Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]





[Error: Irreparable invalid markup ('<img [...] m$>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<div style="text-align: justify;"><br /><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-8R7SIX9vDmA/ThWzP_hm5NI/AAAAAAAACjU/0EvFuc-FV2s/s1600/M_J_Nogueira_Pinto.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-8R7SIX9vDmA/ThWzP_hm5NI/AAAAAAAACjU/0EvFuc-FV2s/s1600/M_J_Nogueira_Pinto.jpg" /></a></div><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Um texto de Maria José Nogueira Pinto, publicado em 2009, com o título <em><strong>Um plano para amar os livros.</strong></em></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"></span><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><em><br /></em> </span><br /><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>“Vou viajar com o imaginário dos outros”, assim definiu Bernard Babkine a sua ida para Deauville com uma mala cheia de livros. O que prova que, hoje em dia, é preciso ter férias para poder ler livros, o tempo normal devorado pelas novas formas e fórmulas de aquisição de conhecimentos, informação e convivência com as realidades e a imaginação.</em></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>Mas, apesar de todos os sons e imagens que cruzam o nosso olhar, perfuram o nosso cérebro e nos tornam uma espécie de conduta passiva por onde toda essa informação passa, acriticamente, efémera e breve, o gesto de pegar num livro, o toque do papel, o virar da página, a sujeição a um ritmo necessariamente lento, nesse encontro iniciático entre quem escreve e quem lê, esse cerimonial de apresentação aos personagens, esse esforço ansioso de configurar o espaço onde se movem, os sons de vozes que não ouvimos, os cheiros e cores que não sentimos nem vemos é, e será sempre, um exercício emocionante, singular e inaugural.</em></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>A leitura é uma realidade imensa, viagem que, uma vez iniciada, não tem fim, uma amarra de que ninguém pensa sequer libertar-se, uma porta para todos os outros mundos, um modo expedito para todos os encontros, todas as conversas. Como escutar às portas sem ser promíscuo. Como espreitar as vidas alheias sem ponta de “voyeurismo”. Uma maneira de esquecer e de lembrar. De estar aqui e acolá. De ser isto e mais aquilo. E não tem fim esta possibilidade de mil vidas em uma, única forma recomendável de mentir. Não mentir propriamente, mas imaginar, o que é diferente e sem sombra de pecado. Nélida Piñon chamou à escrita “o arfar da língua”, Veríssimo (Luís Fernando, filho de Erico) definiu-a desta forma admirável: “Sempre escrevemos para recordar a verdade. Quando inventamos é para recordá-la mais exactamente.” Pepetela confessou que escrevia para sonhar e fazer sonhar. Montesquieu afirmava que não havia desgosto que uma hora de leitura não dissipasse.</em></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>Nestes últimos tempos li abundante e anarquicamente. Entrei, sem critério ou determinação prévia, na vida e alma de personagens muito diversos e com os quais estabeleci forte intimidade, viajei por uma geografia ousada e inconsequente, fiz troça do tempo, no passado e no futuro de mim. Dando sentido ao enigmático verso de Guimarães Rosa: “Eu sou donde nasci. Sou de outros lugares.” A leitura de livros – ficção, romance, novela, poesia – é hoje, talvez, a mais enriquecedora forma de estar sozinho, sem estar só. Num tempo em que sobem os níveis de stress, se sofrem os efeitos do excesso de informação quase impossível de assimilar, aumenta vertiginosamente o número de pessoas que vivem sós, se formam ilhas e redutos onde antes se convivia, se perde a individualidade e a interioridade, os livros são um antídoto garantido. E também para aturar os inúmeros maçadores que nos rodeiam e ameaçam atrapalhar a nossa vida. Em Portugal, país que bate recordes no consumo de antidepressivos, este antídoto devia ser promovido oficialmente.</em></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>Para os mais novos, a questão é ainda mais premente. Filhos de uma cultura informativa e de imagem, com poucos hábitos de leitura, são os futuros homo videns. Correm o risco de ficar à margem da percepção de tudo aquilo que releva na própria essência da condição humana. Se pensarmos no conjunto de estímulos indispensáveis à formação de cada um enquanto pessoa, parte substancial vem, seguramente, da leitura, do poder de interpelação que as histórias, que apenas os livros podem narrar deste modo, têm na estimulação dos sentimentos e da compreensão de cada um. Num quadro de absoluta liberdade, esse exercício individual e silencioso é uma forte argamassa para uma interioridade coesa que abre os caminhos para crescer.</em></span></div><div style="text-align: justify;"><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"><em>Felizmente que os responsáveis perceberam isso. Daí que, apesar da crença cega nas novas tecnologias de informação para igualar oportunidades, o Plano Nacional de Leitura vai fazendo o seu bom caminho. É que não basta ensinar a ler, é preciso ensinar a gostar de ler.</em></span></div><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"></span><br /><div style="text-align: justify;"><em><br /></em></div><span style="font-size: x-small;"></span></div><span style="font-size: x-small;"></span></div>

Autoria e outros dados (tags, etc)

Etiquetas:



RBE


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Ligações

Sítios Institucionais


Twitter



Perfil SAPO

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Twitter_