Amália”

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O projeto “viver Amália”, promovido em conjunto pelas professoras bibliotecárias Eulália Reis e Lucília Achando, respetivamente, do Agrupamento de Escolas Nun´Álvares e João de Barros, ambos do Concelho do Seixal, nasceu no mês de Agosto de 2020 por ocasião da divulgação, nos meios de comunicação social, das atividades promovidas pela Fundação Amália Rodrigues que assinalam o centenário do nascimento da Fadista e realiza-se ao longo do ano letivo 2020/ 2021.

Na sua génese, o projeto pretendeu desenvolver a promoção da leitura de géneros diversos, tendo objetivos curriculares e não curriculares com enfoque na valorização do património cultural nacional e cada atividade procurou ter por base o referencial Aprender com a Biblioteca Escolar agregando, à vez ou em conjunto, as disciplinas de Português, Expressão Plástica, Formação Pessoal e Social e Educação Tecnológica e envolvendo, ao longo do tempo de execução, mais de 50 professores e quase dois mil alunos dos 5 aos 17 anos.

De uma forma mais detalhada, o AE Nun’Álvares envolveu crianças do ensino pré-escolar até ao 9º ano de escolaridade e o AE João de Barros, envolveu alunos do 7º ao 12º ano de escolaridade e as atividades realizaram-se em torno de uma ideia base: Conhecer a vida de Amália e explorar os poetas de língua portuguesa que ela cantou, desde D. Dinis (Ah, quisesse Deus) a Alexandre O’Neill, passando por Vitorino Nemésio, Miguel Torga e tantos outros …

Para o ensino pré-escolar e primeiro ciclo, de referir que a obra de base para esta exploração foi “Versos” de Amália Rodrigues, um conjunto de poemas e quadras soltas da autoria da Fadista e para os outros ciclos e níveis de ensino a base de trabalho foi a obra de Vítor Pavão dos Santos “O fado da tua voz, Amália e os poetas”.

Foi também adquirido fundo documental de apoio.  

Das inúmeras atividades realizadas, sendo que o projeto nunca parou, mesmo em tempos de confinamento, pois a escola esteve sempre aberta, destacamos as seguintes:

Filme do projeto:

https://www.facebook.com/be.nunalvares/videos/2818982331672667

Rap criado por alunos de 9º ano, a partir do poema "Senhor Extraterrestre", da autoria de Carlos Paião, cantado por Amália:

https://www.facebook.com/100010355234640/videos/1275012302853932

O projeto terminará com a organização da uma exposição de trabalhos feitos por alunos das duas escolas.

Qua | 19.05.21

10 sugestões para criar uma biblioteca escolar inesquecível*

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Fonte das imagens: https://cutt.ly/TbVYWv1

*Publicado por Alison Tarrant, a 26 de abril de 2021

 

Na qualidade de parceiros do projeto «Life Changing Libraries» de Cressida Cowell, apoiamos seis escolas do 1.º ciclo no país, no sentido de transformarem as suas bibliotecas em lugares fantásticos que encorajam a criação do gosto pela leitura ao longo da vida. Eis 10 sugestões, de Alison Tarrant, diretora da School Library Association (Associação de Bibliotecas Escolares), para criar uma biblioteca escolar inesquecível.

 

MENOS É MAIS – ÀS VEZES

É essencial colocar livros em exposição, virados para o exterior, abertos, prontos para chamarem a atenção das crianças ao passarem por eles. Para fazer isto, vai ter de ser duro na gestão que faz da coleção, o que significa desfazer-se de livros velhos, livros gastos, livros que já tiveram melhores dias. Não quer ter as prateleiras a abarrotar; menos é realmente mais.

As crianças não vão às prateleiras procurar livros pouco atraentes, com as folhas dobradas nos cantos, a não ser que desejem muito alguma coisa  ̶   como disse a Cressilda, a biblioteca devia ser como uma loja de doçarias com guloseimas a chamar a atenção.

 

RESPONSABILIZE ALGUÉM PELA BIBLIOTECA … E ATRIBUA-LHE TEMPO PARA AS FUNÇÕES

Ter alguém responsável pela biblioteca, uma pessoa que se vai envolver e a vai gerir com paixão e entusiasmo, é o início de uma viagem em direção a uma cultura da leitura. Todos podemos achar que é agradável estar sentado numa carruagem antiga, mas é ainda melhor se formos a algum lado, se tivermos oportunidade de observar a paisagem, de cheirar o fumo do comboio e de o ouvir a apitar. Esta é a diferença que um elemento da equipa da biblioteca escolar pode fazer. Nomeie alguém que compreenda a diferença que uma biblioteca pode fazer e que possa comprovar isso  ̶  não alguém que pretenda estar sentado atrás de uma secretária.

 

AULAS NA BIBLIOTECA

Ter tempo para estar na biblioteca é fundamental. Este tempo inclui momentos para explorar a biblioteca, para fazer empréstimo e devolução de livros, mas também momentos para aprender a pesquisar e a selecionar livros, para adquirir competências digitais e de leitura e para aprender a participar em debates. Algumas escolas mostram-se relutantes em disponibilizar tempo nos horários dos alunos, porque consideram que atribuir uma aula «apenas» para ler pode ser um exagero, ou porque têm a sensação de que não é visível que a leitura esteja de facto a acontecer, parecendo apenas que os alunos estão a «virar as páginas».

Divida a aula na biblioteca em momentos para fazer a seleção de livros, ler e desenvolver atividades  ̶  se as atividades estiverem relacionadas com o que os alunos acabaram de ler é logo visível quem está a ler e quem não está, além de proporcionar momentos de contacto com livros e enriquecer a compreensão. Desta forma, é dada a todas as crianças a mesma oportunidade e estímulo  ̶  não apenas às crianças que desenvolveram competências de leitura mais cedo que os seus colegas. 

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A BIBLIOTECA NÃO É APENAS PARA A ÁREA DAS HUMANIDADES

Uma biblioteca implica um investimento significativo; utilizá-la apenas em articulação com algumas disciplinas significa restringir o seu valor e impacto.

Existe na biblioteca uma grande variedade de recursos para apoiar todas as áreas do currículo e disciplinas. As visitas à biblioteca não devem limitar-se a sessões de formação ou de literacia.  Às vezes, é boa ideia deixar que os livros conduzam o curso da aula  ̶  prémios como o «Information Book Award» ou o «Royal Society Young People’s Book Prize» podem ser extremamente úteis para abordar tópicos de literacia da informação relacionados com o público, os autores, a forma de utilizar um índice, a fiabilidade de um livro, o modo de funcionamento do Google  e formas de pesquisar na internet.

 

CRIE TEMAS DE CONVERSA

As exposições na biblioteca podem ser ótimas para destacar recursos ou dias de interesse especial, mas criar exposições em corredores, salas de aula ou cafetarias pode atingir um público diferente ou ter um impacto maior. Coloque mapas ou as primeiras frases de livros num local, ponha extratos de novelas gráficas noutro  ̶  as opões dependem das preferências do professor ou de qualquer outro critério.

 

OS PROFESSORES MAIS VELHOS TAMBÉM DEVEM GERIR A BIBLIOTECA

Pode ser difícil se for um cético em relação às bibliotecas ou se achar que sabe muito pouco sobre elas. Afinal, há muitas prioridades e cada professor está sobrecarregado com outras tarefas. No entanto, todos os professores mais velhos devem apoiar a biblioteca escolar. Há investigação suficiente que confirma o impacto que eles têm. Os professores precisam de sentir que o uso que fazem da biblioteca é legítimo, caso contrário param de a usar.

A biblioteca escolar deve ter um orçamento suficiente para poder disponibilizar recursos para todas as disciplinas, níveis de leitura, idades e géneros  ̶  é uma tarefa importante.

 

PONHA OS ALUNOS NO CENTRO

A biblioteca escolar deve ser a imagem da escola e dos seus alunos. Uma das melhores formas de conseguir isto é recorrer aos «Amigos da Biblioteca». Estes alunos podem apoiar a equipa da biblioteca, mas o mais importante é que, ao dar-lhes voz sobre a forma como a biblioteca deve ser gerida e como deve estar organizada, os alunos retribuem porque sentem que a biblioteca lhes pertence. Existe mais probabilidade de eles conversarem com os colegas sobre a biblioteca e o que andam a ler. Falar sobre livros é extremamente importante para o desenvolvimento da leitura, pelo que ninguém sai a perder. 

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ABRA A BIBLIOTECA NO TEMPO LIVRE DOS ALUNOS

É muito importante garantir a abertura da biblioteca além do horário das aulas, uma vez que proporciona oportunidade aos alunos de se envolverem  ̶  seja como voluntários, seja para escolherem livros. Algumas crianças podem querer utilizar os recursos da biblioteca, mas não os querer pedir emprestados em frente à turma. Muito alunos reagem de forma diferente quando vão à biblioteca fora do horário letivo, e outros encontram aqui um lugar especial para ler e fazer os trabalhos, o que, muitas vezes, não encontram em casa. A abertura da biblioteca também dá oportunidade aos pais e aos assistentes de se envolverem. Gostaria de partilhar este vídeo de Alec Williams com sugestões de como ler em casa. Vale mesmo a pena ver!

 

SABER É PODER

Esta frase já é antiga, mas aplica-se às bibliotecas de muitas maneiras; quanto mais conhecimento a equipa da biblioteca tiver, melhores recomendações poderá fazer. Em algumas escolas pode existir uma certa relutância em partilhar a informação no sentido que estamos aqui a assumir, e a privacidade da criança é seguramente o mais importante, mas se conseguirmos garantir que a equipa da biblioteca esteja atenta a problemas que possam surgir em casa, a questões pessoais que é necessário resolver, significa que a criança encontrará na biblioteca alguém que a pode ajudar, sugerindo recursos ou mantendo-se atento a comportamentos pouco habituais. Esta situação pode acontecer com um leitor voraz que de repente deixa de o ser, ou com uma criança que de um momento para a outro começa a ler outros recursos dentro da biblioteca.

Esta frase também se aplica à eficácia da equipa da biblioteca num sentido mais amplo: o trabalho em rede é vital para qualquer setor e os benefícios do trabalho em rede com os outros em contextos similares já foram comprovados. A maioria dos professores das equipas das bibliotecas são os únicos responsáveis pela biblioteca escolar, pelo que conversar com colegas da mesma área sobre desafios semelhantes e partilhar com eles os sucessos pode ser estimulante e pode capacitá-los para prestarem um serviço de maior qualidade a alunos e professores.

 

UMA COMUNIDADE LEITORA

Uma biblioteca pode ser o ponto central da comunidade leitora.

Os alunos, os pais e os assistentes devem ser convidados a conhecer a biblioteca, a participar em discussões e a explorar os novos recursos. A equipa da biblioteca pode ser fundamental na mudança de atitude em relação à leitura, passando de uma escola onde a leitura acontece para uma escola onde a leitura se torna visível, evidente mal se entra na porta da escola e fora dela, em toda a comunidade. Trazer a comunidade à escola e alargar a cultura de leitura, tornando-a inclusiva, pode evitar brechas culturais entre a escola e a família e garantir que os alunos recebem mensagens consistentes.

 

Notas

Alison Tarrant foi professora bibliotecária antes de ser CEO da School Library Assossiation. É atualmente membro da direção do grupo Life Changing Libraries. Pode saber mais sobre a SLA em www.sla.org.uk.

Para obter mais informação sobre os espaços das bibliotecas escolares e o desenvolvimento de uma cultura de leitura, assim como para receber atualizações sobre a ação do Life Changing Libraries, visite www.booktrust.org.uk/lifechanginglibraries

O artigo «Ten tips for creating an unforgettable school library»  foi originalmente publicado no sítio Booktrust. O texto foi traduzido livremente a partir do inglês, com autorização do autor.

Ter | 18.05.21

Fazer em Rede • Prémio Atividades TOP

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Tendo em mente o lema “distinguir para inspirar”, a iniciativa Fazer em Rede pretende dar rosto e voz aos professores bibliotecários, líderes na sua comunidade e profissionais capazes de enfrentar as mudanças com confiança.

Na Atividade TOP em destaque, Adalgisa Coelho, professora bibliotecária da Escola Básica de Lamaçães em Braga, explica como é levou a biblioteca para a sala de aula e, a partir de um livro, explorou com os alunos a problemática da poluição marinha.

Artigo completo: Fazer em Rede • Prémio Atividades TOP | fevereiro 2021

Ter | 18.05.21

Dia Internacional dos Museus

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Fonte: https://url.gratis/XCUgm

O Dia Internacional dos Museus é celebrado anualmente, desde 18 de maio de 1977, por proposta do ICOM-Conselho Internacional de Museus (UNESCO), com o propósito de sensibilizar a comunidade para o valor dos museus na resposta aos desafios sociais, económicos e ambientais.   

Em plena crise pandémica, o ICOM definiu como tema para a celebração de 2021 O futuro dos museus: recuperar e reimaginar, desafiando estas instituições culturais e seus profissionais, públicos e comunidades a cocriar e consolidar soluções criativas para elevar e transformar positivamente a vida das pessoas.

Respondendo ao apelo da DGPC - Direção-Geral do Património Cultural, espaços museológicos da Rede Portuguesa de Museus prepararam uma programação especial com mais de 400 iniciativas em todo o país.

Neste dia, vários museus têm entrada gratuita e o horário é alargado e, a partir da internet, há visitas, exposições, filmes, oficinas, conferências e espetáculos em que todos podem participar.

A 17 e 18 de maio a DGPC lança a campanha nacional O meu museu, através de ações de rua em Évora e Viseu, com o propósito de, nos próximos três anos, aproximar novos públicos dos museus locais.

Estando encerrados entre 15 de janeiro e 4 de abril, devido ao confinamento, museus, monumentos, palácios e galerias de arte registam perda de visitantes e cortes orçamentais, sendo tarefa de todos ajudar à revitalização destes espaços de encontro que reforçam a nossa identidade e poder de criar através da arte e cultura.

Seg | 17.05.21

Fazer em Rede - Prémio Boas Práticas

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Continua aberta, até 28 de maio, a terceira fase da candidatura ao Prémio Boas Práticas.
Com este prémio, que integra a distinção Fazer em rede | Distinguir para Inspirar, a RBE aposta na disseminação do trabalho desenvolvido pelos professores bibliotecários no sentido de fazerem das bibliotecas locais de referência nas suas escolas, como fonte de inspiração para outras bibliotecas escolares.

Uma boa prática procura dar uma resposta eficaz a um problema ou necessidade sentido(a) pela biblioteca escolar e em cuja concretização é posto um grande cuidado. Esses problemas ou necessidades podem ser identificados na sequência da implementação do processo de avaliação, visto que o Modelo de Avaliação da Biblioteca Escolar, nos seus quatro domínios, aponta múltiplas pistas para ações de melhoria.

A boa prática resulta naturalmente de uma ideia e de um propósito, mas a sua tradução prática não se fica pela ação esporádica. Pelo contrário, é continuada no tempo, consolidada e sustentável, isto é, suscetível de se manter, de evoluir e de se adaptar a novos desafios que venham a surgir.

Mais informações no portal da RBE.

Sex | 14.05.21

Transição Digital Nas Escolas: Desafio Ou Realidade?

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O webinar "Transição Digital Nas Escolas: Desafio Ou Realidade?" surge de uma parceria entre Faro2027, a Biblioteca Municipal de Faro e a Rede de Bibliotecas Escolares, enquadrado no projeto MI.MOMO.FARO (https://mimomofaro.pt/), e vai decorrer online, no dia 17 de maio, pelas 17 horas. Destina-se a todos os professores, sendo, particularmente, aconselhado a professores bibliotecários.

A atual transformação digital coloca-nos perante contextos que são tremendamente complexos e desafiantes. O avanço do digital impacta todas as componentes da nossa vida, do social ao económico, da cultura à ecologia e a velocidades como nenhuma outra transformação marcou as nossas vidas.

A educação é um dos pilares centrais no desenvolvimento das sociedades, mas para que tal aconteça é fulcral que esta tenha a capacidade de se adaptar a estes desafios e facilite os contextos necessários para que os alunos desenvolvam as competências necessárias para usufruírem de todas as oportunidades criadas.

Este workshop centrar-se-á na apresentação de abordagens pedagógicas que possam ser facilitadores do desenvolvimento de ecossistemas de aprendizagem que se coadunem com os atuais desafios que nos são colocados. Serão também apresentados alguns projetos que servem como exemplo do desenvolvimento destes mesmos ecossistemas.

 

Conteúdos:

Educação no contexto da Transformação Digital (TD)

  • Enquadramento TD
  • Da Transformação Digital para a Transformação Digital Inteligente
  • Impactos da TD
  • Competências base
  • Desafios da Educação no âmbito da DT

Abordagens pedagógicas no contexto da TD

  • PBL - Project Based Learning
  • IBL - Inquiry Based Learning
  • ABJ - Aprendizagem Baseada em Jogos
  • Gamificação

Apresentação de caso prático

  • MIMOMOFARO: O cruzamento do Património Cultural Digital com a Aprendizagem Baseada em Jogos

Inscrições

O seminário poderá se acompanhado aqui.

Qui | 13.05.21

Metodologias ativas | Gamificação

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Photo by Jukan Tateisi on Unsplash

O termo “gamificação” surge originalmente na indústria dos media digitais, tendo sido utilizado pela primeira vez pelo programador Nick Pelling, quando, em 2002, criou uma interface semelhante a um jogo para dispositivos eletrónicos comerciais (ATM, máquinas de venda automática), com o objetivo de tornar as transações mais atrativas e rápidas.

Devido às suas características, a gamificação -  “o uso de técnicas características de videojogos em situações do mundo real, aplicadas em variados campos de atividade, tais como a educação, saúde, política e desporto, com o objetivo de resolver problemas práticos ou consciencializar ou motivar um público específico para um determinado assunto” [1] - tem vindo a ganhar notoriedade na área da educação, pois contribui de forma significativa para aumentar a motivação e o envolvimento dos alunos, colocando-os no centro do processo de aprendizagem.

 

O que é gamificação?

De acordo com os investigadores Deterding, Dixon, Khaled e Nacke (2011), a gamificação refere-se ao uso do design, dos elementos e das características dos jogos, nomeadamente o pensamento e a mecânica, em contextos não relacionados com o jogo, com o objetivo de envolver o utilizador e fomentar a resolução de problemas.

Nesse sentido, são utilizados os elementos característicos de um jogo, nomeadamente o sistema de pontuação e/ou ranking, os desafios, as recompensas ou prémios, a utilização de avatares e o feedback instantâneo. É uma metodologia que fomenta a realização de aulas mais dinâmicas, em que os alunos estão mais interessados, envolvidos e motivados. Desta forma, ao aumentar a capacidade de concentração e atenção dos alunos, promove-se a sua participação ativa e fomentam-se aprendizagens mais significativas. 

 

A utilização da gamificação em contexto educativo favorece:

  • Uma maior interação entre os alunos;
  • A melhoria da participação dos alunos;
  • A criatividade, a autonomia, a resolução de problemas e a colaboração;
  • A comunicação;
  • A melhoria da qualidade das aprendizagem e, consequentemente, dos resultados escolares dos alunos;
  • O desenvolvimento de competências socio-emocionais.

 

Como se implementa?

O professor deve seguir alguns passos, para assegurar o sucesso das atividades de gamificação:

1. Definir os objetivos de aprendizagem para o jogo, isto é o que se pretende que os alunos aprendam. Estes objetivos devem ser discutidos com os alunos.

2. Adequar a proposta de gamificação ao perfil dos alunos, tendo em conta a linguagem a utilizar e o formato do jogo. Esta proposta poderá ser feita de forma simples, em sala de aula e com recurso aos materiais aí disponíveis, ou utilizando a tecnologia digital.

3. Definir claramente as regras da atividade e apresentá-las aos alunos.

4. Estruturar a atividade em vários momentos que serão também momentos de avaliação formativa, tendo em conta os objetivos de aprendizagem definidos. Poderão ser criados pequenos desafios ou missões, que os alunos vão superando, tendo em conta o seu perfil.

5. Criar um sistema de pontos / níveis / prémios a atribuir em cada um dos desafios. Poderão ser utilizadas medalhas / crachás, criados rankings ou atribuídos prémios / troféus.

6. Implementar a atividade desenhada, fornecendo, sempre que possível, feedback imediato aos alunos, pois, desta forma, percebem onde têm dificuldades e podem tentar melhorar.

7. Monitorizar os resultados alcançados pelos alunos, para regular práticas de ensino e de aprendizagem.

À medida que o professor for implementando atividades de gamificação, poderá propor desafios mais complexos aos seus alunos.

 

Qual o papel da biblioteca escolar?

 A gamificação é uma metodologia que pode contribuir para motivar e envolver os alunos nas atividades, favorecendo aprendizagens e moldando comportamentos (Kim, 2015). De acordo com este autor, as bibliotecas fornecem uma plataforma interessante para a gamificação, apoiando as atividades de apoio ao ensino.

Nesse sentido, a biblioteca escolar pode criar atividades gamificadas, no âmbito da sua atuação, ou apoiar a criação de propostas de trabalho, em colaboração com os docentes. Para isso, e tendo em os conteúdos a trabalhar e as competências a desenvolver, a biblioteca escolar poderá apoiar a:

  • Definição dos objetivos do jogo, tendo em conta as metas de aprendizagem que se pretendem alcançar;
  • Escolha da plataforma / ferramenta a utilizar [2] e o local (físico ou virtual) onde irá decorrer a atividade;
  • Criação das tarefas/ desafios a realizar/superar e definição da mecânica do jogo, isto é das regras que os alunos devem seguir;
  • Definição do sistema de pontuação, bem como dos prémios / recompensas.

Dado o caráter transversal dos projetos das bibliotecas escolares, muito ligadas ao desenvolvimento de multiliteracias, estas poderão criar um banco de propostas de atividades com recurso a gamificação para que os alunos as possam utilizar de forma autónoma ou no contexto de um trabalho de colaboração com os conselhos de turma/docentes.

Kim (2015) refere, ainda, que as bibliotecas podem utilizar a gamificação com o objetivo de melhorar a sua eficácia pedagógica, bem como para sensibilizar os utentes das bibliotecas para os seus serviços e recursos, promovendo a sua utilização.

Para mais informações, poderá consultar a revista sobre gamificação da RBE, disponível em https://flipboard.com/@rbe_pt/gamificação-rr54as5ez

 

[1] https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/gamificação

[2] São inúmeras as ferramentas digitais que permitem criar atividades gamificadas, podendo ser consultados os seus tutoriais na Biblioteca Escolar Digital da RBE, disponível em https://digital-rbe-d01.blogspot.com/search/label/Gamifica%C3%A7%C3%A3o

 

Referências 

Deterding, S. , Dixon, D. , Khaled, R. , & Nacke, L. E. . (2011). From game design elements to gamefulness: defining "gamification". Proceedings of the 15th International Academic MindTrek Conference: Envisioning Future Media Environments. ACM. Retrieved from https://doi.org/10.1145/2181037.2181040

Kim, Bohyun (2015). Understanding Gamification. Library technology reports : expert guides to library systems and services, Vol. 51. Retrieved from https://jfborges.wordpress.com/2015/04/29/gamificacao-aplicada-a-bibliotecas-como-ensinar-a-aprender-jogando/

Qua | 12.05.21

Para todos os tamanhos! Natureza: proposta pedagógica com recurso a livros-álbum

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Photo by Joel Holland on Unsplash

E, finalmente, desconfinámos! Ainda com os devidos cuidados, somos autorizados a voltar a sair de casa e explorar o mundo que nos rodeia. E isto acontece num ano em que vivemos uma Primavera daquelas “à antiga”, com sol e chuva quanto baste para ter as características que estão descritas nos manuais. É um convite a um regresso à natureza, em pequenas/ grandes jornadas de (re)descoberta.

Não somos indiferentes ao alerta deixado por alguns autores acerca dos problemas de saúde física, como a obesidade infantil ou mesmo no âmbito do desenvolvimento global das crianças, como problemas comuns de aprendizagem, dificuldade de concentração, hiperatividade e déficit de atenção que poderão estar relacionados com o pouco tempo que os mais novos passam em contato com a natureza.

Educar para a curiosidade parece um conceito estranho se pensarmos que as crianças são naturalmente curiosas. Mas, enquanto educadores, devemos questionar-nos permanentemente sobre o que faz a escola para manter viva esta caraterística inata e desenvolvê-la no sentido de ajudar a formar pessoas cada vez mais criativas, críticas, e cooperantes entre si e com o mundo que as rodeia.

A acrescentar, a urgência da formação de uma consciência cívica relacionada com a sustentabilidade ambiental e preservação do planeta, impossível de se constituir sem ser experienciada, sentida e vivida num contacto sensorial e participado em ações em ambientes naturais.

A leitura mediada de livros álbum (desta vez talvez nem todos caibam nesta categoria mas… o importante é ler) é uma oportunidade para criar um espaço/ tempo para pensar em conjunto e partilhar ideias, experiências e emoções sobre conhecer, estar e viver a natureza. Sugere-se um conjunto de livros que, pelas suas características textuais e gráficas, podem ser utilizados com alunos de diferentes faixas etárias.

Conhecem estes Inventários ilustrados?

 

Lá fora: Guia para descobrir a natureza, Inês Teixeira do Rosário e Maria Ana Peixe Dias; Bernardo P. Carvalho, Planeta Tangerina

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De quem será esta pegada? O que faz aqui esta minhoca? Será um sapo ou uma rã? Como se chama esta árvore?  Mesmo que moremos numa grande cidade, existe sempre natureza lá fora: nuvens e estrelas, árvores e flores, rochas e praias, aves, répteis ou mamíferos. O que esperamos então? Saltemos do sofá e iniciemos a exploração! (resenha da editora)

 

Antes Depois, de Anne-Margot Ramstein & Matthias Aregui, GATAfunho

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A magia do tempo em imagens! Neste livro extraordinário e «astuto», objetos, acontecimentos, paisagens e seres são apresentados em pares (de face uns para os outros ou em páginas duplas subsequentes), revelando dois estados de algo ou de uma situação. Sem texto, as ilustrações incitam o leitor a imaginar, pensar e compreender, e recontar a história destas mudanças de estado. (resenha da editora)

 

As Cores na Natureza, Jana Sedlackova e Štepánka Sekaninová; Magdalena Konecná, Texto

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A Natureza está repleta de cores incríveis. Mas já te questionaste sobre qual o sabor ou o cheiro das cores verde, amarelo, cor-de-rosa ou azul? Ou como soam? Ou ainda qual a sensação que terias se lhes tocasses? (resenha da editora)

 

O Destino de Fausto, Oliver Jeffers, Orfeu Negro

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Em tempos, existiu um homem que acreditava ser dono de tudo… "Tu és minha." — disse Fausto à flor. "Sim. Eu sou tua." — respondeu a flor. Satisfeito, Fausto prosseguiu, reclamando para si uma árvore, um lago, e ainda uma montanha. Tarde ou cedo, todos acabaram por ceder. E, sentindo-se confiante, Fausto avançou, em direção ao mar. Mas a sede de poder tem fins inesperados... (resenha da editora)

 

Onde vivem os monstros, Maurice Sendak, Kalandraka

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“O álbum ilustrado por excelência, que foi adaptado ao cinema, transporta o leitor para uma inesquecível viagem de ida e volta até ao território da imaginação.“ (resenha da editora)

É uma metáfora do reencontro com o “lado selvagem” numa ode ao que é natural, tanto no mundo exterior como no que sentimos dentro de nós.

Ter | 11.05.21

Literacia emocional: atividades práticas

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Fonte da imagem: Earl, A. Unsplash. https://unsplash.com/photos/Odhlx3-X0pI

Fomentar a autoconsciência e regulação emocional, empatia e competências sociais exige compromisso dos participantes e formação especializada de quem facilita as sessões.

Há, contudo, exercícios que, aplicados em contexto de biblioteca escolar, podem iniciar o hábito e transformação.

Nestes, o professor bibliotecário deve ter em conta que leitura e expressão de emoções depende do contexto e personalidade (educação, história de vida de cada um, estado de espírito, temperamento, doenças…), havendo que respeitar os limites de cada um.

É também importante ter em consideração que as emoções se aprendem na vida diária por imitação e que são contagiosas: a sua transmissão gera reciprocidade, sincronismo de expressões e movimentos entre os interlocutores.

Estas são atividades práticas em que se pode inspirar.

 

- Emocionário coletivo digital

Em grupo, cada vez que a criança ou jovem acrescenta uma emoção, com o respetivo significado, pergunta a todos:

  • Quando foi a última vez que se sentiram … [emoção]?
  • Como é que nos sentimos quando estamos… [emoção]?
  • Como sabem que a pessoa X está a ter esse sentimento?
  • O que fazer?

 

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C. Darwin: A importância da inteligência emocional para a adaptação e sobrevivência; a universalidade das expressões emocionais.

Fonte das imagens: Darwin, C. (1872). The expression of the emotions in man and animals. John Murray. http://darwin-online.org.uk/content/frameset?pageseq=1&itemID=F1142&viewtype=text

 

- Como te sentes?

Goleman propõe um novo conceito de chamada: o professor chama, um a um, os nomes das crianças ou jovens e, em vez de ‘Presente!’, indicam como se sentem numa escala de 1 (em baixo) a 10 (alta energia):

“Hoje, o moral é elevado:

Jéssica. Dez: estou eufórica, é sexta-feira.

Patrick. Nove: excitado, um pouco nervoso.

Nicole. Dez: tranquila, feliz…” 1.

 

- Tocar o coração através da leitura e da arte

Literatura, poesia, fábulas e, em geral, arte (cinema, música, teatro…) tocam o coração humano através de metáforas, imagens, símbolos que lemos por associação livre, quase sem pensar.

Uma criança ou jovem lê - ou escreve - um poema ou história, a partir do qual todos identificam, expressam e confrontam emoções.

Exemplo de texto:

“Tu estavas, avó, sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, olhando para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campo e árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: ‘O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.’

(…) Todas as noites meu avô e minha avó iam buscar às pocilgas três ou quatro bácoros mais fracos, limpavam-lhes as patas e deitavam-nos na sua própria cama. Aí dormiriam juntos, as mesmas mantas e os mesmos lençóis que cobririam os humanos cobririam também os animais, minha avó num lado da cama, meu avô no outro, e, entre eles, três ou quatro bacorinhos que certamente julgariam estar no reino dos céus.”

Saramago, J. (2019). As pequenas memórias. (4.ª ed.). Porto Editora, p. 115.

 

Ler promove a empatia, mas, em idioma inglês, Empathy Lab propõe livros e guias literários específicos para promover a empatia, paz e transformação do mundo 2.

 

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Fonte da imagem: Meanwhile in Hong Kong by Tommy Fung In Sayej, N.  (2020, 18 Feb.). Here’s How Artists Are Responding To The Coronavirus. Forbes. https://url.gratis/1ItZ3

 

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Fonte da imagem: Wei, Guan. (2013). The Journey to Australia. https://cutt.ly/NvTE49e

 

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Fonte da imagem: Fotografia Hoje não Julgarei Nada Que Ocorrer: Arquivo ektachrome, T-shirt Malcom X, Roma, de Lyle Aston Harris LYLE ASHTON HARRIS STUDIO. In Salema, I. (2016). A arte feita por mulheres é diferente? https://www.publico.pt/2016/09/30/culturaipsilon/noticia/a-arte-feita-por-mulheres-e-diferente-1745201

 

A partir de obras de arte crianças e jovens também podem tomar consciência, expressar e confrontar:

- Valores: Em que valores é que estas obras nos convidam a pensar? São os seus valores? Valores de outros? De quem?

- Identidades: De quem fala esta obra? E com quem é que esta obra está a tentar falar?

- Ações: Que ações poderia este trabalho encorajar? As ações de quem - as suas, as de outros, que outros? 3.

 

- Cubo de emoções

Fazer cubos de emoções com diferentes rostos de imagens de revistas, de fotografias selecionadas ou tiradas pelas próprias crianças. Cada uma lança o cubo uma vez e conta uma história pessoal, autêntica, baseada na emoção expressa no rosto daquela face do cubo 4.

 

- Caixa de correio de conflitos

Deixar uma caixa aberta onde crianças e jovens expõem anonimamente conflitos e problemas de ordem emocional para discutirem e encontrarem solução pois todos viveram situações semelhantes e pode aprender-se a lidar com elas. A literacia emocional, tal como a educação moral e ética, é mais eficaz no contexto de situações autênticas 5.

 

- Ler emoções na vida diária

“Alguém me conta um desentendimento que tivesse tido recentemente e que tivesse acabado bem?” 6.

Ou, alguém me conta uma história de transformação positiva de emoções que nos inspire e dê energia?

 

- Ler emoções através dos media

Nos jornais ou noticiários desta semana, identificaram histórias de (des)controlo emocional e (falta de) civismo?

Se fossem os seus protagonistas e estivessem empenhados no controlo emocional e respeito pelo outro e pela comunidade, como teriam pensado e agido?

 

Quer deixar-nos outras sugestões?

 

Referências

1. Goleman, D. (2020). Inteligência emocional. (26.ª ed.). Temas e Debates, pp. 275.

2. Knights Of HQ. (2019). Empathy is a beacon of hope in a divided world. Books Made Better. https://booksmadebetter.com/empathy-is-a-beacon-of-hope-in-a-divided-world-35d2b45f68a2

3. Project Zero, Independent Schools Victoria. (2021). Arts as Civic Commons – A handbook for educators. https://cutt.ly/bvR69zX [p. 33]. In Gardner, H. Project Spectrum/ Project Zero. http://www.pz.harvard.edu/projects/project-spectrum

4. Goleman, 2020, p. 289.

5. Ibid., p. 287.

6. Ibid., p. 296.

Seg | 10.05.21

SER LEITOR É COOL! - Concurso interconcelhio de leitores - 3.ª Edição (2020/ 2021)

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O concurso “Ser leitor é cool!” é organizado pelos professores bibliotecários dos grupos interconcelhios da Rede de Bibliotecas Escolares dos concelhos de Alcácer do Sal, Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Estremoz, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Mora, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre, Torrão e Sousel, com o apoio das CIBE Ana Ferreira e Fátima Bonzinho e destina-se a todos os alunos destes concelhos.

2021-05-12 tempImagegAMyeP - Ana Paula Faria Ferre

O concurso tem como objetivos a promoção da leitura e o desenvolvimento da expressão e compreensão escrita e oral. Está organizado em quatro escalões: 3.º ano, 4.º ano, 5.º ano e 6.º ano e compreende três fases. Na 1ª fase, da responsabilidade dos professores das turmas envolvidas, são selecionados 2 alunos por turma que irão à 2.ª fase a realizar ao nível do agrupamento/ escola. Esta fase é da responsabilidade da biblioteca escolar e tem como objetivo o apuramento de um aluno, por ano de escolaridade, que representará o seu agrupamento/ escola na fase final.

A fase final desta 3ª edição do concurso vai decorrer online, a partir de Estremoz, no dia 20 de maio e contará com a participação de 86 alunos, que representam 22 agrupamentos/ escolas. Será apurado um vencedor por cada ano de escolaridade e a todos os participantes será atribuída uma menção honrosa.

No dia 25 de outubro de 2021, Dia Internacional das Bibliotecas Escolares, será feita a entrega dos prémios numa cerimónia pública, organizada pelo concelho responsável pela organização desta edição, Estremoz.