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 Quem vai ganhar? Manifestação na Escola de Vale Milhaços, Almada, com os apoiantes
de Harry Potter e a Pedra Filosofal e de O Recruta | por Cláudia Lobo e Liliana Lopes Monteiro (Visão Júnior) | 16/03/2107 | Ler notícia em .pdf |

 

 

Miúdos a Votos!, uma iniciativa da VISÃO Júnior e da Rede de Bibliotecas Escolares, pôs milhares de alunos a fazerem campanha eleitoral pelos seus livros preferidos. Até o ministro da Educação aderiu à onda de entusiasmo

 

Carlos é o mais alto dos alunos sentados na última fila de cadeiras da biblioteca da Escola Ribeiro de Carvalho, em Agualva-Cacém, concelho de Sintra. Hoje a biblioteca está transformada num pequeno auditório, para poderem assistir à apresentação de uma peça de teatro e de um Telejornal realizado por colegas do 3º e 4º ano. Bem, na verdade não é só por isso: o ministro da Educação quis participar no dia que a escola dedicou inteiramente à campanha eleitoral de Miúdos a Votos: quais os livros mais fixes? e está agora a falar para a plateia. Mais do que falar, Tiago Brandão Rodrigues quer ouvir os argumentos dos defensores de cada um dos livros, e interpela os miúdos. “Porque é que escolheram Diário de um Banana – Dias de Cão?” Carlos, que tem feito campanha eleitoral pelo livro, responde espontaneamente, numa voz que lhe parece vinda do fundo da alma: “Porque nós também temos dias de cão…”


O autor de Diário de um Banana, Jeff Kinney, é aquele que mais vezes está nomeado nas listas nacionais desta iniciativa da VISÃO Júnior e da Rede de Bibliotecas Escolares que vai pôr estudantes de 406 escolas (incluindo Angola, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe) a votarem amanhã, sexta-feira, 17, nos seus livros preferidos. O projeto visa promover simultaneamente a leitura e a cidadania, permitindo aos alunos entre
os 1º e 9º anos organizarem e participarem num processo em tudo semelhante a umas eleições políticas. Conta com o apoio da Comissão Nacional de Eleições, da Pordata e do Plano Nacional de Leitura.
As escolas tiveram inicialmente de se “recensear” (inscrever), tendo os alunos depois proposto, sem qualquer constrangimento, os seus livros preferidos, ou seja, os seus candidatos. O resultado? 15 462 votos e mais de 2 000 títulos propostos. Os livros que reuniram maior número de candidaturas foram nomeados para as eleições nacionais, organizados por ciclos de ensino.


Hoje é dia de reflexão. Alunos e professores agradecem o descanso, depois de uma campanha eleitoral muito intensa: mais de 150 escolas organizaram debates, comícios e sessões de esclarecimento, produziram cartazes e panfletos, realizaram vídeos e produziram tempos de antena de rádio (seguindo as regras da lei eleitoral), transmitidos pela Rádio Miúdos, uma estação online (radiomiudos.pt) que também apoia a iniciativa.
A cobertura das ações de campanha tem sido exaustiva em visaojunior.pt.

 

 

“LER, LER, LER!”
Em Condeixa-a-Nova, duas escolas contíguas, uma azul e outra amarela, não partilham apenas a proximidade geográfica. Partilham também os mesmos lemas: “Ler, ler, ler!” e “Votar, votar, votar!”. Na azul, a Escola Básica nº1, reúnem-se na biblioteca os alunos dos 3º e 4º anos para ouvirem as apoiantes d’O Gigante Egoísta, de Oscar Wilde, e A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. Antes de lhes dar a palavra, a professora Anabela Costa apela ao voto. “Vão ouvir os argumentos da Joana e da Matilde, e no dia 17 vão votar no livro, ou seja, no candidato, que vos promete a melhor história. Desta vez as promessas eleitorais vão ser cumpridas, os livros não mentem e cumprem o que prometem – uma boa história. Cada leitura vai ensinar-vos algo novo, só têm de escolher o candidato que mais se identifica convosco”, explica.


Joana enfrenta os colegas e relata o conto de um menino que fez tudo para ajudar uma flor que estava a morrer. “Gosto de muitos livros, mas este é o melhor de todos. Aprendemos a ser solidários.” Após o discurso eleitoral, os colegas do 4ºA juntam-se-lhe e o som familiar da música We Will Rock You, dos Queen, ganha uma nova letra: “Lê o nosso livro, ele é o melhor/ Podes ser como o herói, melhor história não há!”
Os aplausos não intimidam Matilde, que toma a dianteira da sala e narra aos colegas a história de um gigante que não queria partilhar o seu bonito jardim. “É uma história emocionante. Feliz e triste. No final, aprendes uma lição muito importante: não devemos ser egoístas, devemos partilhar.” Ao apelo da aluna, juntam-se os colegas de turma. Três, dois, um… Ouve-se uma versão original da cantilena de As Pombinhas da Catrina: “A primavera apareceu/ o jardim ficou florido/ as crianças já sorriem/ e o gigante é amigo”.


Concluída a sessão de esclarecimento, surge uma pergunta: “Somos obrigados a votar?” Anabela Costa explica aos alunos que o voto é um dever cívico, um direito. “Ninguém é obrigado a votar, mas todos devemos ter uma palavra em relação ao nosso futuro. Se queremos viver num mundo melhor, devemos escolher um
candidato que nos represente – nós importamos”, explica aos alunos que terminam a sessão a gritarem a plenos pulmões “Ler, ler, ler!” e “Votar, votar, votar!”


Na escola amarela, a Básica nº2 de Condeixa-a-Nova, os estudantes do 5º e 6º ano também estão a lutar para
convencerem os colegas a votarem nos seus livros preferidos. Leonor Baptista, 10 anos, faz campanha por O Rapaz de Bronze, de Sophia de Mello Breyner Andresen, enquanto Anita Costa, 11 anos, apoia As Gémeas no Colégio de Santa Clara (Vol. 1), de Enid Blyton. “Gosto de todos os livros dessa coleção. Quando me inscrevi, estava a ler este, agora já vou no sexto. Este livro ensinou-me a ser menos teimosa, porque no início as gémeas foram para esta escola contrariadas, mas depois passaram a adorar”, explica. “Muitas vezes os pais sabem o que é melhor para nós”, conclui.


Sobre o projeto de Miúdos a Votos!, Anita confessa que inicialmente não se apercebeu de tudo o que iria implicar. “Escrevi um texto sobre o meu livro preferido e só depois dei conta que isto ia ser uma trabalheira… mas no bom sentido, estou a gostar!”

 

UMA VIDA
A trabalheira é tanta que o grupo de alunos da EB 2,3 Guilherme Correia de Carvalho, em Seia, que apoia Harry Potter e A Pedra Filosofal tem roubado tempo ao almoço para trabalhar na campanha eleitoral. Tiveram a ideia de fazer porta-chaves, pediram orçamentos, propuseram-nos à escola e… a ideia foi aceite. Os apoiantes de Robinson Crusoé receberam o mesmo valor para produzirem também material de campanha. Mas a melhor arma destes alunos, todos do 8º e 9º ano, é mesmo a palavra: o debate que realizam na biblioteca da escola, perante todos os colegas dos mesmos anos, faz prever que há ali quem vá parar à advocacia ou à política, tal a capacidade de expressão e de argumentação. E de iniciativa: vão apresentar os seus livros às turmas de 5º e 6º ano, “porque são os potenciais leitores destes livros”, organizar um campeonato de desporto, criar camisolas e gravar tempos de antena de rádio. “No início, o nosso entusiasmo por esta iniciativa contagiou-os”, conta a professora bibliotecária Isabel Albuquerque, “e agora é o deles que nos contagia a nós!”


Como em tantas outras escolas, entusiasmo é o que não faltou na visita do ministro da Educação à Escola Ribeiro de Carvalho. “Esta iniciativa troca por miúdos o processo eleitoral e fá-los entender a importância de mostrarem, através do seu livro de eleição, a importância daquilo que pensam e em que acreditam. É um projeto ímpar, que na prática põe a democracia em movimento nas escolas”, disse a alunos e professores. No dia seguinte, o secretário de Estado da Educação ouviria Gonçalo, aluno da Básica da Azeda, explicar aos seus colegas, durante uma sessão de esclarecimento, por que escolhera O Principezinho: “Percebemos que o melhor é aproveitarmos o tempo agora.” João Costa deu por bem empregue o tempo que passou na escola de Setúbal: “Não vejo melhor maneira de começar o dia, vocês foram espetaculares! Portaram-se melhor do que os deputados”, graceja. “Gostava que percebessem que vocês são pessoas com muita sorte: porque têm livros para ler, porque não precisam de ler todos os mesmos livros e porque podem votar no livro que quiserem. São livres. Há uma frase de um senhor chamado Umberto Eco de que gosto muito: ‘Quem não lê, vive uma vida. Quem lê, vive 5000 vidas.’”

 

 

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