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Blogue RBE

Sex | 26.03.10

Mensagem da IBBY no Dia Internacional do Livro Infantil


Um livro espera-te. Procura-o.
Era uma vez
um barquinho pequenino
que não sabia
não podia
navegar
Passaram uma, duas, três,
quatro, cinco, seis semanas
e aquele barquinho
aquele barquinho
navegou.


Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.
Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.
Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».
Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas..., tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.
Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.
É por isso que... não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.

ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes

Eliacer Cansino Macías (Sevilha, 1954) é professor de Filosofia numa escola de Sevilha, desde 1980, e autor de romances para jovens e adultos. Em 1997, recebeu o Prémio Lazarillo por O Mistério Velázquez, recriação da vida do anão Nicolasillo Pertusato e da sua relação com Velázquez. Em 1992, foi-lhe outorgado o Prémio Internacional Infanta Elena pelo livro Eu, Robinsón Sánchez, tendo naufragado, obra que foi também finalista do Prémio Nacional de Literatura Infantil, de Espanha. Em 2009, recebeu o Prémio Anaya de Literatura Infantil e Juvenil por Um Quarto em Babel. O lápis que encontrou o seu nome (2005). Tem muitos outros títulos editados.
Sex | 26.03.10

Festa na Fundação Calouste Gulbenkian



A chuva impediu que se realizasse a Festa do Desenho e da Paisagem no dia da Primavera. Amanhã, dia 27, com o jardim cheio de cores exuberantes, vamos finalmente celebrar com jogos e oficinas, visitas e algumas surpresas, para todas as idades. Estão convidados todos os que gostam de desenhar, experimentar ou descobrir novas formas de ver e representar.

A entrada é livre, limitada ao número de lugares diponíveis.

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Sex | 26.03.10

Prémio Astrid Lindgren Memorial 2010


Kitty Crowther, escritora e ilustradora belga, foi a vencedora do prestigiado Prémio Astrid Lindgren Memorial. Nascida em 1970, tem já 20 títulos publicados, entre eles a série "Poka e Mine", com alguns títulos editados em Portugal. O júri elogiou-lhe a imaginação e criatividade em escrever e ilustrar "a complexa e complicada relação entre pais e filhos (...) com imagens que são ao mesmo tempo ingénuas e intensas."
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Sex | 26.03.10

Cyber-bullying

Cyber-bullying: Google e Facebook debaixo de fogo


Episódios de violência sobre crianças no YouTube (propriedade da Google) e no Facebook voltaram a colocar a questão da liberdade de expressão na Internet na ordem do dia.

Ler mais no Expresso, 10 Março >>