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Mariana Figueiredo

 

 

 

Primaveras
ou divagações sobre o panteão helénico


Um pequeno exercício de autoexploração com vista a englobar o desenvolvimento da psique de uma aluna de liceu. Ou também chamado de pretensiosismo intelectual de uma pita de dezoito anos.

I

"Inequivocamente, sou insignificante.

Tudo isso não quer dizer que não tenho um propósito. Simplesmente ainda não o descobri.

Não serei figura pública, nem continuarei com o negócio familiar de falhar na vida.

Vou ser algo. Relevante ou não é indiferente.

Antes de tudo serei genuína. Concreta, íntegra, talvez um pouco excêntrica. Que se entusiasma com temas que ninguém ouviu falar. Que diz demasiados palavrões. Continuarei sempre numa viagem de autodescoberta. Aprender todos os dias sobre mim.

Vou encontrar um estranho verbo com alguém. Quero conhecer as profundezas do amor como o Cesariny. Vou aprender a olhar as árvores por entre os ramos. Continuarei a perguntar "Ai Deus e u é?" Mas não o para saber do meu amigo. Esse sei onde está. Continua ao meu lado apesar de já não ser um amigo como o das cantigas. Pergunto sim onde está a minha alma, se existe Deus e se sim porque me abandonou ou porque nunca senti a sua presença.

Continuarei a escrever, e a sonhar com campos de lavanda em flor. Vou continuar a odiar o calor do verão ou talvez passe a adorá-lo. Veremos."

Terminei de ler o texto. Estávamos na primavera mas continuava a fazer frio nas salas de aulas do liceu. Paredes brancas, um ar de decadência antigo. Liceu feminino. Que maior clichê. Dez alunas. Aula de literatura portuguesa. Para quem tem questões metafísicas que assombram constantemente, ler a Aparição do Vergílio Ferreira é propício para escrever textos sobre o íntimo.

Mal sabia eu que esta aula seria produtiva. [...]

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RBE


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